A bolha do Hubble ilumina os escombros interestelares

Quando estrelas isoladas, como nosso Sol, chega ao fim de suas vidas, é esperado que elas expandam suas camadas mais externas em configurações robustamente esféricas: uma nébula planetária. Mas as bolhas mais espetaculares não vem de gases e plasmas expelidos, de qualquer forma, para espaços vazios, mas de estrelas jovens e quentes cuja radiação empurra a nébula gasosa da qual elas nasceram. Enquanto a maioria da energia de nosso Sol é encontrada na parte visível do espectro, estrelas mais massivas queimam em maiores temperaturas e inclusive, em maiores luminosidades. Um estrela de 40-45 vezes a massa do Sol, por exemplo, pode emitir energia à uma taxa de centenas de milhares de vezes a de nosso Sol.

 

A Nebulosa da Bolha, descoberta em 1787 por William Herschel, é talvez o clássico exemplo desse fenômeno. A uma distância de 7.000 anos-luz de distância, na constelação de Cassiopeia, a nuvem de gás molecular está ativamente formando estrelas, inclusive a estrela massiva classe O BD+60 2522, na qual é uma estrela de magnitude +8,7 apesar da grande distância e sua estadia numa região empoeirada. Brilhando com uma temperatura de 37.500 K e uma luminosidade próxima de 400.000 vezes a de nosso Sol, ela ioniza e evapora todo o material molecular dentro de uma esfera de 7 anos-luz de diâmetro. A estrutura de bolha, quando vista de uma localização de céu obscuro, pode ser vista através de um telescópio amador com uma abertura como de 8’’ (20 cm).

Como vista pelo Hubble, a espessura das laterais da bolha é tanto aparente quanto espetacular. Uma estrela tão massiva quanto a criadora dessa bolha emite ventos estelares de aproximadamente 1.700 km/s ou 0,6% a velocidade da luz. Assim que estes ventos chocam-se ao material no meio interestelar, eles empurram este para o exterior. A bolha em si surge fora de centro da estrela, devido a assimetria do meio interestelar que a rodeia com as densidades maiores do gás gelado em seu lado “menor” do que nos maiores. A cor azulada é devido a emissão dos átomos de oxigênio parcialmente ionizados, enquanto a cor amarela mais fria destaca a dual presença de hidrogênio (vermelho) e nitrogênio (verde).

 

A estrela em si, no centro da nébula, está atualmente fundindo hélio em seu núcleo. É esperado que ela viva outros 10 milhões de anos ou mais antes de morrer numa espetacular explosão de supernova tipo II.

Créditos da imagem: NASA, ESA, e Hubble Heritage Team (STScL/AURA),

da Nebulosa da Bolha ilustrada 229 anos após sua descoberta por William Herschel.

 

 

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