• Marco Centurion

A brilhante união de esforços das gigantes SpaceX e NASA e seu fruto: Crew Dragon – ENDEAVOUR!

Muito tem sido dito sobre o lançamento da Crew Dragon pelo foguete Falcon 9 (SpaceX) do dia 30 de maio de 2020, ser histórico. Mas nem todos estão dizendo os motivos disso. Aos entusiastas das ciências espaciais, todas missões são históricas. O detalhe para esta ocasião de teste da Crew Dragon está no retorno de astronautas estadunidenses em órbita. Não simplesmente em órbita, mas enviados partindo de território dos Estados Unidos.


Desde 2011, com o fim do programa de ônibus espaciais da NASA, a agência norte-americana envia seus astronautas para a Estação Espacial Internacional (ISS) por meio de foguetes da agência espacial russa, a Roscosmos. No início de 2020, os EUA pagaram cerca de U$90 milhões aos russos para garantir um assento americano no módulo da Soyuz, caso algo desse errado com o lançamento da Crew Dragon, que felizmente foi bem-sucedido tanto em seu lançamento do dia 30, como no acoplamento com a ISS, cerca de 18 horas depois!



A grande jogada está nos valores oferecidos pelo serviço prestado pela SpaceX. Cada assento na Crew Dragon custa cerca de U$55 milhões. Ou seja, uma significativa redução nos preços em comparação com os valores oferecidos pela Roscosmos e até mesmo pela Boeing (também na faixa dos U$90 milhões cada assento). A justificativa de Elon Musk, do CEO da SpaceX, para os preços baixos está na possibilidade de reuso dos lançadores desenvolvidos da SpaceX, tecnologia que a empresa domina desde 2015 e que viabiliza uma enorme economia de recursos para a companhia.


Trata-se de uma missão essencialmente de teste da Crew Dragon, uma vez que ela já voou algumas vezes, mas nunca tripulada. A nave conta com sistema de controle de quantidade de ar, pressão, níveis de temperatura e humidade em seu interior, fatores essenciais para a sustentação da vida no espaço. Seus painéis contam com tecnologia touchscreen que respondem aos astronautas, estejam eles usando ou não as luvas do traje espacial da SpaceX. Testada à exaustão, sejam em suas programações, em seus voos de carga e sistemas de paraquedas, a Crew Dragon se mostrou pronta para carregar seres humanos!



E para a sua estreia, dois veteranos da NASA foram escalados, ambos com um belíssimo e respeitável histórico. Douglas Hurley (53) e Robert Behnken (49) foram, ambos, selecionados astronautas pela NASA em 2000 e tiveram passagens expressivas pelo programa de Ônibus Espaciais da NASA. Bob Behnken esteve em dois voos do programa, nas duas ocasiões pela Endeavour enquanto Doug Hurley pilotou a Endeavour e a Atlantis.


O termo Crew Dragon é o nome oficial da nave de transporte da SpaceX, mas como é de costume dos astronautas estadunidenses, Bob e Doug batizaram-na carinhosamente de Endeavour, não coincidentemente. A razão pela escolha está na importância que o ônibus espacial de mesmo nome tem para cada um dos astronautas, mas também devido ao significado da palavra Endeavour, que do inglês pode-se traduzir como Esforço. Palavra que sintetiza com maestria a união de forças entre SpaceX e NASA com todo um corpo de cientistas e engenheiros altamente capacitados para que essa missão fosse mais um sucesso!



A ocasião da escolha dos veteranos não repousa somente em seus históricos, mas principalmente pela experiência na eventual tomada do controle da nave. Os controles da Crew Dragon possuem programação prévia, o que garante a completa autonomia do módulo até mesmo no momento de acoplamento com a ISS. Contudo, a presença ilustre dos astronautas permitirá uma checagem presencial das etapas de voo nunca antes realizada, o que torna a missão ainda mais disruptiva.


O lançamento foi transmitido ao vivo pela NASA e SpaceX em seus respectivos canais no YouTube. No lançamento em loco estiveram presentes autoridades importantes dos EUA, como seu presidente Donald Trump e vice Mike Pence, que ao final do evento deram seus depoimentos, elogiando o sucesso da missão. Também estavam presentes Jim Bridenstine administrador da NASA e Elon Musk.



O momento é histórico! O retorno de uma grande nação como os Estados Unidos ao espaço de forma independente, pode ser o início de uma nova etapa dessa corrida espacial do século 21: a busca pela redução de preços no transporte de cargas e pessoas ao espaço sideral e desenvolvimento de tecnologias que viabilizem a segurança do que e de quem se está transportando. As expectativas para esta nova fase tão tamanhas que esta missão juntamente com seus próximos passos, está sendo colocada ao lado de outros grandes momentos da exploração americana do espaço, como as missões do programa Apollo e os Ônibus Espaciais!

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