O satélite TESS da NASA faz descoberta de sistema exoplanetário super exótico!
- marcocenturion
- 23 de abr.
- 3 min de leitura
“A maioria dos sistemas planetários parece ‘ervilhas em uma vagem’. Esse não é o caso do sistema TOI-201.”
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Por Robert Lea
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Utilizando a espaçonave caçadora de exoplanetas da NASA, TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), e o Antarctic Search for Transiting ExoPlanets (ASTEP) no Planalto Antártico, astrônomos descobriram um sistema planetário raro e singularmente estranho.

Os exoplanetas que orbitam a estrela TOI-201 possuem órbitas que estão mudando tão rapidamente que os astrônomos conseguem observar essas alterações em tempo real. O comportamento do sistema, localizado a cerca de 370 anos-luz da Terra, é algo nunca visto antes pelos cientistas.
TOI-201 possui 1,3 vezes a massa do Sol e também um diâmetro 1,3 vezes maior que o da nossa estrela. Os exoplanetas que orbitam essa estrela incluem uma super-Terra rochosa com seis vezes a massa do nosso planeta, que possui um “ano” de apenas 5,8 dias terrestres. Seus “irmãos” planetários são um gigante gasoso com metade da massa de Júpiter, completando uma órbita a cada 53 dias, denominado TOI-201b, e outro gigante gasoso com 16 vezes a massa de Júpiter, que completa uma órbita a cada 2.883 dias (cerca de 7,9 anos).
“A maioria dos sistemas planetários parece ‘ervilhas em uma vagem’, o que significa que os planetas têm uma faixa semelhante de parâmetros e compartilham um plano orbital parecido. Esse não é o caso do sistema TOI-201, que contém três objetos em órbita muito distintos entre si e que interagem gravitacionalmente.”
disse o membro da equipe Amaury Triaud, da University of Birmingham, em um comunicado.
Os resultados da equipe foram publicados em 15 de abril na revista Science e pode ser lido na íntegra aqui.
Este sistema planetário está passando por mudanças
Mudanças em sistemas planetários e alterações nas órbitas não são exclusivas do TOI-201, mas essas transformações geralmente ocorrem em escalas de tempo de milhões ou até bilhões de anos.
TOI-201 é diferente por causa da órbita altamente elíptica, ou seja muito achatada, e inclinada do planeta mais externo, que exerce uma atração gravitacional sobre os mundos internos. Isso provoca mudanças na orientação das órbitas dos planetas internos e altera o momento de seus “trânsitos”, que são os instantes em que um planeta cruza diretamente a face de sua estrela. A situação é tão extrema que, em cerca de 200 anos, os planetas não se alinharão mais à frente de sua estrela.
“No sistema solar, quase todos os planetas são coplanares, mas aqui isso não acontece e cada planeta é diferente. Isso aponta para uma reorganização orbital ativa dentro do sistema, nos oferecendo um vislumbre do que acontece logo após a formação planetária.”
disse Tristan Guillot, astrônomo do Observatoire de la Côte d’Azur.
Guillot é pesquisador líder no projeto ASTEP, um observatório na Estação Concordia, na Antártida, situado sobre uma geleira de 3,2 quilômetros de profundidade em um dos ambientes mais isolados do mundo, e que aproveita as longas noites polares para observar outros sistemas planetários.

“O objetivo era caracterizar o sistema planetário TOI-201 para entender não apenas quais planetas estão lá, mas como eles interagem dinamicamente entre si. Isso ajuda os cientistas a entender como sistemas planetários como o nosso sistema solar se formam e evoluem ao longo do tempo.”
disse o líder da pesquisa Ismael Mireles, doutorando da University of New Mexico.
O TESS detectou um trânsito raro do planeta externo enquanto telescópios ao redor do mundo observavam a gravidade desse objeto puxando TOI-201. Em seguida, os astrônomos notaram atrasos no trânsito de TOI-201b.
“Normalmente, os planetas são como metrônomos, com cada trânsito em frente à estrela acontecendo exatamente um período orbital após o outro. No entanto, estávamos acompanhando TOI-201b e, de repente, o planeta começou a transitar cerca de meia hora mais tarde. Esse salto repentino foi muito surpreendente, e relatamos nossas observações. Outros astrônomos ao redor do mundo também notaram sinais intrigantes e, trabalhando juntos, a equipe conseguiu começar a compreender esse sistema.”
disse Triaud.
“Essa descoberta foi possibilitada por termos um telescópio na Antártida. Embora a logística envolvida seja difícil, sua localização única e o acesso a condições astronômicas ideais são fundamentais para estudar sistemas exoplanetários com longos períodos orbitais, como o TOI-201.”
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 24/04/2026)
Link para acesso ao original: https://www.space.com/astronomy/exoplanets/nasas-tess-spacecraft-discovers-a-weird-system-of-exoplanets-unlike-anything-seen-before




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