A Via Láctea pode ter devorado outra galáxia chamada "Loki", e astrônomos acreditam ter encontrado seus restos!
- 27 de mai.
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“Talvez tenhamos detectado um dos vários pequenos sistemas que contribuíram para formar a nossa Via Láctea.”
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Por Julian Dossett
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Nossa galáxia natal não surgiu de uma só vez. A Via Láctea foi formada gradualmente, à medida que galáxias menores, ou galáxias anãs, foram incorporadas à nossa própria galáxia ao longo de bilhões de anos.

Acontece que as estrelas remanescentes dessas galáxias anãs ainda compartilham características em comum, e os cientistas estão melhorando suas habilidades em identificá-las. Ao estudar suas semelhanças, os pesquisadores usam essas estrelas para determinar suas galáxias de origem. Uma equipe de astrônomos afirma ter identificado uma amostra de 20 dessas estrelas que, devido às suas características semelhantes, podem ter se desenvolvido juntas em uma galáxia anã que os pesquisadores apelidaram de “Loki”.
“Talvez tenhamos detectado um dos vários pequenos sistemas que contribuíram para formar a nossa Via Láctea”
disse o astrônomo Federico Sestito, pesquisador de pós-doutorado da Universidade de Hertfordshire e coautor do estudo, ao Space.com via e-mail.
O estudo, que pode ser lido aqui na íntegra, foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e se baseia em trabalhos anteriores de Sestito. Ele já havia identificado as estrelas que acabaram sendo analisadas no novo estudo. Porém, agora, Sestito e a equipe possuem novas características que podem usar para identificar as galáxias originais das estrelas.
“Este trabalho pode ser visto como uma espécie de continuação de estudos anteriores. No passado, precisávamos observar essas estrelas antigas com movimento peculiar; no entanto, nos faltavam informações químicas, que agora estão disponíveis neste trabalho.”
disse Sestito.
Crescendo juntas
Hélio e hidrogênio eram os principais ingredientes das primeiras estrelas formadas em nosso universo. Depois de formadas, as estrelas fundiram esses dois elementos, criando elementos mais pesados que deram origem às gerações posteriores de estrelas. Esse processo aconteceu repetidamente ao longo de muitas gerações.
Essas estrelas primitivas são consideradas de baixa metalicidade, ou seja, possuem, devido a sua evolução muito recente na história do universo, pobres em metais. Como se formaram tão cedo, elas possuem apenas traços de elementos mais pesados, como o ferro. Ser pobre em metais foi um dos identificadores usados pelos cientistas para descobrir quais estrelas se formaram na mesma galáxia anã.
“Acreditamos que essas estrelas antigas e pobres em metais tenham se formado em uma pequena galáxia que foi engolida pela Via Láctea em formação”
afirma Sestito.
Mas não é apenas o fato de essas 20 estrelas serem pobres em metais. Os cientistas já identificaram muitas estrelas em nossa galáxia que compartilham essa característica. A composição elementar das estrelas não é suficiente para determinar a galáxia de origem. Para restringir as possibilidades, a equipe considerou outras características, como localização e órbita.
“[As estrelas] possuem um movimento orbital peculiar, pois estão confinadas próximas ao disco da Via Láctea, que normalmente é povoado por estrelas mais jovens e ricas em metais”
diz Sestito.
O disco da Via Láctea é a estrutura circular em forma de redemoinho onde está localizada a maior parte das estrelas da nossa galáxia, incluindo o nosso Sol. O posicionamento único dessas 20 estrelas foi mais uma indicação de que todas podem estar relacionadas.
“Isso foi possível graças às informações precisas sobre movimento orbital e composição química de estrelas antigas e pobres em metais”
diz Sestito.
Embora o movimento orbital destas estrelas já tivesse sido identificado e estudado anteriormente, as informações químicas são novas e forneceram aos pesquisadores um indício muito mais forte da origem galáctica compartilhada dessas estrelas.

Quimicamente únicas
As características que a equipe precisava estudar eram diversas, então eles utilizaram um conjunto variado de métodos.
“Acho que minha parte favorita desta pesquisa foi reunir várias técnicas e metodologias para compreender melhor a origem dessas estrelas”
de acordo com Sestito.
Os astrônomos utilizaram espectroscopia de alta resolução, movimento orbital e até simulações teóricas para interpretar as características químicas e orbitais das estrelas.
“Estamos fornecendo um retrato completo, tanto quanto possível, das propriedades dessas estrelas”
acrescenta Sestito.
A equipe comparou as propriedades químicas dessas estrelas com as de estrelas do halo galáctico, de galáxias anãs e também de populações simuladas. Eles descobriram que as assinaturas químicas das 20 estrelas indicam enriquecimento causado por supernovas de alta energia, hipernovas, estrelas massivas de rotação rápida e fusões de estrelas de nêutrons.
No entanto, eles não encontraram qualquer indício de explosões de anãs brancas. Os pesquisadores afirmam que isso significa que a origem dessas estrelas provavelmente foi uma “galáxia anã energética e de vida curta”.

Galáxias escondidas
Sestito e sua equipe vem trabalhando na identificação dessas antigas galáxias porque compreender mais sobre elas ajuda os cientistas a aprender mais sobre a Via Láctea como um todo.
“As estrelas mais pobres em metais da nossa galáxia, que também estão entre as mais antigas, são objetos celestes extremamente importantes. Elas podem abrir uma janela para os processos iniciais relacionados à formação da Via Láctea (e das galáxias em geral), à origem dos elementos e às propriedades das primeiras estrelas.”
afirma
Pode haver muitas outras galáxias do tipo “Loki” escondidas ao redor da Via Láctea. Embora seja relativamente fácil encontrar pequenas galáxias que foram desestruturadas e incorporadas na periferia da Via Láctea, Sestito disse ainda que encontrá-las no disco da nossa galáxia é uma tarefa muito mais difícil.
O disco está repleto de estrelas mais jovens e relativamente ricas em metais. Assim, observar e selecionar as estrelas corretas dentro do disco leva tempo. Ainda assim, ele está ansioso para descobrir novos detalhes sobre a formação da Via Láctea.
“Embora este trabalho possa ser limitado pelo número de estrelas observadas, o futuro parece excelente. Teremos instalações espectroscópicas multiobjeto que irão obter informações químicas de milhares de estrelas. Nesse ponto, seremos capazes de compreender melhor as propriedades de muitos dos blocos fundamentais que formaram a nossa galáxia.”
Conclui.
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 27/05/2026)




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