• Marco Centurion

Aterrissar em Marte: uma tarefa difícil, mas não impossível!

Atualizado: Jan 29

Por David Prosper

Traduzido por Ari Shinhe e revisado por Marco Centurion



O rover Perseverance e o helicóptero Ingenuity pousarão na cratera Jezero de Marte no dia 18 de fevereiro de 2021, a mais recente missão da NASA para explorar o planeta vermelho. O pouso em Marte é um feito incrivelmente difícil que desafia os engenheiros há décadas. Embora as missões como Curiosity obtiveram sucesso, houveram também muitas falhas ao longo desse percurso. E o questionamento que temos é: Por que pousar em Marte é tão difícil?


Marte apresenta um problema um tanto quanto singular para os módulos que pousam em sua superfície, devido ao fato de que o planeta possui uma massa relativamente grande e uma atmosfera fina, mas não insubstancial. Sua atmosfera é espessa o suficiente para fazer com que os módulos sejam colocados dentro de um casco aerodinâmico como um escudo protetor de calor para evitar queimaduras na entrada. Entretanto, essa mesma atmosfera não é consideravelmente densa para que possam depender apenas de paraquedas para uma aterrissagem segura, uma vez que eles não são suficientes para desacelerar, devido a ausência de ar na atmosfera marciana. Isso é ainda pior para exploradores maiores como o Perseverance que pesa 1.025kg. Felizmente, os engenheiros desenvolveram alguns métodos de pouso mirabolantes ao longo das décadas para permitir que suas espaçonaves pudessem sobreviver a carinhosamente chamada de EDL (Entrada, Descida e Pouso - do inglês Entry, Descent and Landing).


Os módulos de pouso das sondas Viking por exemplo, desceram em Marte em 1976 usando escudos térmicos, paraquedas e retrofoguetes. Apesar de usar grandes paraquedas, os módulos de pouso da Viking, dispararam retrofoguetes no final para pousar a uma velocidade segura. E esta combinação complexa foi seguida por quase todas as missões desde então.

Porém as missões seguintes sofreram inovações no quesito pouso, a missão Mars Pathfinder de 1997 por exemplo, adicionou airbags em conjunto com paraquedas e retrofoguetes para saltar com segurança até o pouso na superfície marciana. Em seguida, três abas resistentes garantiram que o módulo de pouso fosse colocado em uma posição vertical após pousar em uma antiga planície de inundação. As missões Opportunity e Spirit usaram um método muito semelhante para colocar seus rovers na superfície marciana em 2004. Phoenix (2008) e Insight (2018) na verdade utilizaram pousos ao estilo Viking. O grande e pesado rover Curiosity exigia energia extra no final para pousar com segurança, pois seu tamanho poderia ser comparado com um carro e, portanto, o ousado sistema de implantação "Sky Crane" (uma espécie de guindaste flutuante, com pequenos foguetes propulsores) foi usado com sucesso em 2012. Após uma descida inicial usando um escudo de calor maciço, paraquedas e um poderoso retrofoguete terminaram reduzindo a velocidade da espaçonave para cerca de 3 km/h. O Sky Crane então baixou o rover com segurança até a superfície marciana com o auxílio de uma cabo extremamente forte. Feito seu trabalho, o Sky Crane então voou e pousou a uma distância segura. Assim, provando a eficácia de seu sistema, a NASA usará esse mesmo método para tentar um pouso seguro para o Perseverance neste mês!


Você pode assistir à cobertura do pouso do rover Perseverance em marte começando às 11h PST (16h no horário de Brasília) em 18 de fevereiro em: nasa.gov/nasalive. A aterragem está prevista para às 12h55 PST (17h55 no horário de Brasília). A NASA tem ótimos artigos sobre o rover Perseverance e o helicóptero Ingenuity em: mars.nasa.gov/mars2020. E, claro, descubra como planejamos pousar em muitos outros planetas diferentes em: nasa.gov.



Ilustrações das sequências de Entrada, Descida e Pouso (“EDL”) para Viking em 1976 e Perseverança em 2021. Apesar da grande lacuna entre essas missões em termos de tecnologia, ambas realizaram suas manobras de pouso automaticamente, uma vez que nossos planetas estão muito distantes um do outro para permitir que os engenheiros baseados na Terra controlem em tempo real! (NASA / JPL / Caltech)


Este artigo é distribuído pelo NASA Night Sky Notes Network

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