Betelgeuse B: Astrônomos capturam a imagem mais nítida até hoje da estrela companheira da famosa Betelgeuse.
- 29 de jul.
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"Estes estão entre os melhores momentos da ciência: ver algo novo, inesperado."
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Por Robert Lea
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Astrônomos utilizaram o Very Large Telescope (VLT), localizado na região do Deserto do Atacama, no norte do Chile, para descobrir a evidência mais forte até hoje de que a famosa estrela Betelgeuse possui uma estrela companheira. Isso significa que, após um século de investigações, os cientistas estão mais próximos do que nunca de identificar conclusivamente Betelgeuse como um sistema binário composto por duas estrelas, denominadas de Betelgeuse A e Betelgeuse B.
Betelgeuse é uma estrela de coloração avermelhada, visível a olho nu na constelação de Órion, localizada a cerca de 650 anos-luz da Terra. Os astrônomos propuseram pela primeira vez a existência de outra estrela orbitando Betelgeuse há aproximadamente 100 anos, numa tentativa de explicar o estranho escurecimento da estrela, observado há mais de 1.000 anos. Embora outras equipes já tenham reunido evidências da existência de Betelgeuse B, esta nova imagem representa a observação direta mais nítida já obtida dessa estrela. Os cientistas responsáveis pela descoberta estão entusiasmados.
"Esta é a conclusão de uma busca que durou um século. Mostramos que Betelgeuse não está sozinha. Ela é acompanhada por uma tênue companheira estelar. Eu pulei da cadeira quando vi as imagens processadas."
afirmou o líder da equipe, Miguel Montargès, do Observatório de Paris, na França, em um comunicado, que pode ser lido no original aqui.

A descoberta dessa nova evidência de Betelgeuse B ocorre após dois artigos publicados em 2024 sugerirem que essa elusiva companheira estelar estaria em sua maior distância de Betelgeuse A em dezembro daquele ano. Com essa pista em mãos, Montargès e seus colegas partiram em sua busca.
"Honestamente, eu achava que não tínhamos sensibilidade suficiente para detectar Betelgeuse B conforme ela havia sido prevista. Como ela é mais massiva do que o previsto, conseguimos vê-la!"
disse Montargès.

Anteriormente, acreditava-se que Betelgeuse B tivesse aproximadamente a mesma massa do Sol, mas essas novas observações revelam que a estrela possui, na verdade, entre duas e três vezes a massa da nossa estrela.
"O fato de ainda podermos descobrir uma companheira próxima, mais massiva e mais brilhante que o Sol, ao redor de uma estrela tão bem estudada é notável. Estes estão entre os melhores momentos da ciência: ver algo novo, inesperado."
acrescentou Montargès.
Capturar Betelgeuse B só foi possível graças ao instrumento SPHERE, do VLT, que conta com um coronógrafo capaz de bloquear a luz da estrela principal de um sistema planetário. Combinado com a óptica avançada do instrumento, isso permite aos cientistas medir o comprimento de onda e a polarização da luz que vem diretamente da estrela e também da luz refletida por quaisquer planetas próximos. Mas isso não é tudo o que o SPHERE é capaz de fazer.
"É notável ver como o SPHERE e as avançadas técnicas de pós-processamento, originalmente desenvolvidas para encontrar exoplanetas, também se destacam na detecção de uma companheira ao redor de uma estrela massiva e evoluída como Betelgeuse"
afirmou o integrante da equipe Anthony Boccaletti, também astrônomo do Observatório de Paris.

Ainda há muitas perguntas a serem respondidas sobre Betelgeuse B. A equipe ainda precisa confirmar de forma definitiva que o objeto observado é realmente uma estrela companheira e também gostaria de entender como a presença dessa estrela poderá influenciar o futuro de Betelgeuse A.
Essa supergigante vermelha, que está se aproximando do fim de sua evolução, ganhou notoriedade há alguns anos quando seu escurecimento súbito e intenso levou a especulações de que ela estaria prestes a sofrer uma morte explosiva.
"Para termos certeza de que a companheira realmente está lá, ainda precisamos observá-la daqui a um ano, do outro lado da estrela, mas resta muito pouco espaço para dúvidas. A verdadeira questão em aberto é saber se essa companheira terá algum impacto na evolução da supergigante vermelha."
disse Montargès.
A pesquisa da equipe foi publicada no dia 28 de julho, na revista Astronomy & Astrophysics e pode ser lido na íntegra aqui.
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 28/07/2026)




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