• Marco Centurion

CLUBE CENTAURI REGISTRA METEORO PROVINDO DA CHUVA TETA CENTAURÍDEAS!

Meteoro registrado por nossas câmeras em Sorocaba/SP nessa semana possui radiante na constelação que nomeia o Clube de Astronomia.

Por Marco Centurion e Rodrigo Raffa


As Chuvas de meteoros são eventos que ocorrem quase o ano inteiro, apesar de recorrentes, cada uma deriva de um determinado asteroide ou cometa e pode ser identificado por sua radiante (praticamente fixa em uma determinada constelação).


Uma chuva de meteoros acontece quando o planeta Terra em sua orbita em torno do Sol, encontra no caminho um punhado de pequenas rochas espaciais (restos de cometas ou asteroides) que são atraídos quando nosso planeta atravessa essa região. Em sua grande maioria possuem tamanho parecido com o de pedregulhos, que ao entrarem em nossa atmosfera se queimam devido ao atrito com as partículas do ar terrestre, reduzindo significativamente suas dimensões, tanto que parte deles nem ao menos tocam o solo. É justamente nesse período da entrada que as rochas espaciais tornam se meteoros, e que podemos observar no céu a olho nu. Os meteoros também são popularmente conhecidos como “estrelas cadente” [1].


Devido a essas regiões no espaço já estarem bastante mapeadas, é possível ter um calendário das épocas do ano em que acontecerão determinadas chuvas. Uma vez que os meses do ano representam as regiões no entorno do Sol que a Terra atravessa, fica fácil definir uma tabela conectando os meses com as respetivas chuvas. A tabela a seguir apresenta algumas das chuvas de meteoros mais intensas.

Tabela 1: Chuvas de meteoros de maior intensidade no ano

Fonte: NASA Space Place

Existe um catálogo bastante extenso com as demais chuvas já mapeadas, em que é possível conferir com certa precisão em qual época do ano será possível observar a entrada de seus meteoros na atmosfera terrestre. No site da União Astronômica Internacional (IAU) é possível acessar o catálogo. Clique aqui para acessar: IAU [2].


Por todo o planeta existem equipes que trabalham no monitoramento destas chuvas, registrando suas chuvas de origem e calculando possíveis locais de queda. No Brasil a maior rede de monitoramento atuando hoje é a BRAMON (Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros) e o Clube Centauri possui atualmente duas estações no monitoramento ativas em parceria coma a rede, ambas localizadas em Sorocaba, interior de São Paulo.


No dia 19 de fevereiro um meteoro foi registrado por uma das estações do Clube Centauri, às 04:00:43, denominada MAC1. O registro teve pouco mais de 2 segundos, contudo revelou um meteoro bastante luminoso, com magnitude de –4,6, o que indica que o meteoro brilhou em sua queda quase com mesma intensidade que brilha o planeta Vênus ao entardecer ou amanhecer [3].

Figura 1: Rastro do meteoro registrado pela estação MAC1

Fonte: MAC1/Marco Centurion – Clube de Astronomia Centauri

Após o registro das imagens, os operadores das estações devem realizar as análises das capturas e disponibilizá-las no catálogo da BRAMON para acesso de todos os demais membros, com a finalidade de triangular os dados com o de outras estações espalhadas em diversas localidades do país, tornando os registros catalogados cada vez mais precisos em termos de trajetória, velocidade e possível local de queda.


Após as análises obteve-se a informação através do aplicativo disponibilizado pela BRAMON e operado pelo Clube Centauri, de que o meteoro registrado dia 19, possui origem na chuva de meteoros denominada TCN, sigla para Teta Centaurídeas, ou seja, uma chuva de meteoros que está posicionada no céu noturno em mesma região aparente que a constelação do Centauro. A chuva em questão fica visível anualmente no espaço entre 23 de janeiro a 12 de março em todo território nacional [4].


As capturas das estações da rede BRAMON dependem de uma triangulação de capturas para que seja possível determinar com exatidão o local de queda dos meteoros. Isso quer dizer que um mesmo meteoro, ao ser capturado por mais duas ou mais estações, geram dados cada vez melhores. De mesma forma, uma única captura também permite a estimação do local de queda, mas com elevada margem de erro.


Confira o vídeo da captura:


A partir dos dados da captura do meteoro observado na última sexta (19/02), se calcula que o meteoro possivelmente caiu nos arredores de Hortolândia, cidade parte da microrregião de Campinas/SP. Contudo, estes dados são iniciais e estão em fase de revisão e triangulação com as demais estações da BRAMON que capturaram o mesmo meteoro. Após essa triangulação, será possível dizer mais certeza se estes cálculos estão corretos ou não. Os dados da captura do meteoro, podem ser consultados abaixo.

DADOS TÉCNICOS DO METEORO:

Data da Captura: 19 de fevereiro de 2021, às 04:00:43.

Código da Estação Bramon: MAC1

Local do Registro: Região central de Sorocaba/SP

Operador responsável: Marco Centurion

Magnitude: –4,6

Distância estimada da queda: Aproximadamente 80 km, na direção da cidade de Hortolândia/SP, próximo a Campinas/SP.

Figura 2: Região estimada da possível queda do meteoro.

Fonte: UFO Analyser


Na Figura 2, onde se vê a região de possível queda do meteoro, cada quadrado possui lado medindo 100km em escala.

Figura 3: Mapeamento pelo Google Earth para identificação da região de

possível queda do meteoro

Fonte: Google Earth

Curiosidade: A constelação a qual dá nome a chuva Teta Centaurídea, contém a estrela Alpha Centauri, a mais próxima de nosso sistema solar com cerca de 4,3 anos-luz de distância e que inspira o nome de nosso Clube de Astronomia.

Referências


[1] O que são chuvas de meteoros: https://spaceplace.nasa.gov/meteor-shower/en/

[2] Catálogo de chuvas de meteoros: https://www.ta3.sk/IAUC22DB/MDC2007/Roje/roje_lista.php?corobic_roje=0&sort_roje=0

[3] Magnitude: Properties of Stars (ufrgs.br)

[4] Theta centaurídeas: Revista Planetaria, edição número 8. 2015

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