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A Galáxia mais solitária do Universo

Por Rodrigo Raffa

Atualizado em 05 de maio de 2024


Nossos maiores levantamentos em grande escala do universo nos deu uma visão sem precedentes da estrutura cósmica que se estende por dezenas de bilhões de anos-luz. Com os efeitos combinados entre matéria conhecida, a matéria escura, energia escura, os neutrinos e radiação e tudo o que afeta enquanto aglomerados de matéria, entram em colapso e se separam ao longo do tempo; a grande teia cósmica que vemos está tremendamente de acordo com as nossas melhores teorias: o Big Bang e a Relatividade Geral.

No entanto, esse entendimento só foi possível por causa do trabalho pioneiro de Edwin Hubble, que identificou um grande número de galáxias fora da nossa própria, medindo corretamente a distância (na sequência dos trabalhos de Vesto Slipher e suas medições do desvio para o vermelho), descobrindo o universo em expansão.


E se a Via Láctea não estivesse localizada em uma das vertentes da grande teia cósmica, onde as galáxias são abundantes e distribuídas em várias direções? E se, em vez disso, estivéssemos situados em um dos vastos espaços vazios que separam a maioria das galáxias?


Nesse cenário, precisaríamos de telescópios e tecnologias de imagem muito mais avançados do que os disponíveis para o Hubble a fim de detectar até mesmo uma única galáxia além da nossa, quanto mais dezenas, centenas ou milhões delas. Enquanto as galáxias mais próximas estão a apenas alguns milhões de anos-luz de distância, existem vazios tão extensos que uma galáxia localizada no centro de um deles pode não avistar outra por mais de cem vezes essa distância.


Nós aprendemos muito sobre o nosso lugar no universo observando o que está ao nosso redor, mas nem todos têm essa sorte. Por exemplo, a galáxia MCG + 01-02-015 não possui nenhuma outra galáxia conhecida em um raio de cem milhões de anos-luz em todas as direções. Enquanto uma esfera com um raio de 100 milhões de anos-luz ao redor da Via Láctea revelaria centenas de milhares de galáxias, isso não acontece com a MCG + 01-02-015, que é a galáxia mais solitária já descoberta.

Diferentemente da Via Láctea, que se formou por fusões e acréscimos de muitas outras galáxias ao longo de bilhões de anos, uma galáxia isolada como a MCG + 01-02-015 possui apenas a matéria com a qual foi formada.


Edwin Hubble fez a sua descoberta universal usando e adaptando a tecnologia (da época) de telescópios a partir de 1917. No entanto, ele teria encontrado absolutamente zero (nenhuma) outras galáxias se nós estivéssemos situados na localização da MCG + 01-02-015. A primeira galáxia visível não teria aparecido até que nós tivéssemos o nível de tecnologia dos anos 60; e quem sabe se o que teríamos se continuassem procurando (no céu) ? Se fôssemos uma galáxia tão solitária, teríamos desistido da busca, concluindo que a nossa galáxia abrangeu toda a existência? Ou será que continuaríamos espreitando mais profundamente para o vazio, descobrindo a nossa localização incomum em um vasto, universo em expansão? Para os habitantes da galáxia mais solitária, só podemos esperar que eles não desistam da busca, descobrindo, assim, o universo (por) inteiro.

Crédito de imagem: ESA / Hubble e NASA e N. Gorin (STScI); Agradecimento: Judy Schmidt, a mais solitária galáxia no vazio conhecido: MCG+ 01-02-015.

Crédito de imagem: ESA / Hubble e NASA e N. Gorin (STScI); Agradecimento: Judy Schmidt, a mais solitária galáxia no vazio conhecido: MCG+ 01-02-015.

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