Astrônomos descobrem mais de 1000 radiogaláxias, ampliando uma classe cósmica rara.
- marcocenturion
- há 18 horas
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A busca identificou 1.024 radiogaláxias com asas recém-descobertas, das quais 621 foram confirmadas como fontes “aladas”.
Por Shreejaya Karantha, Phys.org
Editado por Sadie Harley, revisado por Robert Egan
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Astrônomos realizaram recentemente uma busca abrangente por estranhas radiogaláxias, que aparentam ter “asas”, utilizando dados da segunda liberação do levantamento LOFAR Two-meter Sky Survey (LoTSS DR2) e descobriram mais de 1.000 novos sistemas. O artigo que descreve esses resultados foi submetido ao servidor de preprints arXiv em 24 de abril de 2026.

Enigmas “alados”.
Radioaláxias são alimentadas por buracos negros supermassivos em acreção que lançam poderosos jatos de partículas carregadas em direções opostas. Esses jatos brilham em ondas de rádio e podem se estender por milhões de anos-luz. Alguns desses objetos possuem formas irregulares, em vez de apenas dois lóbulos em cada lado do núcleo. Uma classe particularmente interessante entre eles é a de galáxias com estruturas distintas em forma de X ou de Z, criadas por um par adicional de lóbulos mais tênues chamados “asas”.
Dependendo de como essas “asas” são ejetadas e organizadas em relação ao par principal de lóbulos, elas assumem a forma de um X ou de um Z, classificando-as em radiogaláxias em forma de X (XRGs) e radiogaláxias em forma de Z (ZRGs). Enquanto nas XRGs as asas parecem emergir próximas ao centro da galáxia, nas ZRGs elas se ramificam a partir das bordas externas dos lóbulos primários.
A origem desse pequeno e estranho subconjunto de radiogaláxias ainda não é completamente compreendida. As principais teorias incluem uma mudança na orientação dos jatos devido a fusões de buracos negros, a presença de um buraco negro adicional em acreção no centro da galáxia, o fluxo de plasma retornando das regiões de pico dos lóbulos de rádio em direção ao núcleo e interações com o gás ao redor sob condições específicas.
Uma varredura em rádio.
Para compreender melhor por que e como essas radiogaláxias, ou simplesmente galáxias feitas de rádio, desenvolvem essas asas, os pesquisadores precisam encontrar mais dessas fontes e construir um catálogo maior e mais completo. Assim, uma equipe de pesquisadores liderada por Soumen Kumar Bera, da Universidade de Xiamen, na China, conduziu uma busca sistemática por essas radiogaláxias de formato incomum utilizando o LoTSS DR2, que é um vasto levantamento em rádio que contém mais de 4,3 milhões de fontes de rádio.
A equipe aplicou um filtro de tamanho para selecionar fontes maiores que metade do tamanho mínimo típico das fontes aladas conhecidas. Isso reduziu os dados para 204.789 fontes, que então foram examinadas visualmente para identificar possíveis estruturas com asas.
A busca identificou 1.024 radiogaláxias com asas recém-descobertas, das quais 621 foram confirmadas como fontes “aladas”. As asas nem sempre são claramente visíveis, pois, em alguns casos, podem ser muito tênues, apenas um par de lóbulos pode ser mais brilhante, ou a galáxia pode estar inclinada em um ângulo que bloqueia a visão de uma das asas.
Das 1.024 radiogaláxias, 403 fontes apresentaram alguma evidência de asas, mas apenas em um lado, são muito pequenas ou não são suficientemente visíveis para confirmação. Entre as confirmadas, 382 são em forma de X e 239 em forma de Z.
Esses objetos possuem, em média, cerca de 1,6 milhão de anos-luz de largura. Os pesquisadores também constataram que uma fração da população apresenta tamanhos muito maiores, enquadrando-se em uma categoria especial de galáxias de rádio.
“Um total de 102 fontes possui um tamanho linear superior a 0,7 Mpc (aproximadamente 2,2 milhões de anos-luz), tornando cerca de 16% da população total candidatas a galáxias de rádio gigantes (GRGs)”
escrevem os pesquisadores no artigo.
Este estudo transformou uma subclasse antes rara de galáxias de rádio em uma população significativamente grande, estabelecendo as bases para estudos futuros sobre a origem de suas formas. Este trabalho apresenta a primeira parte de um esforço mais amplo para buscar mais fontes de rádio com asas. Estudos futuros também irão apresentar as propriedades ópticas e em rádio dessas fontes com maior nível de detalhe.
Artigo encontrado no site Phys.org (originalmente publicado em 04/05/2026)
Link para acesso ao original: https://phys.org/news/2026-05-astronomers-uncover-radio-galaxies-wings.html




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