No subsolo japonês, um telescópio pode detectar fantasmas de estrelas que morreram antes mesmo da existência da Terra.
- marcocenturion
- há 1 dia
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Imagine olhar para o céu noturno e ver uma estrela subitamente explodir em um clarão de luz mais brilhante do que qualquer coisa ao redor. Um brilho tão intenso que supera momentaneamente uma galáxia inteira antes de desaparecer para sempre.
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Por Pablo Martinez Mirave
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Este artigo foi originalmente publicado no The Conversation. A publicação contribuiu com o artigo para a seção Expert Voices: Op-Ed & Insights do Space.com.
Pablo Martinez Mirave é pesquisador de pós-doutorado em Astrofísica de Partículas Teórica no Instituto Niels Bohr, Universidade de Copenhague.

Esse destino violento é raro, ou seja, menos de cerca de 1% das estrelas são grandes o suficiente para terminar suas vidas dessa forma. De fato, essas explosões dramáticas ocorrem apenas nas chamadas “estrelas massivas”. São estrelas com massa aproximadamente oito vezes maior, ou até mais, do que a do Sol.
Mas essas explosões cósmicas, conhecidas como supernovas, fascinam naturalmente os astrônomos há séculos. Em 1572, por exemplo, o astrônomo dinamarquês Tycho Brahe observou uma explosão de supernova tão brilhante que pôde ser vista a olho nu por dois anos.
No entanto, aquilo que conseguimos ver com nossos olhos, ou mesmo com telescópios poderosos, quando essas estrelas morrem, é apenas uma pequena fração da história. Isso porque a maior parte da energia de uma supernova é carregada por neutrinos, que são partículas quase invisíveis frequentemente chamadas de “partículas fantasma”, pois atravessam praticamente tudo em seu caminho.
Agora, os cientistas estão finalmente prestes a observar esses mensageiros espectrais. Com a ajuda de um telescópio extremamente poderoso enterrado profundamente no subsolo no Japão, astrônomos podem conseguir vislumbrar esses “fantasmas” estelares, e, com isso, os vestígios de explosões de estrelas que morreram há até 10 bilhões de anos.
Partículas de antes do tempo
E há uma chance muito grande de que os cientistas consigam finalmente observar essas partículas fantasma ainda este ano. Isso se deve em grande parte a uma atualização no telescópio japonês Super-Kamiokande, que aumenta significativamente sua capacidade de detectar neutrinos de supernovas.
Nas palavras do autor do artigo, o astrofísico de partículas Pablo Martinez Mirave, isso provavelmente seria uma das conquistas científicas mais empolgantes da minha vida. De fato, significaria que poderíamos observar partículas produzidas antes mesmo da existência da própria Terra, já que o telescópio agora é sensível o suficiente para captar o fraco “brilho” de todas as estrelas em explosão no universo.
Tudo isso é possível porque os neutrinos quase nunca interagem com nada. Eles não possuem carga elétrica. Assim, podem viajar pelo espaço, e até mesmo atravessar planetas inteiros, sem serem absorvidos ou espalhados, de modo que quase nada pode detê-los.
Na verdade, bilhões dessas partículas fantasmagóricas atravessam o seu corpo a cada segundo, e você nem percebe, com algumas delas viajaram por mais de 10 bilhões de anos para chegar até aqui.
Quando uma estrela morre
Grandes ideias levam a grandes perguntas, e uma das questões que os astrofísicos estão tentando responder é o que resta após a explosão de uma estrela desse tipo.
O núcleo colapsado se torna um buraco negro? Ou forma um tipo diferente de estrela, conhecido como estrela de nêutrons, que então esfria lentamente ao longo do tempo? Uma estrela de nêutrons é um objeto incrivelmente denso, com apenas cerca de 20 quilômetros de diâmetro, aproximadamente o tamanho de uma cidade.
Se os cientistas conseguirem detectar o sinal combinado de todas as supernovas que já ocorreram, isso nos aproximará de responder a essas questões. Também permitirá estudar a morte das estrelas ao longo de toda a história do universo, usando partículas que viajaram em nossa direção por bilhões de anos sem jamais parar.
Supernovas são raras em nossa galáxia, ocorrendo apenas uma vez a cada poucas décadas. Mas, em todo o universo, uma estrela massiva explode como supernova aproximadamente a cada segundo. Quando explodem, liberam uma quantidade enorme de energia, apenas cerca de 1% é luz visível, enquanto 99% escapa na forma de neutrinos.
Embora esses neutrinos sejam quase invisíveis, eles carregam a história de cada estrela que já explodiu, e agora, pela primeira vez, podemos ser capazes de capturá-los.
Portanto, se 2026 realmente trouxer a primeira detecção clara, isso marcará uma nova era na astronomia. Pela primeira vez, não observaremos apenas as explosões brilhantes de estrelas próximas, mas a história coletiva de todas as estrelas massivas que já viveram e morreram.
E tudo começa com um telescópio enterrado profundamente no subsolo do Japão, observando pacientemente o fraco e fantasmagórico brilho das explosões mais antigas do universo.
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 15/03/2026)




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