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O Céu de Janeiro: nova órbita iniciada com sucesso!


Janeiro é aquele mês em que o céu parece querer dar boas-vindas ao novo ano com espetáculo. Mesmo em pleno verão, quando o calor e as chuvas disputam a atenção, o firmamento reserva encontros belíssimos entre a Lua, planetas brilhantes e estrelas históricas, além de fenômenos orbitais que ajudam a contar a história do nosso lugar no Sistema Solar.


Logo ao anoitecer, os olhares mais atentos já encontram Júpiter dominando o céu na região nordeste, enquanto constelações clássicas do inverno do hemisfério norte — como Touro e Gêmeos — ainda se mantêm bem posicionadas para nós. Janeiro é um convite à observação descomplicada: basta um céu relativamente aberto, curiosidade e, se possível, um binóculo.


Começo de ano com Lua, estrelas e encontros memoráveis


O primeiro dia do ano já chega com um presente visual: a Lua se aproxima da estrela Elnath, um dos “chifres” do Touro. À medida que a noite avança, essa bela configuração evolui para uma conjunção, criando uma cena digna de fotos e contemplação. É o tipo de evento que mostra como o céu está sempre em movimento — mesmo quando parece calmo.


Ainda no dia 1º, a Lua passa pelo perigeu, o ponto de sua órbita em que está mais próxima da Terra. Embora a diferença de tamanho aparente seja sutil para o olho humano, esse dado orbital nos lembra que a órbita lunar não é circular, mas levemente elíptica — um detalhe simples que carrega séculos de história da astronomia.


Lua Cheia, Terra no periélio e um detalhe curioso


No dia 3 de janeiro, a Lua Cheia ilumina o céu na constelação de Gêmeos, dividindo espaço com estrelas brilhantes como Castor e Pollux. Na mesma data, ocorre um fenômeno que costuma surpreender muita gente: a Terra atinge o periélio, o ponto mais próximo do Sol em sua órbita anual.


Aqui vai a curiosidade clássica (e importante): não é a proximidade com o Sol que causa o verão. As estações do ano são resultado da inclinação do eixo terrestre. Mesmo mais próxima do Sol em janeiro, é o hemisfério sul que recebe mais energia solar direta — e não a distância em si — explicando o calor típico dessa época.

Júpiter: o grande protagonista do mês



Se janeiro tivesse um “astro convidado especial”, sem dúvida seria Júpiter. Ao longo do mês, o maior planeta do Sistema Solar protagoniza diversas aproximações com a Lua e estrelas da constelação de Gêmeos, tornando-se impossível ignorá-lo no céu noturno.


O ponto alto ocorre no dia 10, quando Júpiter atinge a oposição. Isso significa que o planeta nasce ao pôr do Sol e permanece visível durante toda a noite, além de estar em sua melhor condição de brilho e observação. Com um simples binóculo já é possível ver seus principais satélites — Io, Europa, Ganimedes e Calisto — alternando posições noite após noite, uma verdadeira aula viva de mecânica celeste.


E para fechar com chave de ouro, no dia 19, Júpiter se aproxima visualmente da estrela Wasat, criando uma configuração belíssima e fácil de observar, mesmo a olho nu.


Meteoros, planetas “invisíveis” e encontros da Lua pelo caminho


Janeiro também abriga a máxima da chuva de meteoros Quadrântidas, uma das mais intensas do calendário, embora com observação limitada no hemisfério sul. Ainda assim, vale tentar: meteoros são sempre imprevisíveis — e justamente por isso fascinantes.



Enquanto isso, alguns planetas fazem suas “despedidas temporárias” do céu. Vênus, Marte e Mercúrio passam por conjunções com o Sol ao longo do mês, ficando invisíveis por alguns dias. Esses alinhamentos nos lembram que o céu não é estático: ele funciona como um grande relógio cósmico, marcando o ritmo das órbitas planetárias.


A Lua, por sua vez, percorre praticamente todo o zodíaco ao longo do mês, encontrando estrelas brilhantes como Regulus, Spica e Antares, além de formar cenas encantadoras com Saturno e com o aglomerado das Plêiades — um dos objetos mais bonitos para binóculos e telescópios pequenos.



🌌 Fenômenos astronômicos mais interessantes de janeiro


  • Lua no perigeu (menor distância da Terra)📅 1º de janeiro e 29 de janeiro

  • Lua no apogeu (maior distância da Terra)📅 13 de janeiro

  • Lua Cheia na constelação de Gêmeos📅 3 de janeiro

  • Terra no periélio (ponto mais próximo do Sol no ano)📅 3 de janeiro

  • Máxima da chuva de meteoros Quadrântidas📅 4 de janeiro (melhor nas horas antes do amanhecer; observação limitada no hemisfério sul)

  • Júpiter em oposição (melhor época do ano para observação)📅 10 de janeiro

  • Conjunções marcantes da Lua com planetas e estrelas brilhantes📅 1º de janeiro – Lua e Elnath (Touro)📅 3 de janeiro – Lua e Júpiter (Gêmeos)📅 5 e 6 de janeiro – Lua e Regulus (Leão)📅 11 de janeiro – Lua e Spica (Virgem)📅 15 de janeiro – Lua e Antares (Escorpião)📅 22 e 23 de janeiro – Lua e Saturno📅 30 e 31 de janeiro – Lua e Júpiter

  • Ocultações lunares de estrelas brilhantes📅 1º de janeiro – ocultação de Elnath (Beta Tauri)📅 6 de janeiro – ocultação de Regulus (Alpha Leonis)📅 14 de janeiro – ocultação de Antares (Alpha Scorpii)📅 29 de janeiro – nova ocultação de Elnath

  • Boa visibilidade de aglomerados estelares📅 27 de janeiro – Lua próxima às Plêiades (M45)📅 31 de janeiro – Presépio (M44) bem posicionado📅 31 de janeiro – Aglomerado Omicron Velorum em excelente posição para observação


Que 2026 nos presenteie com céus limpos, curiosidade sempre acesa e muitas noites memoráveis de observação.

 
 
 

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