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A Terra pode ter se formado de material do sistema solar interno, indicam astrônomos!

Cientistas planetários há muito debatem de onde pode ter surgido o material que formou a Terra.


Por Peter Rüegg, editado por Sadie Harley

Revisado por Robert Egan

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


Apesar de sua localização no sistema solar interno, eles consideram provável que de 6 a 40% desse material deva ter vindo do sistema solar externo, ou seja, de órbitas além de Júpiter.


Isto é aproximadamente o que a formação da Terra em nosso sistema solar pode ter parecido. O nascimento de dois planetas (pontos marrom-claro) em um disco protoplanetário ao redor da jovem estrela WISPIT 2. (Créditos da imagem: ESO / C. Lawlor, R. F. van Capelleveen et al. / Creative Commons BY 4.0)
Isto é aproximadamente o que a formação da Terra em nosso sistema solar pode ter parecido. O nascimento de dois planetas (pontos marrom-claro) em um disco protoplanetário ao redor da jovem estrela WISPIT 2. (Créditos da imagem: ESO / C. Lawlor, R. F. van Capelleveen et al. / Creative Commons BY 4.0)

Por muito tempo, o material do sistema solar externo era considerado necessário para trazer componentes voláteis, como a água, para a Terra. Consequentemente, também deveria ter havido uma troca de material entre os sistemas solar externo e interno durante a formação da Terra. Mas será que isso é realmente verdade?



“Ficamos realmente surpresos”


Os cientistas planetários Paolo Sossi e Dan Bower, do ETH Zurich, compararam dados existentes sobre as razões isotópicas de uma ampla variedade de meteoritos, incluindo aqueles de Marte e do asteroide Vesta, com os da Terra. Isótopos são átomos “irmãos” do mesmo elemento, pois possuem o mesmo número de prótons, mas que têm massa diferente, ou seja, com uma quantidade diferente número de nêutrons.


Os pesquisadores analisaram esses dados de uma nova forma e chegaram a uma conclusão surpreendente. O material que compõe a Terra se origina inteiramente da região interna do sistema solar.


Material do sistema solar externo, por outro lado, provavelmente representa menos de dois por cento da massa da Terra, ou até mesmo zero. O estudo correspondente foi publicado na revista Nature Astronomy e pode ser lido na íntegra aqui.


“Nossos cálculos deixam claro que o material de construção da Terra se origina de um único reservatório de material”, diz Sossi. Seu colega Bower acrescenta: “Ficamos realmente surpresos ao descobrir que a Terra é composta inteiramente de material do sistema solar interno, distinto de qualquer combinação de meteoritos existentes.”


Para o estudo, os pesquisadores do ETH utilizaram dados existentes de dez diferentes sistemas isotópicos de meteoritos e os analisaram com um método estatístico especializado. Estudos anteriores haviam considerado principalmente apenas dois sistemas isotópicos.


“Nossos estudos são, na verdade, experimentos de ciência de dados. Realizamos cálculos estatísticos que raramente são usados em geoquímica, embora sejam uma ferramenta poderosa.”

diz Sossi.



Assinatura isotópica revela a origem.


Isótopos em meteoritos há muito são usados por pesquisadores para determinar a origem de corpos celestes, ou seja, de que parte do sistema solar eles vêm. Historicamente, no entanto, apenas os vários isótopos do elemento oxigênio podiam ser usados para determinar sua proveniência.


Somente no início dos anos 2010 um pesquisador americano descobriu que outros isótopos, como os de cromo e titânio, também poderiam ser usados para esse fim. Isso permitiu que pesquisadores classificassem meteoritos em duas categorias: não carbonáceos, que se formam exclusivamente no sistema solar interno, e carbonáceos, que contêm mais água e carbono e se originam no sistema solar externo.


A nova análise revela que a Terra é composta inteiramente de material não carbonáceo. Não foi encontrada evidência para a troca anteriormente suspeita entre os reservatórios do sistema solar externo e interno.


Portanto, a Terra cresceu dentro de um sistema relativamente estático, incorporando seus planetas vizinhos menores à medida que crescia. Isso também implica que a maioria dos elementos voláteis, como a água, já deveria estar presente no sistema solar interno.



Júpiter atua como uma barreira de material.


Mas por que existem dois reservatórios distintos de material em nosso sistema solar? Os pesquisadores supõem que nosso sistema solar se dividiu em dois reservatórios durante sua formação devido ao rápido crescimento e tamanho de Júpiter.


A gravidade do gigante gasoso abriu uma lacuna no antigo disco protoplanetário que orbitava o Sol quando ainda era muito jovem. Esses discos que possuem forma de anel e consistem de gás e poeira, seriam o berço dos planetas. Júpiter impediu que material do sistema solar externo entrasse na região interna. No entanto, o grau em que essa barreira era permeável permaneceu incerto até agora.


Em sua nova análise, os dois pesquisadores do ETH demonstram que quase nenhum material de além de Júpiter chegou à Terra.


“Nossos cálculos são muito robustos e dependem apenas dos dados em si, não de suposições físicas, pois estas ainda não são totalmente compreendidas”

enfatiza Bower. A análise também mostra que a composição material da Terra é semelhante à de Vesta e Marte.


Os pesquisadores também suspeitam que Vênus e Mercúrio estejam na mesma linha. “Com base em nossa análise, podemos teoricamente prever a composição desses dois planetas”, diz Sossi. No entanto, ele não pode verificar isso analiticamente, pois atualmente não há amostras de rochas de Mercúrio e Vênus disponíveis para os pesquisadores.



Nova luz sobre a história da formação.


“Nossos resultados lançam nova luz sobre a história da formação da Terra e dos outros planetas rochosos”

diz Sossi.


Sossi e sua equipe pretendem dar continuidade investigando por que havia água suficiente no sistema solar interno e quente para formar os oceanos da Terra. Além disso, eles examinarão se esses processos podem ser aplicados a sistemas exoplanetários.


“Até lá, no entanto, Dan e eu teremos que nos envolver em muitos debates acalorados sobre a composição material da Terra e de seus planetas vizinhos, porque o discurso científico sobre os blocos de construção da Terra está longe de terminar, apesar das novas descobertas”

diz Sossi.



Artigo encontrado no site Phys.org (originalmente publicado em 30/03/2026)

 
 
 

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