Astrônomos liberam um enorme conjunto de dados de ‘universos virtuais’ para pesquisadores do mundo todo.
- marcocenturion
- 29 de abr.
- 3 min de leitura
Compreender o universo como um todo exige simulações em escalas cósmicas.
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Por Netherlands Research School for Astronomy
Editado por Lisa Lock, revisado por Robert Egan
Traduzido e adapado por Marco Centurion
Uma equipe internacional de astrofísicos, com papel de destaque para pesquisadores da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, acaba de disponibilizar um dos maiores conjuntos de dados de simulações cosmológicas já produzidos. O conjunto de dados contém mais de 2,5 petabytes de informações de simulação, que é aproximadamente o equivalente a meio milhão de filmes em HD.

Ele faz parte do projeto FLAMINGO, um conjunto de simulações em larga escala projetadas para modelar como a matéria evolui ao longo do universo. A divulgação dos dados é descrita em um artigo submetido à revista Astronomy & Computing e disponível no servidor de pré-publicações arXiv e pode ser acessado na íntegra aqui.
As simulações cosmológicas são ferramentas essenciais na astronomia moderna. Elas mostram como a matéria evoluiu desde o Big Bang, passando de pequenas flutuações de densidade até galáxias e estruturas gigantescas. Nas maiores escalas, a matéria forma a chamada teia cósmica, que são como uma rede de filamentos e nós ao longo dos quais as galáxias estão distribuídas. Ao comparar essas simulações com observações, os pesquisadores podem investigar questões fundamentais, como a natureza da matéria escura e da energia escura, a substância invisível, e, por enquanto misteriosa, que constituem a maior parte do universo e impulsionam sua expansão.
O projeto FLAMINGO foi concebido para fazer a ponte entre dois regimes, simulações altamente detalhadas da formação de galáxias e os enormes volumes cósmicos necessários para a cosmologia de precisão, o mapeamento do universo com exatidão em nível percentual para testar modelos teóricos. Enquanto projetos relacionados, como o COLIBRE, também liderado por pesquisadores de Leiden, concentram-se na física dentro de galáxias individuais, o FLAMINGO simula volumes que se estendem por bilhões de anos-luz. Isso permite aos pesquisadores estudar não apenas galáxias isoladas, mas também aglomerados de galáxias e a estrutura em grande escala do universo.
“Essas simulações nos permitem acompanhar o crescimento da estrutura cósmica em vastas regiões do espaço, ao mesmo tempo em que modelamos a complexa física da formação de galáxias. Ao disponibilizar os dados publicamente, esperamos que pesquisadores de todo o mundo utilizem o FLAMINGO para testar novas ideias sobre como o universo funciona.”
afirma Joop Schaye, da Universidade de Leiden, que lidera o projeto.
As simulações foram realizadas utilizando o código cosmológico SWIFT no supercomputador COSMA8, no Reino Unido. Produzir simulações dessa escala exige uma infraestrutura computacional excepcional.
“A maioria dos pesquisadores simplesmente não tem acesso a instalações como essa. É exatamente por isso que acreditamos ser importante tornar esses dados abertamente disponíveis.”
diz Carlos Frenk, da Universidade de Durham, no Reino Unido.
Para tornar o conjunto de dados utilizável, a equipe desenvolveu uma plataforma online dedicada que permite aos pesquisadores explorar e baixar apenas os subconjuntos de que precisam, sem lidar com arquivos gigantescos. “Queremos reduzir ao máximo a barreira de entrada”, afirma John Helly, da Universidade de Durham, que liderou o desenvolvimento do sistema. “Dessa forma, uma comunidade muito mais ampla pode trabalhar com essas simulações.”
Desde que se iniciaram em 2023, as simulações FLAMINGO já foram utilizadas em dezenas de estudos, incluindo pesquisas sobre a formação de galáxias e a distribuição da matéria no universo. Com a liberação completa dos dados, a equipe espera possibilitar muitas outras descobertas.
“O acesso aberto a conjuntos de dados dessa escala pode acelerar significativamente o progresso científico. Nosso objetivo é fornecer um recurso que apoie uma ampla gama de pesquisas em astrofísica.”
completa Matthieu Schaller (Universidade de Leiden).
A divulgação marca um passo importante rumo a uma cosmologia aberta e colaborativa, oferecendo aos pesquisadores de todo o mundo uma nova janela para entender como o universo evoluiu.
Artigo encontrado no site Phys.org (originalmente publicado em 28/04/2026)
Link para acesso ao original: https://phys.org/news/2026-04-astronomers-massive-virtual-universes-global.html




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