Astrônomos descobrem rara galáxia anã "fugitiva" escondendo um passado conturbado
- marcocenturion
- 20 de set. de 2025
- 4 min de leitura
"Por que esta galáxia solitária refugiada está ali?"
Notícia
Por Sharmila Kuthunur
Traduzido por Marco Centurion
Astrônomos descobriram uma galáxia minúscula e fantasmagórica em um canto remoto do universo, provavelmente se tornou uma isolada cósmica, que foi arremessada de seu grupo galáctico original há bilhões de anos e deixada para vagar em isolamento quase total.

A descoberta fornece evidências observacionais raras de que algumas galáxias agora encontradas isoladas podem na verdade ser sobreviventes de ejeções violentas de grupos galácticos densos. Moldadas por interações dramáticas em ambientes turbulentos e saturados há bilhões de anos, essas galáxias sugerem que a localização atual de uma galáxia pode não revelar sua história completa, dizem os astrônomos.
A recém-descoberta galáxia, batizada de SDSS J011754.86+095819.0, ou dE01+09, parece ser um desses sistemas "fugitivos". Galáxias como a dE01+09, que são pequenas, fracas e já cessaram a formação estelar em seu interior, são normalmente encontradas em aglomerados de galáxias densos, onde interações gravitacionais intensas e condições adversas as privam de gás e interrompem a formação estelar. Mas a dE01+09 está a mais de 3,9 milhões de anos-luz de seu provável hospedeiro mais próximo, o grupo NGC 524 na constelação de Peixes, bem além do alcance gravitacional do grupo, conforme revela os autores do estudo.
"Por que esta galáxia solitária refugiada está ali?", disse Sanjaya Paudel, professor pesquisador do departamento de astronomia da Universidade Yonsei na Coreia do Sul, que liderou a descoberta, ao Space.com em uma entrevista recente. Para que tal ejeção ocorra, "ela deve ter tido uma órbita muito especial, peculiar".
Para identificar este sujeito cósmico, a equipe de Paudel usou um modelo de aprendizado de máquina treinado em 5.000 galáxias anãs de tipo precoce previamente catalogadas para escanear dados de imageamento do Sloan Digital Sky Survey e do DESI Legacy Imaging Survey. De 751 candidatas, a dE01+09 se destacou por seu isolamento e falta de formação estelar recente, observa o estudo. Os pesquisadores também confirmaram que não há galáxias massivas dentro de cerca de 2,3 milhões de anos-luz da dE01+09.
"Não há nada por perto. Então, nesse sentido, é praticamente isolada."
disse Paudel.

A velocidade com que a dE01+09 se move em relação à Terra, conhecida pelos astrônomos como velocidade radial, corresponde de perto à das cinco galáxias do grupo NGC 524, reforçando a ideia de que ela já pertenceu a ele. Observações mais profundas poderiam revelar sinais visíveis dessa conexão, como caudas de maré fracas ou outras características, explicou Paudel. "Talvez no futuro, com observações mais profundas, possamos encontrar algo", disse ele, "mas ainda não."
A análise espectroscópica revelou que a dE01+09 parou de formar estrelas há cerca de 8,3 bilhões de anos, tempo suficiente para que ela tenha sido "apagada" (no inglês quenching) dentro do grupo antes de ser ejetada, de acordo com o novo estudo. A equipe de Paudel estima que a dE01+09 entrou no grupo há vários bilhões de anos como uma galáxia jovem e formadora de estrelas. Aproximadamente 8,3 bilhões de anos atrás, forças poderosas privaram-na do gás necessário para formar novas estrelas, um processo chamado "apagamento", observa o estudo.
Posteriormente, a galáxia continuou orbitando dentro do grupo até cerca de 3,5 bilhões de anos atrás, quando provavelmente foi expulsa após um encontro gravitacional próximo entre várias galáxias. Esse tipo de interação age como uma estilingue cósmica, arremessando galáxias para fora na velocidade de escape, de acordo com o novo estudo.
"Não podemos dizer exatamente quando, porque não temos a história completa. Mas podemos dizer que pelo menos 8,3 bilhões de anos atrás, ela estava no grupo NGC 524, e então de alguma forma foi expulsa."
disse Paudel.
As galáxias normalmente crescem se fundindo umas com as outras, mas nem sempre. Às vezes, galáxias menores são capturadas, enquanto outras simplesmente passam voando, ou, em casos raros como este, são arremessadas para fora de seus grupos completamente. "Tudo depende da órbita", complementa Paudel.
Tais ejeções dramáticas são mais comumente observadas em aglomerados massivos e raramente vistas em ambientes de grupos menores, tornando a dE01+09 um caso especialmente incomum e notável, observa o estudo.
Agora, Paudel e sua equipe estão procurando por mais dessas galáxias anãs fugitivas. Encontrar exemplos adicionais pode ajudar os astrônomos a entender melhor com que frequência tais ejeções ocorrem e lançar nova luz sobre os complexos ciclos de vida das menores galáxias do universo.
Os resultados deste estudo foram detalhados em um artigo publicado em 11 de setembro na revista Astronomy & Astrophysics, e podem ser lidos na integra aqui.
Artigo encontrado no site da agência de divulgação científica estadunidense Space.com (originalmente publicado em 19/09/2025)
Link para acesso ao original: https://www.space.com/astronomy/galaxies/astronomers-discover-rare-runaway-dwarf-galaxy-hiding-a-violent-past




Comentários