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O gelo em Europa, lua de Júpiter, pode estar alimentando lentamente seu oceano com os ingredientes para a vida.

"O mais empolgante é que essa nova ideia aborda um dos problemas de habitabilidade de longa data em Europa e é um bom sinal para as perspectivas de vida extraterrestre em seu oceano."


Notícias

Por Sharmila Kuthunur

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


A lua gelada de Júpiter, Europa, pode ter uma forma até então não reconhecida de transportar substâncias químicas que sustentam a vida até seu vasto oceano subterrâneo, de acordo com uma nova pesquisa.


A lua oceânica de Júpiter, Europa, vista pela sonda Galileo, da NASA. (Créditos da imagem: NASA)
A lua oceânica de Júpiter, Europa, vista pela sonda Galileo, da NASA. (Créditos da imagem: NASA)

Europa, uma das dezenas de luas que orbitam Júpiter, há muito intriga os cientistas como um dos lugares mais promissores do sistema solar para a busca por vida extraterrestre, graças a um oceano global oculto sob sua superfície fraturada e congelada, que pode conter o dobro de água salgada de todos os oceanos da Terra juntos. Diferentemente da Terra, porém, o oceano de Europa é privado de oxigênio e isolado da luz solar, o que inviabiliza a fotossíntese e exige que qualquer vida potencial dependa, em vez disso, de energia química.


Uma questão fundamental ainda sem resposta tem sido como os ingredientes dessa energia, como oxidantes favoráveis à vida, criados na superfície da lua pela intensa radiação proveniente de Júpiter, poderiam ser transportados através da espessa camada de gelo do satélite, oceano abaixo. Agora, um novo estudo de pesquisadores da Washington State University sugere que a resposta pode estar em um processo geológico lento, porém persistente, que faz com que porções do gelo superficial de Europa afundem, levando essas substâncias químicas para o fundo.


“Essa é uma ideia nova na ciência planetária, inspirada em um conceito bem compreendido da ciência da Terra. O mais empolgante é que essa nova ideia aborda um dos problemas de habitabilidade de longa data em Europa e é um bom sinal para as perspectivas de vida extraterrestre em seu oceano.”

disse em comunicado o autor principal do estudo, Austin Green, atualmente pesquisador de pós-doutorado na Virginia Tech.


Os cientistas sabem, a partir de imagens obtidas durante sobrevoos de espaçonaves, que a superfície do satélite Europa é geologicamente bastante ativa devido à poderosa atração gravitacional de Júpiter. No entanto, de acordo com o novo estudo, a maior parte desse movimento parece ocorrer horizontalmente, e não verticalmente, o que limita as oportunidades para que materiais da superfície migrem para baixo, exceto durante eventos extremos, como a formação de grandes fraturas.


Além disso, acredita-se que o gelo próximo à superfície da lua joviana se comporte como uma “tampa estagnada” rígida, restringindo ainda mais o transporte de oxidantes para o oceano submerso, observa o estudo.


Usando modelos computacionais, os pesquisadores descobriram que bolsões de gelo ricos em sal próximos à superfície de Europa podem se tornar tanto mais densos quanto mecanicamente mais fracos do que o gelo circundante, mais puro. Sob as condições certas, essas regiões mais densas podem se desprender e afundar lentamente, ou “gotejar”, através da camada de gelo, eventualmente alcançando o oceano abaixo em apenas 30 mil anos, segundo o estudo.


O processo, conhecido como afundamento litosférico, se assemelha a um mecanismo geológico da Terra no qual porções da camada mais externa do planeta afundam em direção ao manto. Em 2025, pesquisadores identificaram esse processo ocorrendo sob a cadeia montanhosa da Sierra Nevada.


Para testar se um mecanismo semelhante poderia operar em Europa, Green e sua equipe modelaram uma camada de gelo com cerca de 30 quilômetros de espessura sob uma variedade de condições. Em todos os seis cenários analisados pela equipe, o material da superfície presente nos 300 metros superiores desce em direção à base da camada, relata o novo estudo.


Em algumas simulações, o afundamento começou após 1 a 3 milhões de anos e alcançou a base da camada após 5 a 10 milhões de anos. Em camadas de gelo mais danificadas ou enfraquecidas, o afundamento começou após apenas 30 mil anos, segundo o estudo.


Isso ocorreu para praticamente qualquer teor de sal, afirmam os pesquisadores, desde que o gelo superficial experimentasse ao menos algum grau de enfraquecimento. De acordo com o estudo, o mecanismo “pode ser um método eficiente de transportar materiais da superfície até o oceano subjacente de Europa”.


A lua será estudada com muito mais detalhes nos próximos anos pela missão Europa Clipper, da NASA. Lançada em 2024, a espaçonave está programada para chegar ao sistema joviano em abril de 2030 e realizar quase 50 sobrevoos próximos de Europa ao longo de quatro anos, permitindo que os cientistas avaliem a profundidade de seu oceano subterrâneo e examinem mais a fundo o potencial de habitabilidade da lua.


A pesquisa da equipe é descrita em um artigo publicado no dia 20 de janeiro, na revista The Planetary Science Journal e pode ser lido na íntegra aqui.



Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 23/01/2026)

 
 
 

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