Astrônomos tiraram um 'ultrassom' super nítido de exoplanetas… e são gêmeos!
"Vemos claramente os dois planetas moldando seu ambiente. Agora existe uma imagem deles!"
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Por Robert Lea
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Os astrônomos agora alcançaram o equivalente planetário da alegria de pais que olham seus filhos pela primeira vez, obtendo imagens de um par de planetas gêmeos enquanto se formam no ventre de gás e poeira ao redor de sua estrela-mãe.

O registro desses exoplanetas em formação foi possível graças às 66 antenas de rádio que compõem o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA). Isso aproxima os astrônomos, mais do que nunca, de entender os processos por trás da formação planetária.
A imagem do ALMA foca no sistema ao redor das estrelas binárias WISPIT 2, localizado a cerca de 437 anos-luz de distância. WISPIT 2 tem uma idade estimada de cerca de 5,4 milhões de anos. Se isso faz essa estrela parecer qualquer coisa menos uma recém-nascida, considere que nossa estrela de meia-idade, o sol, tem 4,6 bilhões de anos. Ao redor da jovem estrela há um disco de gás e poeira conhecido como disco protoplanetário, que serve como um envoltório pré-natal no qual dois planetas, WISPIT 2b e WISPIT 2c, estão se formando.
A imagem mostra evidências claras de como os planetas em formação interagem com seu casulo pré-natal. É visível um canal criado no disco protoplanetário por WISPIT 2b, um gigante gasoso que já tem uma massa cinco vezes maior que a de Júpiter, enquanto orbita sua estrela-mãe, coletando material para facilitar seu crescimento contínuo.
WISPIT 2c está um pouco atrás de seu irmão em termos de desenvolvimento, mas ainda assim está deixando sua marca em seu lar no disco protoplanetário.
"Vemos claramente os dois planetas moldando seu ambiente. WISPIT 2c esculpiu uma cavidade, e WISPIT 2b, uma lacuna. Ao redor de WISPIT 2b, encontramos redemoinhos de gás que haviam sido previstos por simulações de interações disco-planeta, mas nunca antes realmente observados. Agora existe uma imagem deles!"
disse a membro da equipe Myriam Benisty, do departamento de Formação Planetária e Exoplanetas (PFE) do Instituto Max Planck, na Alemanha, em um comunicado.
O que torna WISPIT 2 tão especial?
Com esses novos dados do ALMA, WISPIT 2b se tornou o único protoplaneta para o qual os astrônomos conseguem ver três elementos importantes da formação planetária, com o disco protoplanetário, o próprio planeta e evidências de que o planeta ainda está coletando, ou acretando matéria, além de também o gás interagindo diretamente com o planeta.
Muitos desses elementos já haviam sido vistos antes ao redor de estrelas recém-nascidas, notavelmente no sistema PDS 70, mas não em conjunto.
"Esperamos que observações como esta ensinem os astrônomos a distinguir entre características do disco que indicam a presença de um protoplaneta e características que não indicam"
disse o líder da equipe, Stefano Facchini, da Universidade de Milão.

Os resultados também são notáveis pela distância em que WISPIT 2b se encontra de sua estrela-mãe. O planeta está acretando matéria a uma distância 57 vezes maior que a distância entre a Terra e o sol, ou quase o dobro da distância entre Netuno e nossa estrela. Essa é uma órbita mais ampla do que a de quase qualquer outro exoplaneta atualmente conhecido.
Além disso, as técnicas que a equipe usou para obter essas observações podem ser cruciais quando a próxima geração de telescópios começar a observar sistemas planetários extrassolares em formação.
Isso inclui atualizações no próprio ALMA e no Extremely Large Telescope (ELT), atualmente em construção na região do Deserto do Atacama, no norte do Chile, ambos capazes de fornecer uma imagem ainda mais detalhada do sistema WISPIT 2 e de como ele está sendo moldado por seus planetas em formação.
Os resultados do ALMA estão disponíveis em dois artigos no repositório arXiv e pode ser lido na íntegra aqui.
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 30/09/2026)




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