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Cientistas podem finalmente descobrir por que a atmosfera do Sol é muito mais quente do que sua superfície.

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

A poeira solar pode estar influenciando a forma como a coroa solar brilha.


Notícias

Por Keith Cooper

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


O mistério de como a coroa do Sol, que corresponde à sua atmosfera externa, atinge temperaturas de milhões de graus pode ter uma explicação surpreendente, que envolve a poeira cósmica sendo transportada pelas ondas magnéticas que carregam plasma no vento solar.


A coroa do Sol é visível como delicados filamentos brancos durante este eclipse solar total. (Créditos da imagem: NASA/Keegan Barber)
A coroa do Sol é visível como delicados filamentos brancos durante este eclipse solar total. (Créditos da imagem: NASA/Keegan Barber)

"Durante décadas, os pesquisadores se concentraram principalmente em como elétrons, íons, campos magnéticos e ondas de plasma transportam e dissipam energia na atmosfera solar. Nosso trabalho acrescenta um novo ingrediente a esse cenário: os grãos de poeira."

afirmou o pesquisador principal Syed Ayaz, da Universidade do Alabama em Huntsville, em um comunicado.


A descoberta foi possível graças à sonda Parker Solar Probe, da NASA, que voou mais perto do Sol do que qualquer outra espaçonave, passando muito próximo da coroa, a somente uma distância de 6,1 milhões de quilômetros. Se você já presenciou um eclipse solar total, ou mesmo viu uma fotografia de um, então está familiarizado com a coroa. São os filamentos espectrais de luz que circundam o Sol eclipsado, os quais se parecem com fios de cabelo.


Esses filamentos são formados por plasma, ou gás ionizado, com temperaturas superiores a um milhão de graus Fahrenheit, em comparação com a superfície visível do Sol, a fotosfera, que irradia a uma temperatura de quase 5.500ºC. Nessas temperaturas, a fotosfera supera o brilho da coroa apenas porque o plasma da coroa está distribuído de forma extremamente rarefeita. É por isso que só conseguimos ver a coroa durante um eclipse solar total, quando o intenso brilho da fotosfera é bloqueado.


A Parker não transporta um detector de poeira cósmica, e não foi considerado no projeto da sonda porque, até agora, a poeira não era considerada um componente relevante da atmosfera solar. De fato, acreditava-se que, nas altíssimas temperaturas da coroa solar, a poeira não conseguiria perdurar por muito tempo e, portanto, não exerceria qualquer influência significativa.


No entanto, a Parker abriga um conjunto de antenas e magnetômetros conhecido coletivamente como experimento FIELDS, projetado para medir o campo eletromagnético e as emissões de rádio na coroa solar. As antenas continuavam detectando picos inesperados de tensão elétrica que, segundo Ayaz e sua equipe, são produzidos por nuvens de partículas carregadas criadas quando minúsculos grãos de poeira colidem com a Parker em altíssima velocidade.


Esses grãos de poeira acumulam uma carga eletrostática que podem interagir com o campo eletromagnético transportado pelo vento solar à medida que deixam o Sol. Essa interação, por sua vez, pode influenciar as ondas de plasma que se propagam por esse campo eletromagnético, conhecidas como ondas de Alfvén.


Existem duas formas possíveis e concorrentes pelas quais a poeira pode afetar as ondas de Alfvén, o que, por sua vez, pode determinar como a energia é depositada na coroa, aquecendo-a. Por um lado, a massa da poeira pode fornecer inércia adicional ao plasma enquanto ele é transportado pelo vento solar, permitindo que a energia do plasma seja levada por distâncias maiores. Por outro lado, a carga elétrica dos grãos de poeira pode intensificar as interações entre as partículas carregadas do plasma, as ondas de Alfvén e o campo eletromagnético solar.


Nesta ilustração, a Parker Solar Probe aparece logo à frente do Sol. (Créditos da imagem: NASA/Johns Hopkins APL/Steve Gribben)
Nesta ilustração, a Parker Solar Probe aparece logo à frente do Sol. (Créditos da imagem: NASA/Johns Hopkins APL/Steve Gribben)

"Se a massa da poeira predominar, a energia das ondas de Alfvén poderá viajar mais profundamente pela coroa. Se os efeitos da carga elétrica da poeira predominarem, a energia poderá ser liberada de forma mais localizada, aquecendo as partículas."

explicou Ayaz.


O equilíbrio entre esses dois efeitos combinados pode, portanto, controlar onde e quando a energia é depositada na coroa, concentrando-a em determinadas regiões e fazendo com que as temperaturas nesses locais aumentem de forma dramática.


Ainda segundo Ayaz, as futuras missões solares terão agora de começar a levar a poeira em consideração, utilizando detectores dedicados para medir suas propriedades nas proximidades do Sol.


"A questão mais importante é fascinante. A poeira está simplesmente atravessando o ambiente próximo ao Sol ou está ajudando a determinar como a energia eletromagnética se transforma em calor e no movimento do vento solar?"

disse Ayaz.


A nova descoberta foi publicada em 1º de julho na revista The Astrophysical Journal e pode ser lido na íntegra aqui.



Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 07/07/2026)

 
 
 

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