Cultivo no espaço! Como o trabalho de agricultura aconteceria, na colheita de arroz, em solo Lunar?
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Toshiro Kaneko, que liderou a pesquisa, ressalta que os benefícios não se limitam à Lua.
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Por Mark Thompson
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Se os seres humanos algum dia forem viver na Lua, em vez de apenas visitá-la, precisarão cultivar seus próprios alimentos por lá. Isso significa resolver um problema para o qual o solo lunar jamais foi preparado ou se adaptou para.

O regolito, a poeira cinzenta que cobre a superfície da Lua, não contém matéria orgânica e possui uma quantidade quase inexistente de compostos de nitrogênio, dos quais as plantas dependem para crescer. Para complicar ainda mais a situação, a Lua praticamente não possui atmosfera. Portanto, qualquer ar utilizado por um agricultor lunar teria de vir do interior de um habitat selado e pressurizado, sendo que o nitrogênio provavelmente precisaria ser transportado da Terra ou produzido no próprio local. Uma equipe da Universidade de Tohoku e da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA) acredita ter encontrado uma maneira verdadeiramente elegante de aproveitar ao máximo esse precioso suprimento de ar confinado, utilizando nada mais do que um pouco de eletricidade.

Os pesquisadores desenvolveram um dispositivo compacto de plasma que retira o nitrogênio do ar, levado da terra o qual preencheria os ambientes de convivência e cultivo de um habitat lunar e o converte em um gás chamado pentóxido de dinitrogênio, consumindo menos de 100 watts de potência. Quando esse gás é dissolvido em água, forma nitrato, justamente o nutriente de que as plantas necessitam para prosperar, e faz isso com uma eficiência de conversão próxima de 100%. Em vez de transportar fertilizantes por cerca de 400 mil quilômetros através do espaço, futuros agricultores lunares poderiam, em princípio, reciclar o nitrogênio que já circula ao seu redor e transformá-lo exatamente no fertilizante de que suas plantações precisam.
Para verificar se isso realmente funciona na prática, a equipe aplicou essa água rica em nitrato a um simulador de regolito lunar e a utilizou para cultivar mudas de arroz. Os resultados foram muito além de simplesmente nutrir as plantas. O solo lunar é naturalmente bastante alcalino, e a água tratada reduziu seu pH de 9,09 para um valor muito mais favorável, 6,76. Essa única mudança desencadeou uma série de benefícios, liberando cálcio, magnésio e potássio que estavam quimicamente aprisionados no regolito, enquanto, ao mesmo tempo, suprimiu íons de alumínio que, de outra forma, prejudicariam o desenvolvimento das raízes. Três meses após a semeadura, o arroz cultivado no solo tratado apresentou um crescimento significativamente mais vigoroso do que o arroz irrigado apenas com água comum e, no quarto mês, as plantas já haviam alcançado a fase de espigamento, quando o arroz começa a formar os grãos.
Houve ainda outra surpresa. A pulverização do gás diretamente sobre as folhas das plantas ativou vias hormonais associadas à resistência a doenças e à imunidade geral das plantas. O tratamento também manteve os caules mais curtos e robustos, reduzindo o alongamento excessivo que as plantas tendem a apresentar em condições de baixa gravidade, uma característica que, de outra forma, poderia tornar as plantações lunares pesadas na parte superior e estruturalmente frágeis.

Toshiro Kaneko, que liderou a pesquisa, ressalta que os benefícios não se limitam à Lua. Como todo o processo funciona com eletricidade, em vez de combustíveis fósseis, a mesma tecnologia poderá oferecer uma forma mais limpa e sustentável de produzir fertilizantes nitrogenados aqui na Terra, evitando a elevada pegada de carbono associada à produção convencional de amônia.
Trata-se de mais um lembrete de que resolver os desafios práticos de viver fora da Terra frequentemente acaba nos ensinando algo valioso sobre como viver nela. Um dispositivo projetado para extrair uma colheita da poeira cinzenta da Lua, utilizando o mesmo ar que futuros viajantes espaciais terão levado consigo em cada etapa da viagem, poderá um dia estar trabalhando silenciosamente em plantações muito mais próximas de casa, muito antes de a primeira tigela de arroz cultivado na Lua ser servida.
A fonte original utilizada é do artigo Rice grown on the Moon? e pode ser lido na íntegra aqui.
Artigo encontrado no site UniverseToday.com (originalmente publicado em 08/07/2026)
Link para acesso ao original: https://www.universetoday.com/articles/could-astronauts-grow-rice-on-the-moon




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