Como as maiores estrelas do universo crescem tanto? Te damos algumas dicas!
- marcocenturion
- há 3 dias
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Existem vários candidatos para a maior estrela do universo. Uma delas é a VY Canis Majoris, tem mais de 1.500 vezes a largura do Sol. Se fosse colocada em nosso sistema solar, ela se estenderia quase até a órbita de Saturno. Mas como um monstro desses pode existir? A resposta, como sempre, é a física.
Por Paul Sutter
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Essas estrelas massivas, com vários múltiplos da massa do Sol, não vivem por muito tempo.

A VY Canis Majoris é uma estrela hipergigante vermelha localizada a cerca de 6.000 anos-luz de distância. Embora seja uma das maiores estrelas, não é nem de longe a mais massiva. Com aproximadamente 17 massas solares, ainda é bastante pesada. No entanto, é muito menor do que as estrelas mais massivas, que podem atingir até 300 massas solares. Mesmo assim, VY Canis Majoris é absolutamente gigantesca em diâmetro comparada a esses colossos. Então, como isso é possível?
A resposta é que VY Canis Majoris está perto do fim de sua vida, e nós simplesmente estamos testemunhando isso em um momento muito oportuno.
Todas as estrelas fundem hidrogênio em seus núcleos, convertendo-o em hélio. À medida que as estrelas envelhecem, o hélio se acumula como poluição industrial em excesso. Ele atrapalha as reações de fusão, o que força essas reações a acontecerem cada vez mais rápido para manter o equilíbrio.
Eventualmente, pouco antes de a estrela entrar em sua fase final, há tanto hélio acumulado no núcleo que a fusão do hidrogênio se desloca para uma camada ao redor dele. Essa fusão, agora afastada do núcleo, emite uma quantidade enorme de radiação. Há tanta radiação que ela empurra o restante da estrela, inflando-a.
Chamamos isso de fase de gigante vermelha de uma estrela. Daqui a cerca de 4,5 bilhões de anos, o Sol passará por essa transformação, inchando até atingir a órbita da Terra. Como a atmosfera de uma estrela nessa fase fica tão distante do núcleo, ela esfria, adquirindo a cor avermelhada.
Outra estrela familiar, Betelgeuse (o ombro de Órion), já é uma gigante vermelha. Os astrônomos estimam que ela explodirá como uma supernova em algum momento nos próximos um milhão de anos. Apesar de sua baixa temperatura, as gigantes vermelhas possuem áreas superficiais enormes, o que as torna incrivelmente brilhantes. De fato, como as gigantes vermelhas são tão luminosas, muitas das estrelas visíveis a olho nu estão próximas do fim de suas vidas.

O mesmo vale para UY Canis Majoris. Ela é altamente instável e variável, pulsando constantemente, escurecendo e voltando a brilhar. Em breve, explodirá como uma supernova. Na verdade, isso pode já ter acontecido em algum momento nos últimos 6.000 anos, mas a luz desse evento monumental pode ainda não ter chegado até nós.
Quanto à estrela mais massiva, essa honra pertence à R136a1. Embora tenha apenas algumas vezes a largura do Sol, ela possui cerca de 300 massas solares, sendo praticamente o máximo que uma estrela pode atingir. Isso ocorre por causa das mesmas reações de fusão que mantêm uma estrela em equilíbrio. A intensidade da taxa de fusão é determinada pela massa da estrela, quanto maior a massa, maior a pressão no núcleo. Mas taxas de fusão mais altas significam que mais radiação é produzida, e mais radiação significa mais energia transferida para a atmosfera da estrela.
Com aproximadamente 300 massas solares, o núcleo de uma estrela produz tanta radiação que simplesmente sopra o restante da estrela para longe.
Devido à sua imensa massa, R136a1 também é a estrela mais brilhante conhecida, brilhando com uma intensidade superior a 4,5 milhões de sóis. Mas ela é tão quente que a maior parte dessa radiação é emitida na região ultravioleta do espectro eletromagnético. Assim, visivelmente, a estrela parece “apenas” cerca de 167.000 vezes mais brilhante que o Sol a olho nu.
Mas se caso você queira observar R136a1, é melhor manter distância. Se essa estrela estivesse a apenas 40 anos-luz de nós, ainda assim superaria o brilho de Vênus. Se estivesse na mesma distância da nossa estrela vizinha mais próxima, Proxima Centauri, ela seria mais brilhante que a Lua cheia.
No entanto, as estrelas massivas não vivem muito tempo. Em alguns milhões de anos, R136a1 se juntará a UY Canis Majoris e sairá de cena no cosmos. Mas a formação estelar continua na Via Láctea, e quando esses gigantes caírem, outros monstros surgirão para ocupar seus lugares.
Artigo encontrado no site da agência de divulgação científica estadunidense Space.com (originalmente publicado em 21/08/2025)
Link para acesso ao original: https://www.space.com/astronomy/stars/how-do-the-biggest-stars-in-the-universe-grow-so-large
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