Cientistas podem ter descoberto uma reviravolta no campo magnético da Terra, literalmente!
- marcocenturion
- 13 de nov. de 2025
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Simulações e dados de satélite revelam que o campo magnético da Terra é mais complexo do que os cientistas imaginavam.
Notícia
Por Sharmila Kuthunur
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
A Terra é cercada por uma vasta bolha magnética chamada magnetosfera, que protege o planeta do vento solar, o fluxo de partículas carregadas constantemente emanado do sol. Quando o vento solar colide com o campo magnético da Terra, ele agita correntes elétricas e forças magnéticas que impulsionam o clima espacial, desde auroras até tempestades capazes de perturbar satélites, redes elétricas e comunicações.

Cientistas que estudam o campo magnético da Terra descobriram que seu "batimento cardíaco" elétrico flui na direção oposta ao que modelos vigentes previam.
Por décadas, os cientistas acreditaram que a magnetosfera tem um formato elétrico simples, com a carga positiva no lado da manhã ("alvorecer") da Terra e a carga negativa no lado da tarde ("crepúsculo"), refletindo como os campos elétricos normalmente empurram partículas carregadas de regiões positivas para as negativas. Mas novos dados de satélite e simulações de computador mostram que o quadro é mais complexo, e até parcialmente invertido.
Uma equipe liderada por Yusuke Ebihara, que é professor no Instituto de Pesquisa para a Esfera Humana Sustentável da Universidade de Kyoto, no Japão, descobriu que o lado da manhã da magnetosfera, na verdade, carrega uma carga negativa, enquanto o lado da tarde é positivo.
As descobertas, descritas em um artigo publicado no início deste ano no Journal of Geophysical Research: Space Physics e que pode ser lido na íntegra aqui, refinam a compreensão dos cientistas sobre como as forças elétricas e magnéticas fluem pelo ambiente espacial da Terra, e como poderiam melhorar a previsão do clima espacial e a proteção da tecnologia em órbita e no solo.
Para chegar a suas conclusões, Ebihara e sua equipe analisaram dados da missão Magnetospheric Multiscale (MMS) da NASA, que investiga como a energia solar é transferida rapidamente para o espaço próximo à Terra, estudando como os campos magnéticos do Sol e da Terra se conectam e desconectam. Esse processo, chamado de reconexão magnética, libera explosivamente energia solar no espaço próximo à Terra, alimentando tempestades e auroras.
Os pesquisadores também executaram simulações de computador detalhadas para recriar as condições ao redor da Terra sob um fluxo constante de vento solar. Os resultados confirmaram que os pólos se comportam conforme o esperado, mas as regiões próximas ao equador estão invertidas, com padrões de carga opostos abrangendo uma ampla área.
"Na teoria convencional, a polaridade da carga no plano equatorial e acima das regiões polares deveria ser a mesma. Então, por que vemos polaridades opostas entre essas regiões?"
disse Ebihara em um comunicado.
Essa inversão, acrescentou Ebihara, pode ser explicada pelo movimento de partículas carregadas, em vez de um acúmulo elétrico estático. Quando a energia do sol atinge o campo magnético da Terra, faz com que o plasma rodopie ao redor do planeta. No lado do crepúsculo da Terra, esse plasma flui no sentido horário e se move em direção aos polos. Enquanto isso, as linhas do campo magnético da Terra vão do Hemisfério Sul para o Hemisfério Norte, ou seja, para cima perto do equador e para baixo perto dos polos, isso de acordo com o comunicado liberado.
Como o movimento do plasma e as linhas do campo magnético estão orientados em direções opostas, sua interação muda a maneira como a carga elétrica se acumula em diferentes partes da magnetosfera, criando a "inversão" que os cientistas observaram. "A força elétrica e a distribuição de carga são ambos resultados, não causas, do movimento do plasma", disse Ebihara no mesmo comunicado.
Ao mostrar que diferentes partes da magnetosfera podem se comportar de maneiras opostas, o estudo adiciona nuances aos modelos de como a energia do sol entra na atmosfera superior da Terra.
Essas descobertas também poderiam lançar luz sobre os ambientes magnéticos de outros mundos, como Júpiter e Saturno, cujas magnetosferas gigantes interagem com o vento solar de maneiras semelhantes, dizem os cientistas.
Artigo encontrado no site da agência de divulgação científica estadunidense Space.com (originalmente publicado em 13/11/2025)
Link para acesso ao original: https://www.space.com/astronomy/earth/scientists-find-a-surprising-twist-in-earths-magnetic-field




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