Como nascem os exoplanetas gigantes gasosos? O Telescópio Espacial James Webb fornece novas pistas.
- marcocenturion
- há 17 horas
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E consequentemente, astrônomos podem ter conseguido ampliar o limite superior para o tamanho do que é considerado um planeta.
Notícia
Por Samantha Mathewson
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Astrônomos podem ter acabado de ampliar o limite superior do que é considerado um planeta, graças a novos insights sobre como mundos gigantes se formam.

Novas observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, sugerem que até mesmo gigantes gasosos extremamente massivos, que antes eram considerados grandes demais para se formarem como planetas comuns, podem crescer por meio do mesmo processo básico, mudando a forma como os cientistas diferenciam planetas massivos de anãs marrons.
As descobertas vêm de uma análise detalhada do sistema HR 8799, uma estrela jovem semelhante ao Sol localizada a cerca de 133 anos-luz da Terra, que abriga quatro enormes gigantes gasosos orbitando a grandes distâncias de sua estrela-mãe. Cada mundo possui entre cinco e dez vezes a massa de Júpiter, o maior planeta do nosso próprio sistema solar, posicionando-os próximos à fronteira nebulosa entre planetas e anãs marrons, que são objetos subestelares que fundem deutério, em vez de hidrogênio como as estrelas, o que lhes rendeu o apelido de “estrelas fracassadas”, segundo um comunicado da Universidade da Califórnia, em San Diego.
Por anos, astrônomos debateram se planetas tão massivos poderiam se formar por meio do acréscimo de núcleo, o processo lento e gradual no qual o material sólido se aglomera formando um núcleo denso, que então atrai enormes quantidades de gás. Em distâncias orbitais extremas, onde o material é escasso e os discos protoplanetários se dissipam rapidamente, muitos pesquisadores acreditavam que esse mecanismo simplesmente não permitiria tempo suficiente para que esses planetas crescessem tanto.
Para testar essa suposição, a equipe de pesquisa utilizou os poderosos espectrógrafos infravermelhos do JWST para analisar a composição química das atmosferas dos planetas. Em vez de focar em gases comuns, como vapor d’água ou monóxido de carbono, os cientistas procuraram moléculas contendo enxofre, elementos que normalmente começam como grãos sólidos em um disco protoplanetário jovem e, portanto, sugerem que o planeta se formou por acréscimo de núcleo, de acordo com o comunicado.
Os dados espectrais fornecidos pelo JWST revelaram sulfeto de hidrogênio na atmosfera de HR 8799 c, um dos gigantes internos do sistema, fornecendo fortes evidências de que o planeta se formou primeiro ao montar um núcleo sólido antes de rapidamente acumular gás. Essa impressão digital química é difícil de explicar caso o planeta tivesse se formado por um colapso rápido de gás semelhante ao processo de formação estelar. A equipe também constatou que os planetas são mais enriquecidos em elementos pesados, como carbono e oxigênio, do que sua estrela, o que reforça ainda mais a ideia de que se formaram como planetas.
“Com a detecção do enxofre, somos capazes de inferir que os planetas de HR 8799 provavelmente se formaram de maneira semelhante a Júpiter, apesar de serem cinco a dez vezes mais massivos, o que foi inesperado”
afirmou Jean-Baptiste Ruffio, autor principal do estudo, no comunicado.
Assim, o estudo sugere que o acréscimo de núcleo pode operar de forma eficiente mesmo em massas e distâncias extremas, expandindo os limites conhecidos do processo de formação planetária. Se confirmado em outros sistemas, esse resultado pode forçar os astrônomos a repensar onde e como se traça a linha entre planetas gigantes e anãs marrons.
As descobertas foram publicadas em 9 de fevereiro na revista Nature Astronomy.
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 10/02/2026)




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