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Crescimento das constelações de satélites pode tornar a órbita da Terra perigosamente congestionada.

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Esse risco não se aplicava apenas às constelações maiores. Em uma constelação composta por apenas algumas centenas de satélites, a instabilidade surgiu devido à maneira como suas órbitas estavam organizadas.


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Por Sam Jarman, Phys.org

Editado por Sadie Harley, revisado por Robert Egan

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


Até o momento, cerca de 30.000 satélites foram lançados na órbita da Terra, levando a preocupações crescentes sobre os detritos gerados quando colidem e se decompõe em peças menores.


Créditos da imagem: Celestrak
Créditos da imagem: Celestrak

Em uma nova análise publicada no servidor de preprints arXiv e pode ser lido na íntegra aqui, Hugh Lewis, da Universidade de Birmingham, mostra que as constelações de satélites podem crescer tanto que ultrapassam uma quantidade crítica, além do qual passam a gerar quantidades instáveis e descontroladas de detritos. As descobertas apontam para uma necessidade urgente de regras mais rigorosas sobre quais satélites podem ser colocados em órbita.



A órbita congestionada da Terra


Os últimos cinco anos testemunharam um crescimento acelerado das atividades espaciais comerciais. Em grande parte, esse crescimento tem sido impulsionado por empresas que constroem enormes redes, ou as chamadas “constelações”, de satélites para fornecer acesso à internet e outros serviços em todo o mundo. À medida que essas redes continuam se expandindo, os órgãos reguladores já receberam solicitações para colocar em órbita bem mais de um milhão de satélites adicionais.


Mas, à medida que a órbita da Terra se torna cada vez mais congestionada, cresce também a preocupação com a possibilidade de satélites colidirem uns com os outros. Cada vez que isso acontece, os satélites podem se fragmentar em milhares de pedaços, cada um deles capaz de destruir outros satélites.


Sem regulamentações mais rigorosas, esse problema poderia representar um sério risco para muitas das operações de satélite das quais dependemos, desde a navegação até a previsão do tempo.


Até agora, porém, a maioria das avaliações de segurança considerou apenas o risco representado por um único satélite de cada vez. Isso ignora completamente o perigo combinado das constelações, que, juntas, representariam quase 1,7 milhão de satélites caso todos os planos atuais fossem aprovados.



Prevendo os detritos das constelações


Para preencher essa lacuna, Lewis desenvolveu um modelo matemático simples que acompanha a frequência com que satélites e detritos passam por determinado ponto do espaço, levando em consideração a capacidade dos satélites de manobrar para evitar colisões e a rapidez com que eles deixam a órbita depois de serem aposentados. Com base em dados de órgãos reguladores e de rastreadores de satélites, ele aplicou o modelo a 16 constelações, em que algumas ainda estão em fase de planejamento e outras já estão em órbita.


(a) O modelo de estabilidade pressupõe que um satélite esteja em uma órbita circular com semieixo maior, 𝑎, e passe todo o seu tempo dentro da camada esférica (b), com raio 𝑎 e espessura ∆𝑎. Entretanto, um satélite em uma órbita circular com inclinação 𝑖 passa todo o seu tempo dentro de um segmento de camada esférica, (d), produzido pela subtração, da esfera (c), das duas calotas esféricas definidas pela inclinação orbital, com (e) correspondendo ao segmento da camada esférica. (Créditos da imagem: arXiv (2026). DOI: 10.48550/arxiv.2607.29644)
(a) O modelo de estabilidade pressupõe que um satélite esteja em uma órbita circular com semieixo maior, 𝑎, e passe todo o seu tempo dentro da camada esférica (b), com raio 𝑎 e espessura ∆𝑎. Entretanto, um satélite em uma órbita circular com inclinação 𝑖 passa todo o seu tempo dentro de um segmento de camada esférica, (d), produzido pela subtração, da esfera (c), das duas calotas esféricas definidas pela inclinação orbital, com (e) correspondendo ao segmento da camada esférica. (Créditos da imagem: arXiv (2026). DOI: 10.48550/arxiv.2607.29644)

Entre essas constelações, seis ultrapassaram o limite a partir do qual os detritos crescem sem controle, incluindo grandes projetos da China e dos Estados Unidos. Outras três se encontravam em uma zona instável, na qual o lixo espacial se acumula sem chegar a entrar completamente em uma espiral fora de controle.


Créditos da imagem: Unsplash/CC0 Domínio Público
Créditos da imagem: Unsplash/CC0 Domínio Público

Esse risco não se aplicava apenas às constelações maiores. Em uma constelação composta por apenas algumas centenas de satélites, a instabilidade surgiu devido à maneira como suas órbitas estavam organizadas. Uma frota de pequenos satélites entrou em uma situação de crescimento descontrolado dos detritos simplesmente porque eram pequenos demais para transportar propulsores destinados à prevenção de colisões.



Caminho para uma órbita mais segura


Com base em seus cálculos, Lewis sugere que muitos desses problemas poderiam ser evitados com mudanças de projeto relativamente modestas, como aumentar o arrasto de um satélite para que ele saia de órbita mais rapidamente ou prolongar sua vida útil para reduzir o número de lançamentos de reposição.


Enquanto os órgãos reguladores ainda carecem de padrões claros que se apliquem a todas as constelações, seu método oferece uma maneira prática de identificar propostas de risco antes do lançamento e manter livres os caminhos acima de nossas cabeças para os satélites dos quais dependemos.



Artigo encontrado no site Phys.org (originalmente publicado em 12/08/2026)

 
 
 

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