Galáxia primitiva que não possui movimento de rotação surpreende astrônomos.
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“Esta, em particular, não mostrou nenhuma evidência de rotação, o que foi surpreendente e muito interessante”
Notícia
Por UC Davis
Editado por Gaby Clark, revisado por Robert Egan
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Astrônomos utilizando o Telescópio Espacial James Webb fizeram uma descoberta surpreendente sobre uma galáxia de um passado extremamente distante, ela não está (ou estava) girando. Isso é algo observado apenas nas galáxias mais massivas e maduras, que estão mais próximas de nós no espaço e no tempo, conforme disse Ben Forrest, pesquisador do Departamento de Física e Astronomia da Universidade da Califórnia, Davis, e primeiro autor do artigo publicado em 4 de maio na revista Nature Astronomy e que pode ser lido na íntegra aqui.

De acordo com as teorias atuais, conforme as primeiras galáxias se formavam, o momento angular do gás em queda e a influência da gravidade as colocavam em rotação.
“Esta, em particular, não mostrou nenhuma evidência de rotação, o que foi surpreendente e muito interessante”
disse Forrest.
Ao longo de muitos bilhões de anos, algumas galáxias, especialmente aquelas localizadas em aglomerados de galáxias, fundiram-se umas com as outras diversas vezes, e suas rotações combinadas se somaram ou parcialmente se cancelaram. É por isso que algumas galáxias mais próximas da Terra, e, portanto, também relativamente mais recentes, podem apresentar pouca rotação geral, mas muito movimento aleatório de estrelas em seu interior.
Esse processo deveria levar um tempo enormemente longo, portanto é surpreendente que a galáxia XMM-VID1-2075 tenha alcançado esse estado quando o universo tinha menos de 2 bilhões de anos.
Forrest e colegas da pesquisa MAGAZ3NE (Massive Ancient Galaxies at z>3 NEar-Infrared) já haviam observado anteriormente essa galáxia com o Observatório W.M. Keck, no Havaí.
“As observações anteriores do MAGAZ3NE confirmaram que esta era uma das galáxias mais massivas do universo primitivo, já possuindo várias vezes mais estrelas do que a nossa Via Láctea, e também confirmaram que ela já não estava mais formando novas estrelas, tornando-a um alvo extremamente interessante para observações de acompanhamento”
continua Forrest.

Expandindo as fronteiras
A equipe utilizou o Telescópio Espacial James Webb para observar mais de perto a XMM-VID1-2075 e outras duas galáxias de idade semelhante. Eles conseguiram medir o movimento relativo do material em seus interiores.
“Esse tipo de trabalho já foi realizado muitas vezes com galáxias próximas porque elas estão mais perto e são maiores, então é possível fazer esse tipo de estudo a partir da Terra, mas é muito difícil fazer isso com galáxias de alto redshift porque elas parecem muito menores no céu. O (Telescópio Espacial James Webb) realmente está expandindo as fronteiras desse tipo de estudo.”
conforme o pesquisador.
Das três galáxias analisadas, uma está claramente girando, outra é “meio bagunçada”, e uma não possui rotação, mas apresenta muito movimento aleatório, disse Forrest. “Isso é consistente com algumas das galáxias mais massivas do universo local, mas foi um pouco surpreendente encontrar isso tão cedo (na linha do tempo do universo).”
Como essa galáxia passou a rotacionar tão lentamente em menos de 2 bilhões de anos? Uma possibilidade é que isso seja resultado não de múltiplas fusões, mas de uma única colisão entre duas galáxias girando praticamente em direções opostas, o que cancelaria o movimento de ambas. Essa ideia é sustentada pelas observações da equipe.
“Para esta galáxia em particular, vemos um grande excesso de luz deslocado para um dos lados. Isso sugere a presença de algum outro objeto que entrou no sistema, está interagindo com ele e potencialmente alterando sua dinâmica”
acrescentou.
Os astrônomos continuam procurando outros objetos semelhantes no universo primitivo. Ao comparar suas observações com simulações, eles podem testar teorias sobre a formação das galáxias.
“Existem algumas simulações que preveem que haverá um número muito pequeno dessas galáxias sem rotação muito cedo na história do universo, mas elas esperam que sejam bastante raras. Então esta é uma forma de testarmos essas simulações e realmente descobrir quão comuns elas são, e isso pode então nos fornecer informações sobre se nossas teorias dessa evolução estão corretas”
concluiu Forrest em comunicado.
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 09/05/2026)
Link para acesso ao original: https://phys.org/news/2026-05-rotating-early-galaxy-astronomers.html




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