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Guia OBAFOG completo e atualizado: como lançar foguetes de garrafa PET em alto nível?

  • há 15 horas
  • 7 min de leitura

Tudo o que sua equipe precisa saber para sair da etapa escolar e mirar mais alto — da OBAFOG às copas estaduais, da Jornada de Foguetes ao nosso próprio Torneio Centauri. Com física, trabalho em equipe, simulação no OpenRocket e muito teste no chão.



Construir um foguete é uma das experiências mais transformadoras que um estudante pode viver. Não pelo barulho do lançamento — embora ele seja inesquecível —, mas porque, para um pedaço de garrafa PET voar longe e em segurança, é preciso unir física, química, matemática, engenharia, criatividade e, acima de tudo, trabalho em equipe. Este é o roteiro completo do Clube Centauri para quem quer ir além da quadra da escola.


1. Afinal, o que é uma competição de foguetes?


Quando falamos em "competir com foguetes" no Brasil, estamos falando, antes de tudo, da OBAFOG — Olimpíada Brasileira de Foguetes. Ela é o novo nome da antiga MOBFOG (Mostra Brasileira de Foguetes), criada em 2007 como o braço prático e experimental da OBA, a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. Enquanto a OBA é uma prova teórica feita em sala, a OBAFOG é pura mão na massa: equipes de estudantes constroem e lançam foguetes reais.



O objetivo é simples de enunciar e difícil de dominar: fazer o foguete percorrer a maior distância possível num lançamento oblíquo (ou alcançar o maior apogeu, nos modelos mais avançados), a partir de uma base de lançamento construída pela própria equipe. É uma olimpíada gigante — em 2025 foram mais de 330 mil participantes — e totalmente gratuita, aberta a escolas públicas e privadas do 1º ano do fundamental ao último ano do médio.


Como funciona na prática: a OBAFOG organiza os foguetes em diferentes modelos e níveis, do mais simples ao mais complexo. Os níveis iniciais usam propulsão por ar comprimido e água; os intermediários, a reação de vinagre com bicarbonato de sódio; e os modelos mais avançados chegam a usar propelente sólido e eletrônica embarcada, sendo lançados quase na vertical. Cada nível tem regulamento próprio — e ler esse regulamento é o seu verdadeiro ponto de partida.



A inscrição é feita pela escola, junto com a da OBA, e o foguete é lançado dentro da própria escola, sob supervisão de um professor. É aí que começa a aventura — mas, como você vai ver, é só o primeiro estágio do voo.


2. Como se preparar (de verdade)

A diferença entre uma equipe que "monta um foguete" e uma equipe que compete está na preparação. Foguete que ganha não nasce de sorte — nasce de método. Eis o caminho que recomendamos no Centauri:



  1. Leia o regulamento do seu nível, linha por linha. Volume das garrafas, pressão máxima, ângulo da base, materiais permitidos — cada detalhe muda a estratégia. Competir sem dominar o regulamento é decolar sem rota.

  2. Entenda a física por trás do voo. Pressão interna, massa do foguete, posição do centro de gravidade e do centro de pressão, número e formato das aletas, ângulo de lançamento (perto de 45° maximiza o alcance). Não decore: compreenda.

  3. Projete antes de cortar a garrafa. Desenhe, calcule, simule. É muito mais barato errar no papel e na tela do que no campo.

  4. Construa a base de lançamento com capricho. Uma base instável ou que vaza pressão sabota o melhor dos foguetes. Estabilidade e vedação são metade do resultado.

  5. Documente tudo. Cada protótipo, cada pressão usada, cada distância alcançada. Esse caderno de bordo é o que transforma tentativa em ciência.


Dica Centauri: monte a equipe pensando em papéis complementares — alguém forte em cálculo e simulação, alguém habilidoso na construção, alguém metódico para registrar dados e cronometrar. Foguete é esporte coletivo, como veremos adiante.


3. Para além da etapa escolar: as competições que esperam por você


Esta é a parte que muita gente não conhece — e que faz toda a diferença. O lançamento na escola é apenas a porta de entrada. A partir dele, abre-se um circuito de competições cada vez mais desafiadoras, onde sua equipe encontra estudantes de todo o país. Conheça os principais destinos:


Torneio Centauri (o nosso evento). O torneio de foguetes do Clube Centauri é a porta de entrada da nossa comunidade para o foguetemodelismo. Aqui sua equipe estreia num ambiente acolhedor e técnico ao mesmo tempo: você lança, recebe orientação dos nossos coordenadores, troca experiência com outras equipes e se prepara — com calma e mentoria — para os desafios maiores. É o lugar ideal para errar, aprender e ganhar confiança antes de encarar as competições oficiais.


Jornada de Foguetes (o grande objetivo nacional). É a competição mais importante da área no Brasil. Desde 2009, a OBAFOG convida para a Jornada as equipes que, no lançamento escolar, ultrapassam as marcas mínimas exigidas em cada modelo. Em geral, são convidadas as melhores equipes de cada escola — então o seu desempenho na etapa escolar é literalmente o seu ingresso. A Jornada acontece em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, e reúne os melhores foguetes do país num único campo. Chegar lá é a grande meta de qualquer equipe.




"Pense no circuito como estágios de um foguete: a escola te tira do chão, as copas estaduais te ganham altitude, e a Jornada é o apogeu."

4. Trabalho em equipe: o verdadeiro combustível


Pode parecer clichê, mas é literal: nenhum foguete vencedor é obra de uma pessoa só. A OBAFOG nasceu, em 2007, justamente para estimular o trabalho coletivo, e quem já competiu sabe o porquê. No campo de lançamento, sob pressão, é o entrosamento da equipe que decide.



  • Divisão de papéis. Projetista, construtor, responsável pela base, operador de dados/cronômetro. Quando cada um domina sua função, a operação flui.

  • Comunicação clara. Combinar comandos, conferir a pressão em voz alta, repetir o checklist antes de cada disparo. Em segurança e em desempenho, comunicação salva.

  • Decisão coletiva baseada em dados. Mudar o ângulo? Aumentar a pressão? Trocar as aletas? A equipe decide olhando os números dos testes — não o "achismo".

  • Resiliência compartilhada. Foguetes falham. Garrafa estoura, aleta solta, base vaza. A equipe que transforma frustração em aprendizado é a que volta mais forte na próxima rodada.


No Clube Centauri, acreditamos que essa é a maior conquista do foguetemodelismo: muito antes da medalha, vem a habilidade de construir algo grande junto.


5. Simular no OpenRocket: voar antes de voar


Se há uma ferramenta que separa as equipes amadoras das competitivas, é o OpenRocket. Trata-se de um software gratuito de simulação de foguetes, em que você monta o seu modelo no computador — ogiva, tubo do corpo, transição (que imita o formato da garrafa PET) e aletas — e o programa calcula como ele vai se comportar no ar.



O OpenRocket virou peça-chave na OBAFOG. Inclusive, durante a pandemia, a competição chegou a ter uma modalidade totalmente virtual baseada nele, em que o objetivo era projetar o foguete com o maior apogeu possível. A própria coordenação da OBA mantém tutoriais oficiais sobre o software.


Por que simular muda o jogo: no OpenRocket você testa, de graça e em segundos, perguntas que custariam dezenas de garrafas e horas de campo — quantas aletas, que tamanho, onde posicioná-las, qual a forma da ogiva, quanto de massa na ponta. Você descobre, por exemplo, se o seu foguete é estável (centro de gravidade à frente do centro de pressão) antes de arriscá-lo no lançamento real. É o seu laboratório de voo particular.



A regra de ouro: simule primeiro, construa depois. Leve para o campo um projeto que já provou seu valor na tela. Mas nunca confie só na simulação — o que nos leva ao último, e talvez mais importante, princípio.


6. Testar, testar e testar antes do lançamento oficial


Engenheiros de foguete de verdade não lançam um foguete novo numa competição. Eles lançam um foguete já testado dezenas de vezes. A simulação aponta o caminho; o teste comprova a realidade — com todo o atrito, vento, imperfeição de colagem e variação de pressão que nenhuma tela reproduz.


  • Teste em condições reais. Mesmo tipo de garrafa, mesma pressão, mesma base, de preferência num campo parecido com o da prova.

  • Varie um fator de cada vez. Mudou o ângulo? Não mude também a pressão na mesma rodada. Assim você sabe exatamente o que melhorou (ou piorou) o desempenho.

  • Meça e anote sempre. Distância, pressão, ângulo, condições de vento. Dados transformam tentativa em estratégia.

  • Estresse o material. Descubra no treino — e não na competição — em que pressão a garrafa falha. Melhor estourar um protótipo hoje do que perder a vez oficial amanhã.

  • Repita até ter consistência. Um único lançamento longo pode ser sorte. Vários lançamentos longos seguidos são um projeto confiável.


Segurança em primeiro lugar — sempre. Lançar foguetes é empolgante, mas envolve risco real, sobretudo nos modelos pressurizados e propelidos. A própria OBAFOG alerta: as atividades devem ser sempre supervisionadas por um adulto, realizadas em local aberto e adequado, com a base bem fixada ao solo e todos a uma distância segura no momento do disparo. Nenhuma marca de distância vale um acidente. Capriche na vedação, respeite os limites de pressão do regulamento e nunca improvise sob pressão (literalmente).


7. Pronto para decolar?


Recapitulando a missão: entenda o que é a OBAFOG, prepare-se com método, conheça o circuito que existe além da escola — do nosso Torneio Centauri às copas estaduais como AmeriFog e OSAFOG, até o ápice na Jornada de Foguetes —, trabalhe em equipe de verdade, simule cada decisão no OpenRocket e teste, teste e teste de novo antes do grande dia.

Cada equipe que entra nesse caminho não está só atrás de uma medalha. Está aprendendo a fazer ciência de verdade: levantar hipóteses, projetar, testar, falhar, ajustar e voar mais alto. E essa, no fim das contas, é a maior recompensa que o céu pode oferecer.


Quer construir e competir com a gente? O Clube Centauri prepara equipes para as competições de foguetes, da estreia ao apogeu. Junte-se à nossa comunidade e olhe sempre para cima. Olhos no céu, pés no chão. — Clube de Astronomia Centauri · Itapetininga–SP

 
 
 
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