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Saiba como a Via Láctea passou por uma reviravolta dramática no passado.

  • há 9 horas
  • 4 min de leitura

"Já sabemos que a Via Láctea sofreu, no passado, uma enorme colisão frontal com uma galáxia conhecida como Gaia-Sausage-Enceladus"


Notícias

Pela Royal Astronomical Society

Editado por Sadie Harley, revisado por Robert Egan

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


A Via Láctea pode ter passado por uma mudança dramática de orientação ao longo de sua história, de acordo com uma nova pesquisa que ajuda a explicar um mistério de longa data sobre nossa galáxia. Utilizando simulações em supercomputadores de galáxias semelhantes à Via Láctea, uma equipe de astrônomos da Universidade de Durham descobriu que galáxias com halos estelares de rotação lenta têm maior probabilidade de ter experimentado uma grande "inversão do disco" (disk flip), na qual o disco da galáxia mudou sua orientação em mais de 90 graus.


Impressão artística da fusão entre a galáxia Gaia-Enceladus e a nossa Via Láctea, ocorrida durante os estágios iniciais da formação da nossa galáxia, há cerca de 10 bilhões de anos. As posições e os movimentos das estrelas de Gaia-Enceladus (representados por setas amarelas) nessa fase inicial da fusão são baseados em uma simulação computacional que modela um encontro semelhante ao revelado pela missão Gaia. (Créditos da imagem: ESA (impressão artística e composição); Koppelman, Villalobos e Helmi (simulação); NASA/ESA/Hubble (imagem da galáxia) / CC BY-SA 3.0 IGO.)
Impressão artística da fusão entre a galáxia Gaia-Enceladus e a nossa Via Láctea, ocorrida durante os estágios iniciais da formação da nossa galáxia, há cerca de 10 bilhões de anos. As posições e os movimentos das estrelas de Gaia-Enceladus (representados por setas amarelas) nessa fase inicial da fusão são baseados em uma simulação computacional que modela um encontro semelhante ao revelado pela missão Gaia. (Créditos da imagem: ESA (impressão artística e composição); Koppelman, Villalobos e Helmi (simulação); NASA/ESA/Hubble (imagem da galáxia) / CC BY-SA 3.0 IGO.)

A pesquisa foi apresentada neste mês de julho durante o National Astronomy Meeting, da Royal Astronomical Society, realizado em Birmingham e pode ser lido na íntegra aqui.



Uma pista no halo


A maior parte das estrelas da Via Láctea está localizada em seu disco plano e espiralado. Ao seu redor existe um halo estelar muito maior, porém muito mais rarefeito, composto principalmente por estrelas que se formaram originalmente em galáxias menores antes de serem incorporadas à Via Láctea por meio de fusões galácticas.


Observações da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), mostraram que o halo estelar da Via Láctea gira muito lentamente, mas os astrônomos ainda não compreendiam o motivo.


Para investigar essa questão, os pesquisadores analisaram a evolução de 25 galáxias semelhantes à Via Láctea presentes no conjunto de simulações cosmológicas Auriga, acompanhando seu desenvolvimento ao longo de bilhões de anos.


Eles descobriram que as galáxias com os halos estelares de rotação mais lenta compartilhavam duas características importantes, em que elas haviam passado por uma grande fusão frontal com outra galáxia e também haviam experimentado uma inversão do disco durante sua evolução.


Halo 18 (à esquerda) é um exemplo de uma galáxia que teve uma colisão frontal (ver o painel em z = 1,2) e sofreu uma inversão do disco (você pode notar isso comparando a orientação do disco em z = 1,4 e em z = 0). Esta imagem mostra como essas duas galáxias exemplares evoluem ao longo do tempo, onde cada painel corresponde a um momento diferente definido pelo desvio para o vermelho (z). O desvio para o vermelho é uma medida utilizada pelos astrônomos para medir o tempo no Universo, sendo z = 0 correspondente aos dias atuais, e valores maiores de z correspondentes a épocas mais antigas. Cada valor de z tem dois painéis associados a ele, que mostram como a galáxia se apresenta em dois planos (como os planos xy e xz no espaço tridimensional).

Halo 6 (à direita) é um exemplo oposto: ele não teve uma colisão frontal (por exemplo, a colisão em z = 2,2 está mais alinhada com a orientação de seu disco), e seu disco não sofreu uma inversão. Créditos das imagens: Projeto Auriga.



A colisão com a Gaia-Sausage-Enceladus


"Já sabemos que a Via Láctea sofreu, no passado, uma enorme colisão frontal com uma galáxia conhecida como Gaia-Sausage-Enceladus (frequentemente chamada apenas de Gaia Sausage). Portanto, acreditamos que o disco da Via Láctea provavelmente sofreu uma inversão no passado"

explicou o astrônomo Kirill Batrakov, principal pesquisador do projeto.


A Gaia-Sausage-Enceladus era uma galáxia anã massiva que colidiu com a jovem Via Láctea e foi absorvida por ela há cerca de 10 a 11 bilhões de anos. Essa fusão galáctica marcante foi o maior evento da história inicial da Via Láctea e remodelou nossa galáxia, deixando bilhões de estrelas orbitando em trajetórias altamente alongadas, com formato semelhante ao de uma salsicha.


Identificar uma inversão do disco ocorrida no passado oferece aos astrônomos uma nova maneira de compreender como a Via Láctea foi montada e também pode fornecer pistas indiretas sobre o movimento de seu invisível halo de matéria escura.


"Uma inversão do disco também significa que a maioria das estrelas da Via Láctea já se moveu em trajetórias muito diferentes das atuais, possivelmente até mesmo o nosso próprio Sol. Isso significa que nosso local 'estável' na galáxia talvez não tenha sido tão estável durante toda a existência do Sistema Solar"

afirmou Batrakov.


Evolução do Halo 18. (Créditos do vídeo:  Auriga Project and Thomas Tomlinson)

Um novo capítulo para a Via Láctea


A Via Láctea é o nosso melhor laboratório para testar como as galáxias e a matéria escura evoluem. Uma inversão do disco não ocorre em todas as galáxias; portanto, se a história da Via Láctea incluiu uma grande inversão que ainda não havia sido associada a características observáveis da nossa galáxia, isso oferece aos astrônomos novas pistas sobre a formação de galáxias semelhantes.


"Como vivemos dentro da Via Láctea, podemos estudá-la com muito mais detalhes do que qualquer outra galáxia, o que a torna um campo de testes essencial para compreender as galáxias de maneira mais ampla"

acrescentou Batrakov.


"Descobrir que seu disco sofreu uma inversão acrescenta um novo capítulo a essa história, um capítulo que precisamos considerar ao situar a Via Láctea no contexto mais amplo das demais galáxias. O que mais me entusiasma é que essa história complexa pode ser reconstruída apenas a partir das observações atuais."

O estudo de Batrakov também revelou que a rotação do halo estelar da Via Láctea está intimamente ligada à rotação de seu halo de matéria escura, sugerindo que ambos possivelmente evoluíram em conjunto à medida que a galáxia crescia por meio da incorporação de galáxias satélites menores.


As descobertas oferecem uma possível explicação para uma das características incomuns da Via Láctea e fornecem novas pistas sobre como nossa galáxia se formou e evoluiu ao longo de bilhões de anos.



Artigo encontrado no site Phys.org (originalmente publicado em 21/07/2026)

 
 
 
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