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Poeira cósmica de 4,6 bilhões de anos pode dar pistas de como o Sol se formou!

  • há 3 horas
  • 4 min de leitura

"Essa transição, de uma nuvem esférica para um disco protoplanetário, é um dos eventos mais significativos de toda a história do sistema solar."


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Por Robert Lea

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


Uma nova pesquisa sugere que a poeira de meteoritos contém informações como em um "registro fóssil", que pode ajudar a nos contar como foi a formação da nossa estrela, o Sol. A pesquisa revela que o magnetismo desempenhou um papel muito maior no nascimento do sistema solar do que se suspeitava anteriormente.


Uma ilustração do magnetismo no início do sistema solar. (Créditos da imagem: Hernan Canellas)
Uma ilustração do magnetismo no início do sistema solar. (Créditos da imagem: Hernan Canellas)

Há cerca de 4,6 bilhões de anos, o sistema solar era uma nuvem de gás e poeira, conhecida como nebulosa solar. Ao longo dos milhões de anos seguintes, essa nuvem começou a se achatar, formando um anel em forma de rosquinha, ou toro, com uma estrela em formação acumulando massa em seu núcleo. Eventualmente, os planetas se formariam dentro dessa região chamada de disco protoplanetário.


Os cientistas sempre teorizaram que a gravidade foi a principal escultora dessa era inicial. Mas o novo estudo sugere que a gravidade teve uma ajuda importante do magnetismo. A assinatura desse artista cósmico adicional foi encontrada em grãos de poeira selados no DOM 08006, um meteorito recuperado da Antártida em 2008.



Os grãos encontrados pela equipe são inclusões ricas em cálcio e alumínio (CAIs, na sigla em inglês), que se acredita terem se formado durante os primeiros 200 mil anos do sistema solar. Isso potencialmente os torna as amostras mais antigas de material do sistema solar já vistas.


"Sabemos que são as coisas mais antigas que temos do início do sistema solar. Mas as CAIs são muito complexas e não são todas iguais, mesmo dentro de um pedaço de 1 milímetro do meteorito. Então temos que identificar cuidadosamente que tipos elas são."

disse o líder da equipe, Cauê Borlina, da Universidade Purdue, em um comunicado.


Essas CAIs indicaram que havia um campo magnético no proto-sistema solar mesmo durante sua fase de nebulosa solar. Esse campo magnético teria sido mais forte do que a magnetosfera da Terra e, como tal, teria influenciado o achatamento da nebulosa solar.


"Essa transição, de uma nuvem esférica para um disco protoplanetário, é um dos eventos mais significativos de toda a história do sistema solar. Há muito tempo se teoriza que a gravidade causou isso, mas nossas medições mostram que o magnetismo provavelmente desempenhou um papel."

Conforme o membro da equipe Benjamin Weiss, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), no mesmo comunicado.



Uma nova visão sobre o magnetismo do sistema solar inicial


No sistema solar recém-formado, um campo magnético teria sido gerado quando partículas carregadas foram lançadas em rotação através da nuvem colapsante de gás e poeira que deu origem ao sol. Esse plasma teria então sustentado esse campo.


Assim, esse magnetismo deve ter afetado o material na nebulosa solar que se tornaria o sistema solar. Por essa razão, a equipe raciocinou que a intensidade desse campo deveria estar "enclausurada” nos materiais daquela época como magnetização remanescente, e essa matéria poderia chegar à Terra em meteoritos.


De fato, os mesmos cientistas que conduziram essa pesquisa encontraram anteriormente evidências de um campo magnético que existia 2 milhões de anos após a formação do sistema solar, cravado em meteoritos. Essa é uma descoberta impressionante e importante, porque esse campo magnético teria ajudado planetas como a Terra a se formarem, mas o sol já existia nessa época. Assim, a equipe buscava um campo magnético anterior, um que fosse anterior à nossa estrela.


"Hoje em dia, as pessoas não debatem se o magnetismo está presente quando os planetas estão se formando. Mas o debate gira em torno do início muito precoce do sistema solar, antes da formação dos planetas, quando há apenas um disco, É aí que o debate ainda reside, e é aí que estamos atuando agora."

contou Borlina.


Material do início do sistema solar toma forma sob a influência do magnetismo. (Créditos da imagem: Hernan Canellas)
Material do início do sistema solar toma forma sob a influência do magnetismo. (Créditos da imagem: Hernan Canellas)

O DOM 08006 é um dos meteoritos mais intactos, ou "primitivos", já descobertos, retendo e preservando materiais, incluindo CAIs, como eram quando o sol estava se formando.


"Outros meteoritos passaram por muitos processos diferentes ao longo dessa história de 4,5 bilhões de anos. Eles se formaram na nebulosa solar, depois se agregaram a corpos com água, depois foram destruídos, moveram-se para o cinturão de asteroides e então caíram aqui. Mas, de alguma forma, o DOM sofreu menos alterações do que qualquer outro meteorito."

disse Weiss.


Se um campo magnético existiu durante o estágio mais inicial do sistema solar, ele deveria ser observável na matéria que compõe o DOM 08006.


A equipe conseguiu isolar e identificar um punhado de CAIs que continham minerais inerentemente magnéticos, como o ferro, que testaram para medir qualquer magnetismo retido por eles.


Uma imagem de raios-X do meteorito antártico DOM 08006, descoberto em 2008. (Créditos da imagem: NASA)
Uma imagem de raios-X do meteorito antártico DOM 08006, descoberto em 2008. (Créditos da imagem: NASA)

Ao estudar esses grãos, os pesquisadores encontraram evidências de um campo magnético 12 vezes mais forte do que o da Terra. Eles acreditam que esse campo magnético pode ter desempenhado um papel crucial na evolução do sistema solar.


"Achamos que esses tipos de campos magnéticos estavam ajudando a mover o gás do disco protoplanetário para dentro, em direção a essa estrela central, o sol. A gravidade também está desempenhando um papel. Mas agora estamos mostrando que, se você quiser entender completamente como o sol e os planetas se formaram, deve incluir os campos magnéticos entre os ingredientes que os formam."

concluiu Borlina.


O novo estudo foi publicado em 7 de agosto na revista Proceedings of the National Academy of Sciences e pode ser lido na íntegra aqui.



Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 04/09/2026)

 
 
 

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