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O que são asteroides?

  • há 4 horas
  • 5 min de leitura

A vizinhança cósmica da Terra é muito mais povoada do que pode parecer à primeira vista. Além do Sol, nossa estrela central, e dos oito planetas que compõem o Sistema Solar, existem incontáveis corpos menores que orbitam o Sol. Entre eles estão os asteroides, objetos que preservam informações importantes sobre a origem e a evolução do nosso sistema planetário.


De maneira simples, podemos definir um asteroide como um corpo celeste rochoso ou metálico que orbita o Sol e que, em geral, possui dimensões muito menores que as dos planetas.

Mathilde, Gaspra e Ida são três asteroides que foram fotografados por espaçonaves da NASA. Nesta imagem, é possível observar que os asteroides apresentam uma grande variedade de formas e tamanhos. Crédito da imagem: NASA/JPL.
Mathilde, Gaspra e Ida são três asteroides que foram fotografados por espaçonaves da NASA. Nesta imagem, é possível observar que os asteroides apresentam uma grande variedade de formas e tamanhos. Crédito da imagem: NASA/JPL.

Além disso, sua gravidade normalmente não é suficiente para moldá-los em uma forma aproximadamente esférica. Por isso, muitos asteroides apresentam formas irregulares, com superfícies repletas de crateras, vales e outras estruturas.


Embora uma grande concentração de asteroides esteja localizada no chamado Cinturão Principal de Asteroides, entre as órbitas de Marte e Júpiter, eles não estão restritos a essa região. Existem asteroides em diferentes partes do Sistema Solar. Alguns, por exemplo, compartilham a órbita de um planeta ao redor do Sol. Esses objetos são chamados de asteroides troianos e podem ser encontrados, inclusive, associados à órbita da Terra.


De onde vieram os asteroides?


Para compreender a origem dos asteroides, precisamos voltar no tempo cerca de 4,6 bilhões de anos, quando o Sistema Solar começou a se formar. Naquela época, uma enorme nuvem de gás e poeira entrou em colapso sob a ação da gravidade. A maior parte do material concentrou-se na região central, dando origem ao Sol. Ao redor da nova estrela, o material restante formou um disco de gás e poeira. Nesse disco, pequenas partículas começaram a se unir, formando corpos cada vez maiores. Esse processo, conhecido como acreção, levou à formação dos planetas e de outros corpos do Sistema Solar.


Nem todo o material conseguiu se transformar em planetas. Na região entre Marte e Júpiter, a forte influência gravitacional de Júpiter provavelmente dificultou a formação de um grande planeta. Como resultado, acredita-se que muitos fragmentos permaneceram separados, formando o cinturão principal de asteroides.


Representação do Sistema Solar incluindo não somente os planetas, mas também o Cinturão Principal de Asteroides, Cometas  e os planetas anões Plutão e Ceres.
Representação do Sistema Solar incluindo não somente os planetas, mas também o Cinturão Principal de Asteroides, Cometas e os planetas anões Plutão e Ceres.

Assim, os asteroides podem ser considerados verdadeiros remanescentes da formação do Sistema Solar. Estudá-los é, em certa medida, investigar os materiais que existiam quando os planetas ainda estavam sendo formados, ou seja, compreender o nascimento do Sistema Solar.


Todos os asteroides são iguais?


Nada disso, cada corpo menor é único e na medida em que se avançaram os estudos, novas subclasses surgiram. Os asteroides apresentam uma enorme diversidade de tamanhos, formas, composição e características superficiais.


Alguns possuem centenas de quilômetros de diâmetro, enquanto outros são muito menores, podendo ter dimensões comparáveis às de uma pedra. Como sua gravidade é relativamente baixa, esses objetos não apresentam necessariamente formas arredondadas. Muitos possuem formatos bastante irregulares.


A composição também varia. Existem asteroides predominantemente rochosos, enquanto outros apresentam grandes quantidades de metais, como ferro e níquel. Há ainda objetos que contêm minerais hidratados, argilas e outros materiais que ajudam os cientistas a reconstruir as condições existentes durante a formação do Sistema Solar. Essa diversidade também está relacionada ao local onde cada asteroide se formou e à quantidade de alterações que sofreu ao longo de bilhões de anos.


A partir de 1992 foram descobertos vários asteróides situados além da órbita de Netuno, chamados objetos transnetunianos. Esses objetos formam o chamado Cinturão de Kuiper, um cinturão de restos gelados que está no plano do sistema solar e se estende desde após a órbita de Netuno até 2,25 trilhões de km do sol.


Há também os Centauros, pequenos corpos do Sistema Solar que orbitam principalmente entre Júpiter e Netuno. Eles apresentam características intermediárias entre asteroides e cometas, podendo desenvolver atividade cometária quando se aproximam do Sol.


O que podemos aprender com os asteroides?


Os asteroides são importantes para a ciência porque funcionam como registros naturais da história do Sistema Solar. Muitos deles preservam materiais relativamente antigos, formados nos primeiros momentos da existência do nosso sistema planetário.


Uma das maneiras de estudá-los é por meio dos meteoritos. Quando fragmentos de asteroides chegam à superfície da Terra depois de atravessar nossa atmosfera, podem ser coletados e analisados em laboratórios. Esses materiais fornecem informações sobre a composição química e mineralógica dos corpos que existiam há bilhões de anos.


As missões espaciais também revolucionaram nosso conhecimento sobre esses objetos. Em 2001, a missão NEAR Shoemaker, da NASA, pousou no asteroide Eros, tornando-se a primeira missão a realizar um pouso controlado em um asteroide.


Outra missão importante foi a Dawn. Lançada em 2007, ela estudou Vesta, um dos maiores objetos do cinturão principal, e posteriormente chegou a Ceres, o maior objeto dessa região e classificado como planeta anão. A missão revelou detalhes sobre a composição e a história desses mundos.


Em 2016, a NASA lançou a missão OSIRIS-REx com destino ao asteroide Bennu, um objeto próximo da Terra. Depois de estudar sua superfície, a sonda coletou uma amostra de material diretamente do asteroide. A cápsula contendo a amostra retornou à Terra em setembro de 2023 e pousou no deserto de Utah, nos Estados Unidos.


A análise desse material continua permitindo aos cientistas investigar a composição de Bennu e compreender melhor os processos que ocorreram durante os primeiros estágios da formação do Sistema Solar. Além disso, os pesquisadores estudam se asteroides desse tipo podem ter contribuído para levar água e moléculas importantes para a Terra primitiva.


Algum dia um asteroide poderá atingir a Terra?


A possibilidade de um asteroide atingir a Terra é real e faz parte da história do nosso planeta. Ao longo de bilhões de anos, impactos ocorreram inúmeras vezes e ajudaram a modificar a superfície terrestre.


Isso não significa, porém, que exista atualmente uma ameaça conhecida de grande impacto. Agências espaciais e observatórios acompanham continuamente os chamados objetos próximos da Terra, conhecidos pela sigla NEO, do inglês Near Earth Objects. O objetivo é determinar suas órbitas e identificar aqueles que possam representar algum risco no futuro.


Enquanto grandes impactos são eventos raros, pequenos fragmentos de rocha espacial entram na atmosfera terrestre com frequência. Muitos se aquecem e se fragmentam durante a passagem pela atmosfera, produzindo os conhecidos meteoros. Quando algum fragmento consegue sobreviver à passagem e atingir o solo, ele recebe o nome de meteorito.


Por isso, observar e estudar asteroides não significa apenas investigar o passado. Também é uma forma de compreender melhor os objetos que circulam nas proximidades da Terra e desenvolver estratégias para identificar possíveis ameaças futuras.


Os asteroides são, portanto, muito mais do que simples pedras vagando pelo espaço. Eles são fragmentos de uma história que começou há cerca de 4,6 bilhões de anos. Ao estudá-los, podemos reconstruir parte da formação do Sistema Solar, compreender a origem dos planetas e investigar os processos que contribuíram para tornar a Terra um mundo habitável.


 
 
 

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