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Astrônomos descobrem exoplaneta quente e abundante em água, destinado a ser engolido por sua estrela

  • há 20 horas
  • 4 min de leitura

Forças de maré extremas estão conduzindo o planeta a uma evolução orbital rápida e inexorável, destinando-o a um encontro fatal com sua própria estrela.


Notícias

 Por Robert Lea

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


Astrônomos descobriram um novo mundo oceânico fora do sistema solar que orbita extremamente perto de sua estrela.


Uma ilustração mostra um mundo oceânico sendo devorado por sua estrela (Crédito da imagem: Robert Lea, criada com Canva)
Uma ilustração mostra um mundo oceânico sendo devorado por sua estrela (Crédito da imagem: Robert Lea, criada com Canva)

O exoplaneta orbita a estrela HD 176071, localizada a cerca de 335 anos-luz de distância, e tem aproximadamente duas vezes e meia o tamanho da Terra, mas possui cerca de oito vezes e meia a massa do nosso planeta. Isso indica, conforme os cientistas, que esse planeta é composto por cerca de 50% de água. A uma distância de sua estrela de pouco menos de 2.400.000 quilômetros (cerca de 1,6% da distância entre a Terra e o Sol) e com um ano durando apenas 14 horas, o HD 176071 b é um exemplo raro de "mundo aquático quente".


Essa proximidade com sua estrela significa que o planeta sofre forças de maré extremas devido à atração gravitacional estelar. Essas forças estão conduzindo o planeta, designado HD 176071 b, a um encontro fatal rápido e inexorável, o de ser devorado vorazmente por sua estrela.


O exoplaneta também é um raro habitante daquilo que os cientistas chamam de "Deserto Netuniano", que é um termo que descreve a escassez de mundos do tamanho de Netuno orbitando muito perto de suas estrelas. Acredita-se que isso ocorra porque a radiação estelar intensa retira dos planetas suas camadas gasosas, efetivamente encolhendo-os. No entanto, o HD 176071 b parece contrariar essa hipótese, já que esse mundo aquático possui, surpreendentemente, uma atmosfera dinâmica que não foi removida.


"Comparando dados históricos do telescópio espacial Kepler com novas observações do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) seis anos depois, notamos uma mudança de fase inesperada na modulação da luz refletida. Isso nos diz que não estamos olhando para uma fotografia estática, mas para uma atmosfera viva e em mudança, na qual nuvens densas e altamente reflexivas se formam, evoluem e se movem ao longo das bordas mais frias do planeta."

disse o pesquisador principal Sylvain N. Breton, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF), em um comunicado.


Essa não é a única coisa extraordinária sobre o HD 176071 b. A maneira como esse exoplaneta oceânico foi inicialmente descoberto também é bastante especial.


Esse mundo oceânico não transita à frente de sua estrela.


Atualmente, o catálogo de exoplanetas confirmados da NASA tem mais de 6.000 entradas, com milhares de outros mundos além do sistema solar aguardando confirmação. A grande maioria deles foi descoberta quando passaram na frente de sua estrela e causaram uma pequena queda na luz estelar que chega até nós vinda desse corpo celeste, no que é conhecido como método de trânsito de detecção de exoplanetas.


Assim, o método de trânsito exige que o planeta passe entre sua estrela e a Terra. Como se pode imaginar, esse é um arranjo bastante favorável para os astrônomos encontrarem novos planetas. A maioria dos planetas conhecidos na Via Láctea não faz isso.


"A grande maioria dos planetas no universo nunca transita à frente de sua estrela do ponto de vista da Terra, tornando-os praticamente invisíveis"

disse Breton.


O HD 176071 b é exatamente um desses mundos, com esse obstáculo geométrico, então Breton e seus colegas tiveram que ser engenhosos para descobrir esse mundo aquático.


Um diagrama mostra como funciona o método de trânsito de detecção de exoplanetas (Crédito da imagem: NASA)
Um diagrama mostra como funciona o método de trânsito de detecção de exoplanetas (Crédito da imagem: NASA)

A equipe ainda usou a luz estelar da estrela do HD 176071 b para detectar o exoplaneta, mas, em vez disso, buscou por pequenas flutuações de brilho causadas quando a luz dessa estrela era refletida pelo planeta. O HD 176071 b está em rotação sincronizada (tidally locked), o que significa que possui um "lado diurno" permanente voltado para sua estrela, e um "lado noturno" perpétuo voltado para o espaço. As variações de brilho ocorrem porque, às vezes, o lado noturno do planeta está voltado para nós, e em outras ocasiões nossos instrumentos veem seu lado diurno.


"Graças ao conjunto de dados adquirido com o instrumento HARPS-N no Telescópio Nazionale Galileo, conseguimos superar esse obstáculo geométrico: ao medir com extrema precisão como a luz refletida pelo planeta varia ao longo de sua jornada orbital, podemos não apenas detectar esses mundos elusivos, mas também começar a caracterizar sua estrutura e atmosfera, abrindo uma janela fundamental para populações planetárias anteriormente quase inacessíveis.”

 disse Breton.


A descoberta do HD 176071 b mostra que as técnicas astronômicas atuais são sofisticadas o suficiente para caracterizar a atmosfera e a estrutura interna de mundos além do sistema solar. Esse é um grande impulso para a detecção de mundos que não passam entre a Terra e sua estrela.


A pesquisa da equipe foi publicada no dia 25 de agosto, na revista Astronomy & Astrophysics e pode ser lido na íntegra aqui.



Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 26/08/2026)

 
 
 

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