O Brasil no Programa Artemis: agricultura espacial e a nova fronteira da inovação
- Clube Centauri

- 13 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 15 de dez. de 2025
Quando pensamos em exploração espacial, imaginamos foguetes cruzando a atmosfera, astronautas caminhando em gravidade reduzida e bases futuristas iluminando a superfície lunar. Mas por trás desse imaginário existe uma questão fundamental que está ganhando destaque: como produzir alimentos fora da Terra? A nova corrida espacial não se limita à engenharia de foguetes — ela envolve a capacidade de sustentar a vida em ambientes extremos, unindo ciência espacial, biotecnologia e agricultura em um mesmo desafio.

É nesse cenário que o Brasil começa a se destacar como um ator relevante. Em novembro de 2023, uma parceria histórica entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Embrapa consolidou a participação brasileira no Programa Artemis, da NASA. Com isso, o país ingressa em um seleto grupo de nações responsáveis por desenvolver tecnologias essenciais para o futuro da vida humana na Lua e, futuramente, em Marte — enquanto cria soluções que também podem revolucionar a agricultura aqui na Terra.

🌱 Quando o agro encontra o espaço
A parceria entre AEB e Embrapa tem um objetivo claro: desenvolver tecnologias agrícolas capazes de funcionar fora da Terra. Essa área emergente, chamada de Space Farming, é essencial para missões longas, onde depender apenas de alimentos enviados da Terra seria inviável.
A Embrapa contribuirá com:
Pesquisas e dados sobre cultivos resistentes
Tecnologias de manejo agrícola em ambientes controlados
Produtos biotecnológicos adaptáveis a estações espaciais ou bases lunares
Os primeiros cultivos escolhidos para testes são dois velhos conhecidos da agricultura brasileira:
🔸 Batata-doce

Alta produtividade, resistente, nutritiva e excelente para sistemas fechados de cultivo.
🔸 Grão-de-bico

Rico em proteínas, fundamental para a dieta de astronautas em missões longas.
Essas plantas podem se tornar parte da primeira geração de alimentos produzidos em bases lunares — um marco científico gigantesco, com participação direta do Brasil.
Space Farming Brazil: construindo o futuro

Para ampliar a participação brasileira, a AEB firmou também uma colaboração com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Essa parceria está produzindo um estudo internacional sobre:
Tecnologias de agricultura espacial usadas pela NASA, ESA e JAXA
Sistemas de cultivo em microgravidade e ambientes de baixa pressão
Projetos globais de fazendas lunares e marcianas
Capacitação de instituições brasileiras para integrar a Rede Space Farming Brazil
Os resultados serão publicados em relatórios científicos que ajudarão a guiar a atuação do Brasil nesse ecossistema global.
Por que tudo isso importa?
A participação no Programa Artemis não é apenas uma vitrine tecnológica. Ela traz benefícios reais para o país — e para todos nós.
1. Segurança alimentar em tempos de mudanças climáticas
Tecnologias desenvolvidas para o espaço podem ser aplicadas em áreas secas ou de clima hostil no Brasil, aumentando produtividade e eficiência hídrica.
2. Inovação sustentável que retorna ao campo
Sistemas fechados, reciclagem total de água, iluminação inteligente e sensores avançados desenvolvidos para a Lua podem transformar o agro brasileiro aqui mesmo na Terra.
“É no cosmos que encontramos não apenas desafios fascinantes, mas também oportunidades de superar os problemas que enfrentamos aqui na Terra. A exploração espacial produz frutos duradouros: suas conquistas abrem novos horizontes além do nosso planeta e impulsionam avanços científicos que aceleram o desenvolvimento tecnológico terrestre.”
3. Protagonismo internacional
O Brasil se fortalece como parceiro científico em projetos de ponta e integra o seleto grupo de países que colocarão a humanidade de volta à superfície lunar.
Agricultura lunar: do laboratório ao sonho da Artemis Base Camp
O Programa Artemis planeja, nos próximos anos, estabelecer uma base permanente no polo sul da Lua. Para isso, será essencial produzir alimentos localmente — e é aqui que a ciência brasileira entra.
A batata-doce e o grão-de-bico que hoje crescem sob os olhos dos pesquisadores da Embrapa podem vir a alimentar astronautas na superfície lunar. E as tecnologias aprendidas no processo podem transformar a forma como produzimos alimentos no Brasil.
Estamos falando de um ciclo virtuoso:o que nasce no espaço volta para a Terra em forma de inovação.
— Maurício Antônio Lopes, pesquisador da Embrapa e integrante do projeto
Um passo para a Lua, um salto para o Brasil

A participação brasileira no Programa Artemis mostra que inovação, agro, ciência e exploração espacial podem caminhar juntos. É uma oportunidade única de colocar o país na vanguarda de um campo científico que vai definir o futuro das missões humanas além da Terra.
Na Terra, a atmosfera exerce um papel fundamental na proteção contra a radiação. Em ambientes sem essa defesa natural, a exposição intensa pode gerar uma série de consequências — entre elas, possíveis efeitos mutagênicos nos vegetais — que ainda precisam ser investigadas com maior profundidade.
E, talvez, quando a Artemis Base Camp estiver operando nos próximos anos, parte da comida servida aos astronautas poderá ter sua tecnologia nascida aqui — no coração da pesquisa agropecuária brasileira.
O Brasil está indo para a Lua. E está levando sua ciência junto.

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