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Orbitador europeu detecta novos indícios de atividade vulcânica em Marte

há 10 minutos
4 min de leitura

“Nossas descobertas sugerem que Marte reteve calor interno suficiente para sustentar atividade vulcânica até recentemente, e possivelmente ainda sustenta”


Notícias

Por Agência Espacial Europeia

Editado por Robert Egan

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


Novas evidências provenientes de gás que escapa de fendas vulcânicas sugerem que Marte não está geologicamente morto em seu interior, mas apenas adormecido. Fissuras recentes na região de Alba Mons sugerem pontos ativos sob a superfície, onde gases do interior do planeta podem estar abrindo caminho até a superfície.


Os flancos norte do vulcão Alba Mons, em Marte, em um contexto mais amplo. O ícone branco mostra a localização da imagem em close-up apresentada nesta matéria. (Créditos da imagem: MEX/HRSC mosaico colorido global, ESA/DLR/FU Berlin, G. Michael. Detalhe: modelo de elevação digital combinado MOLA-HRSC, Fergason et al., 2018)
Os flancos norte do vulcão Alba Mons, em Marte, em um contexto mais amplo. O ícone branco mostra a localização da imagem em close-up apresentada nesta matéria. (Créditos da imagem: MEX/HRSC mosaico colorido global, ESA/DLR/FU Berlin, G. Michael. Detalhe: modelo de elevação digital combinado MOLA-HRSC, Fergason et al., 2018)

Uma equipe internacional de pesquisa liderada por Alexander Trokhimovskiy sugere que a liberação de cloreto de hidrogênio vem de magma quente sob a superfície, o que indica um sinal de vulcanismo adormecido.


O ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO) relatou pela primeira vez a presença de gás cloreto de hidrogênio na atmosfera marciana em 2021. Esse gás é comumente encontrado escapando de respiradouros magmáticos na Terra, o que levou os pesquisadores a se perguntar se o mesmo estaria acontecendo em Marte.


“Nossas descobertas sugerem que Marte reteve calor interno suficiente para sustentar atividade vulcânica até recentemente, e possivelmente ainda sustenta”

disse Daniel Mège, professor do Centro de Pesquisa Espacial da Academia Polonesa de Ciências e coautor principal de um artigo publicado na revista Science Advances.



Gás em ascensão


Era o início do verão no hemisfério norte de Marte quando uma equipe de pesquisadores notou picos de cloreto de hidrogênio onde ele não deveria estar, e durante uma estação atípica.


Esse gás varia sazonalmente em Marte, atingindo seu máximo no inverno do hemisfério norte, e praticamente desaparecendo no verão. A maior parte dessa variabilidade parece estar ligada aos ciclos de poeira e água de Marte. No entanto, havia uma exceção a esse padrão, sempre na mesma estação e no mesmo lugar, localizado acima de fissuras vulcânicas nos flancos do vulcão Alba Mons, no início do verão.



Marte não está morto, apenas adormecido


Marte tem os maiores vulcões do sistema solar, mas não se sabe o quão ativos eles estão. Imagens orbitais mostram que alguns vulcões parecem ter estado ativos nos últimos milhões de anos, e sismômetros detectaram terremotos marcianos. Ambos os fatos apontam para a possibilidade de Marte ser vulcanicamente ativo.


No entanto, nenhum novo fluxo de lava ou erupção jamais foi observado.


Uma região de Marte localizada nos flancos norte do vulcão Alba Mons. Os pontos brancos podem ser causados por depósitos em torno de respiradouros, por onde gases magmáticos podem estar escapando do interior de Marte. A imagem, tirada em 3 de fevereiro de 2023, tem aproximadamente 20 km por 20 km de tamanho e está centrada em aproximadamente 64,6°N/274,4°E. (Créditos da imagem: ESA/TGO/CaSSIS)
Uma região de Marte localizada nos flancos norte do vulcão Alba Mons. Os pontos brancos podem ser causados por depósitos em torno de respiradouros, por onde gases magmáticos podem estar escapando do interior de Marte. A imagem, tirada em 3 de fevereiro de 2023, tem aproximadamente 20 km por 20 km de tamanho e está centrada em aproximadamente 64,6°N/274,4°E. (Créditos da imagem: ESA/TGO/CaSSIS)

Fissuras e gases sazonais


A descoberta é resultado de uma análise combinada atmosférica e geológica. Primeiro veio a detecção de cloreto de hidrogênio fortemente localizado no espaço e em um momento logo após o degelo do inverno. Os espectrômetros infravermelhos do Atmospheric Chemistry Suite do TGO estavam no caso.


Depois, um exame detalhado da região de Alba Mons usando a câmera CaSSIS do TGO revelou fissuras recentes e estreitas, em alguns casos com centenas de metros de comprimento, associadas a mudanças de cor na superfície.


“O Trace Gas Orbiter conseguiu encontrar a prova definitiva. Foi como procurar uma agulha em um palheiro. É realmente impressionante que ele tenha detectado um punhado de moléculas de uma fonte talvez intermitente, enquanto se movia continuamente ao longo de sua órbita para monitorar toda a atmosfera marciana”

explica Mège.


Impressão artística do ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO) analisando a atmosfera marciana. O método de ocultação solar é representado: os espectrômetros a bordo — ACS e NOMAD — observam a forma como a luz solar é absorvida na atmosfera para revelar as assinaturas químicas de seus componentes. (Créditos da imagem: ESA)
Impressão artística do ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO) analisando a atmosfera marciana. O método de ocultação solar é representado: os espectrômetros a bordo — ACS e NOMAD — observam a forma como a luz solar é absorvida na atmosfera para revelar as assinaturas químicas de seus componentes. (Créditos da imagem: ESA)

Os cientistas sugerem que gases magmáticos podem estar subindo por essas fissuras, como ocorre em algumas fumarolas na Terra. Bloqueadas pelo gelo durante as temperaturas congelantes do inverno, que chegam a -120°C (-184 graus Fahrenheit), as fissuras canalizariam a liberação de cloreto à medida que o gelo sublima no início do verão.


A descoloração em torno das fissuras poderia vir de depósitos deixados por gases escapando do interior de Marte, como ocorre ao redor de fumarolas (respiradouros de gás vulcânico) na Terra.


A equipe de pesquisadores recorreu à intuição geológica para fazer a ligação entre o gás e as fendas. “Olhando para a distribuição espacial do vazamento, ficou imediatamente óbvio para mim que havia algo vulcânico por trás disso, mas era preciso demonstrar” complementou Mège. Ela ainda disse que:


“Uma grande parte do trabalho consistiu em examinar todos os possíveis processos químicos ocorrendo na atmosfera marciana. Precisávamos ser rigorosos, críticos e criativos para explicar a presença de cloreto de hidrogênio. Os dados eram complexos, mas também um excelente estímulo intelectual.”

A equipe sugere que o vazamento está conectado a uma câmara de magma adormecida, uma espécie de sistema de encanamento vulcânico sob a superfície marciana.

Nichos para a vida


Gases magmáticos como o cloreto de hidrogênio podem ter sido mais abundantes no passado, contribuindo para uma atmosfera mais espessa e um clima mais quente, e permitindo que água líquida cobrisse boa parte da superfície marciana. Se a lava que sobe pela crosta encontrar água subterrânea, isso poderia levar à formação de nichos quentes e habitáveis.


“Procurar vida marciana nas fissuras com vazamento da região de Alba Mons faria muito sentido. Se sistemas hidrotermais estiverem ativos, eles poderiam conter os ingredientes e a energia necessários para que microrganismos se desenvolvessem, além de protegê-los do ambiente hostil e em constante mudança na superfície”

segundo Mège.


“Essas descobertas podem revelar-se o maior sucesso do TGO até agora”, diz Colin Wilson, cientista de projeto da ESA para o ExoMars Trace Gas Orbiter.



Artigo encontrado no site Phys.org (originalmente publicado em 04/11/2026)


 
 
 

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