Voyager 1: a sonda que está a um Dia-Luz de distância
By Kat Troche
Traduzido por Rodrigo Raffa
Quase cinco décadas após seu lançamento, a histórica espaçonave da NASA alcança um marco que ajuda a dimensionar as distâncias do espaço interestelar.
Duas viajantes rumo ao desconhecido
Em 1977, a NASA lançou as sondas espaciais Voyager 1 e Voyager 2, aproveitando um alinhamento planetário raro, que ocorre aproximadamente a cada 175 anos. Essa configuração permitiu que as espaçonaves visitassem os quatro maiores planetas do Sistema Solar externo: Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.
A trajetória foi planejada para aproveitar assistências gravitacionais, manobras em que a gravidade de um planeta altera a velocidade e a direção de uma espaçonave. Ao todo, as Voyager realizaram seis dessas manobras, em uma jornada conhecida como Grand Tour, ou Grande Viagem. Graças a ela, obtivemos observações inéditas dos gigantes gasosos e gelados, além de suas luas.
Na década de 1980, as trajetórias das sondas se separaram após o encontro com Saturno. A Voyager 2 prosseguiu em direção a Urano e Netuno. A Voyager 1 realizou um último grande registro do Sistema Solar, fotografando diversos planetas — com exceção de Mercúrio e Marte — e produzindo a célebre imagem da Terra conhecida como “Pálido Ponto Azul”.

Representação artística da missão Voyager. Crédito: NASA/JPL.
Uma mensagem da Terra em uma viagem sem destino
As duas espaçonaves carregam um objeto especial: o Disco de Ouro (Golden Record), um disco fonográfico de 12 polegadas criado como uma mensagem da humanidade para possíveis civilizações extraterrestres.
O conteúdo reúne saudações faladas em 55 idiomas, 27 faixas musicais, 116 imagens e uma seleção de sons da Terra. A intenção era apresentar um retrato da diversidade da vida e da cultura em nosso planeta.
Cada disco foi protegido por uma capa com instruções ilustradas sobre como reproduzi-lo. O projeto também inclui um mapa que indica a posição do Sol em relação a 14 pulsares, estrelas de nêutrons que emitem pulsos regulares de radiação. O disco recebeu revestimento de cobre e ouro, enquanto a capa foi feita de alumínio. Ela também foi marcada com uma amostra ultrapura do isótopo urânio-238, cuja meia-vida é de aproximadamente 4,468 bilhões de anos.

A capa do Disco de Ouro traz instruções para sua reprodução e um mapa cósmico. Crédito: NASA/JPL-Caltech.
Afinal, o que significa estar a um dia-luz?
Apesar do nome, um minuto-luz ou um dia-luz não é uma medida de tempo: é uma medida de distância. Trata-se do caminho percorrido pela luz durante um minuto ou durante 24 horas, respectivamente. Como a luz viaja no vácuo a aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo, um dia-luz corresponde a cerca de 25,9 bilhões de quilômetros.
Em agosto de 2012, a Voyager 1 atravessou a heliopausa, a região que marca a transição entre o domínio do vento solar e o meio interestelar. Em novembro de 2018, a Voyager 2 também cruzou essa fronteira. As duas sondas estão, portanto, no espaço interestelar, ainda sob acompanhamento da NASA.
A comunicação com as espaçonaves é feita por meio da Deep Space Network, uma rede internacional de antenas que recebe sinais extremamente fracos enviados a grandes distâncias. No momento da publicação do material original da NASA, a antena de Canberra, na Austrália, acompanhava a Voyager 1 a cerca de 25,80 bilhões de quilômetros.

Ilustração das sondas Voyager além da heliosfera, a bolha formada pela influência do Sol. Crédito: NASA/JPL-Caltech.
18 de novembro de 2026: um marco de um dia-luz
De acordo com a previsão apresentada pela NASA, em 18 de novembro de 2026, quase 49 anos após seu lançamento, a Voyager 1 ultrapassará a marca de um dia-luz de distância do Sol: aproximadamente 16,1 bilhões de milhas, ou cerca de 25,9 bilhões de quilômetros.
Isso significa que um sinal de rádio — que viaja à velocidade da luz — levará cerca de 24 horas para percorrer a distância entre a sonda e o Sol. Na prática, uma mensagem enviada da Terra até a Voyager 1 levará aproximadamente um dia para chegar. Uma resposta, caso a sonda pudesse enviá-la imediatamente, levaria mais um dia para retornar. A comunicação de ida e volta pode, portanto, exigir cerca de dois dias.
A expressão ano-luz é mais conhecida e aparece com frequência em filmes e séries de ficção científica, além de ser usada para expressar distâncias entre estrelas. O dia-luz ajuda a visualizar uma escala intermediária: mesmo viajando à velocidade da luz, atravessar essa distância exige 24 horas.
Uma missão que continua ampliando nossos horizontes
As Voyager estão entre as espaçonaves mais distantes já construídas pela humanidade. Lançadas em 1977, continuam enviando informações científicas mesmo depois de terem ultrapassado os limites da heliosfera. Sua jornada mostra como a exploração espacial pode transformar conceitos abstratos — como a escala do Sistema Solar e do espaço interestelar — em distâncias que conseguimos começar a compreender.
Acompanhar a posição das sondas e comparar suas distâncias em minutos-luz, horas-luz e dias-luz é uma forma interessante de perceber a dimensão da missão. A Voyager 1 segue viajando, levando consigo instrumentos científicos e uma mensagem simbólica da humanidade para além do nosso ambiente planetário.
Fonte e créditos
Texto adaptado de “November’s Night Sky Notes: Light-Day Away”, de Kat Troche, publicado pela NASA Night Sky Network em novembro de 2026. Imagens e créditos mantidos conforme o material original: NASA/JPL e NASA/JPL-Caltech.



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