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Satélite da NASA, surpreendentemente, quase colide com lixo espacial, muito mais próximo do que se pensava - 10 metros!

"Foi, pessoalmente, muito chocante e também para todos nós na NASA."


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Por Mike Wall

Traduzido por Marco Centurion



Concepção artística da espaçonave TIMED da NASA em órbita da Terra. (Crédito da imagem: Johns Hopkins APL/Steve Gribben)

A humanidade escapou recentemente de uma bala orbital por uma margem muito menor do que era esperado. Logo nas primeiras horas de 28 de fevereiro, o satélite espião russo inativo Cosmos 2221 e a espaçonave TIMED da NASA, a qual estuda a atmosfera da Terra desde 2001, fizeram uma desconfortável aproximação durante as suas órbitas, aproximando-se a apenas 20 metros um do outro. Essa foi a estimativa inicial, de qualquer forma. Estudos adicionais mostraram que o encontro foi na verdade ainda mais próximo, de acordo com a Administradora Adjunta da NASA, Pam Melroy.


"Recentemente notamos pelas análises que a passagem acabou sendo inferior a 10 metros de distância — dentro dos parâmetros de corpo rígido de ambos os satélites", disse Melroy em 9 de abril durante uma apresentação no 39º Simpósio Espacial em Colorado Springs.


"Foi muito chocante pessoalmente, e também para todos nós na NASA", disse ela, acrescentando que o encontro "realmente nos assustou a todos".


Ela explicou a preocupação:

"Se os dois satélites tivessem colidido, teríamos visto um aumento significativo de detritos — pequenos fragmentos viajando a dezenas de milhares de milhas por hora, esperando perfurar um buraco em outra espaçonave e potencialmente colocando vidas humanas em risco."

E este não é apenas um problema teórico! Em agosto de 2021, por exemplo, o satélite militar chinês Yunhai 1-02 foi atingido por um pedaço de lixo espacial, aparentemente trata-se de um fragmento do foguete Zenit-2 que lançou o satélite espião Tselina-2 da Rússia em 1996.


Embora tais impactos sejam raros, estes quase impactos, como o que o TIMED passou, estão se tornando cada vez mais comuns, uma vez que a órbita da Terra está ficando mais e mais congestionada. Atualmente, existem cerca de 11.500 satélites orbitando o nosso planeta, dos quais 9.000 estão operacionais, de acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA). Mais da metade dessas espaçonaves funcionais fazem parte da rede de banda larga Starlink da SpaceX, a megaconstelação em constante crescimento atualmente consiste em quase 5.800 satélites.


Mas isso é apenas um recorte da questão. Existem cerca de 36.500 pedaços de lixo espacial com pelo menos 10 centímetros de largura na órbita da Terra, conforme a ESA, e mais de 130 milhões de fragmentos com pelo menos 1 milímetro de diâmetro. Como Melroy mencionou, mesmo esses pequenos fragmentos de detritos podem causar danos a satélites e à Estação Espacial Internacional (ISS), dadas as velocidades dessas peças. Na órbita da ISS, a cerca de 400km de altitude, os objetos se movem a cerca de 28.160 km/h — muito mais rápido do que qualquer projétil.


A NASA trabalhou ao longo dos anos para ajudar a mitigar o problema do lixo espacial, acrescentou Melroy. Como um exemplo, cita o trabalho da agência há duas décadas para ajudar a implementar "práticas comuns", como a desativação de estágios superiores de foguetes em órbita, um processo que envolve, entre outras ações, liberar o combustível restante para reduzir seu potencial explosivo. Mas a agência quer fazer mais, segundo Melroy. E esse incremento de atividades inclui uma "estratégia integrada de sustentabilidade espacial", cuja primeira parte a NASA lançou no dia de suas declarações.


"Desenvolvida sob a liderança de um conselho consultivo interagências, a estratégia de sustentabilidade espacial foca em avanços que a NASA pode fazer em direção a tomada de medidas e avaliação da sustentabilidade espacial em órbita terrestre, identificando maneiras economicamente viáveis de atingir metas de sustentabilidade, incentivando a adoção de boas práticas através do desenvolvimento de tecnologia e políticas e aumentando os esforços para compartilhar e receber informações com o restante da comunidade espacial global"

disseram funcionários da agência em comunicado de 9 de abril.


A estratégia de sustentabilidade da NASA eventualmente abrangerá quatro domínios: Terra, órbita terrestre, espaço cislunar (a região próxima e ao redor da lua) e espaço profundo. O primeiro volume de 35 páginas se concentra na sustentabilidade em órbita terrestre, disseram funcionários da agência.


Você pode saber mais sobre a estratégia de sustentabilidade e ler o primeiro volume através da NASA aqui.


Artigo encontrado em space.com (originalmente publicado em 20/04/2024)

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