Alienígenas até podem existir, mas há três razões pelas quais eles não estão nos visitando!
- há 4 dias
- 5 min de leitura
Pesquisas realizadas na Austrália, nos Estados Unidos e em outros lugares indicam que cerca de um terço do público acredita que alienígenas estão aqui.
Por Carol Oliver, The Conversation
Editado por Lisa Lock, revisado por Andrew Zinin
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
A recente divulgação pelo governo dos Estados Unidos da América do Norte de centenas de casos anteriormente classificados de fenômenos anômalos não identificados (UAPs, na sigla em inglês), abrangendo o período da década de 1940 até os dias atuais, juntamente com o novo filme de Steven Spielberg, "Disclosure Day", sobre vida extraterrestre, alimentou a ideia de que alienígenas estão visitando a Terra.

*Sem citar o recente caso, já solucionado, do suposto avistamento alienígena no Estado do Paraná.
De fato, pesquisas realizadas na Austrália, nos Estados Unidos e em outros lugares indicam que cerca de um terço do público acredita que alienígenas estão aqui.
No entanto, embora o que sabemos sobre o universo sugira que alienígenas possam existir, há três razões convincentes pelas quais eles provavelmente não estão nos visitando.
O espaço é grande, muito grande.
Para começar, o espaço é vasto, muito além da nossa imaginação e capacidade de compreensão.
A Proxima Centauri, a estrela mais próxima do nosso Sol, está a cerca de 40 trilhões de quilômetros de distância, ou 268 mil vezes mais longe do que o Sol está da Terra. Isso equivale a 4,3 anos-luz, como os astrônomos medem. Um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, viajando a 300 mil quilômetros por segundo.
Com a tecnologia atual, só conseguimos viajar pelo espaço a uma fração da velocidade da luz. Até mesmo nossa espaçonave mais rápida, a Parker Solar Probe, atinge uma velocidade máxima de aproximadamente 191 quilômetros por segundo, que é apenas 0,064% da velocidade da luz.

Nessa velocidade, seriam necessários cerca de 6.650 anos para chegar à Proxima Centauri, e isso apenas dentro da nossa vizinhança estelar local. Portanto, viagens interestelares dentro da duração de uma vida humana exigiriam velocidades muito mais elevadas.
Vamos supor que tivéssemos os meios para viajar próximo à velocidade da luz. Isso introduz o primeiro problema de viajar nessa velocidade. Albert Einstein demonstrou que o tempo é relativo, ou seja, a taxa de passagem do tempo não é a mesma em todos os lugares do universo e, consequentemente, relativa ao observador. Quanto mais rápido uma espaçonave viajar a partir da Terra, mais lentamente o tempo passará para seus passageiros. Isso é chamado de dilatação temporal.
Por exemplo, quando o astronauta da NASA Scott Kelly retornou à Terra após passar um ano na Estação Espacial Internacional, ele estava alguns milissegundos mais jovem do que seu irmão gêmeo idêntico, porque o tempo passa mais devagar para objetos em movimento, e a Estação Espacial Internacional viaja a aproximadamente 28.150 quilômetros por hora.
Essa diferença foi insignificante para os irmãos Kelly. Mas, para quaisquer alienígenas cruzando nossos céus, ela seria significativamente maior devido à viagem de ida e volta à Terra a partir de um sistema estelar distante, necessariamente realizada em velocidades muito mais altas. Eles retornariam para um planeta muito mais velho do que aquele que deixaram, talvez um século ou mais. Seriam exilados do tempo.
Exigências energéticas inimaginavelmente altas.
Há também a exigência energética inimaginavelmente elevada para viagens interestelares.
A massa da espaçonave aumenta com a velocidade, de modo que quantidades cada vez maiores de energia são necessárias para acelerá-la. Na velocidade da luz, a nave se tornaria infinitamente massiva, exigindo uma quantidade infinita de energia e isso é claramente impossível.
Outro problema significativo é que o espaço é um vácuo, mas não completamente. Existem partículas suficientes para causar preocupação. Elas podem potencialmente provocar radiação letal para os passageiros e os instrumentos de uma espaçonave em alta velocidade, ou até destruí-la. Átomos de hidrogênio dispersos transformam-se em intensa radiação em velocidades próximas à da luz, e o calor gerado acabaria por desgastar e destruir o casco da nave.
Viajar mais rápido do que a luz, segundo o físico Miguel Alcubierre, é possível, mas isso traz seu próprio conjunto de problemas e uma exigência energética que atualmente é impossível de atender.
Isso levanta a questão, por que gastar toda essa energia para viajar até a Terra? Qualquer coisa que possuímos, uma civilização avançada (como necessariamente teria de ser para chegar até aqui) seria capaz de produzir em seu próprio planeta.
Uma biosfera única.
Outro problema é a nossa biosfera, única na Terra até onde os cientistas sabem.
A vida e o planeta evoluíram juntos. A vida complexa não existiria na Terra se as cianobactérias, um tipo de microrganismo unicelular, não tivessem bombeado oxigênio para a nossa atmosfera, então composta majoritariamente por nitrogênio, há 2,4 bilhões de anos.
Por isso, o oxigênio não é tóxico para nós. Porém, ele é altamente reativo e poderia ser extremamente corrosivo para alienígenas, por exemplo. E embora eles pudessem usar trajes de proteção, assim como os seres humanos fazem ao visitar ambientes inóspitos, os relatos sobre alienígenas visitantes não incluem descrições de trajes espaciais.
Então, os alienígenas estão por aí?
Essa é uma questão interessante, tanto do ponto de vista científico quanto filosófico. Os cientistas ainda não possuem informações suficientes, mas estão trabalhando para responder a essa pergunta.
Cerca de 6.200 exoplanetas já foram descobertos em mais de 4.700 sistemas solares, embora nenhum deles seja exatamente como a Terra ou o nosso Sistema Solar.
A maioria das estrelas pode ter pelo menos um planeta, e existem mais de 100 bilhões de estrelas apenas em nossa galáxia. Portanto, o número de planetas é astronômico, e alguns deles podem ser habitáveis.
Mais perto de casa, existem mundos com potencial para abrigar vida microbiana, passada ou presente, como Marte, Europa (uma lua de Júpiter), Encélado e Titã (luas de Saturno). Se descobrirmos que a vida surgiu duas vezes em nosso Sistema Solar, isso aumentará as probabilidades de existência de vida em outros lugares.
Desde 1960, temos a capacidade de procurar inteligência em outros lugares do universo, aproveitando observações realizadas pela radioastronomia convencional. Os maiores projetos de busca por vida alienígena são conduzidos pelo SETI Institute, na Califórnia, e pelo Breakthrough Listen, sediado na University of Oxford, no Reino Unido.
Nada foi encontrado em todas as buscas realizadas até agora. Encontrar inteligência dentro da nossa janela temporal, que é de cerca de cem anos, em comparação com uma história universal de 13,8 bilhões de anos é um enorme desafio.
No entanto, como observou um artigo publicado em 1959 na revista Nature, embora seja difícil estimar as chances de sucesso, se não procurarmos, essa chance cai para zero.
Artigo encontrado no site Phys.org (originalmente publicado em 12/06/2026)




Comentários