Telescópio Espacial James Webb descobre exoplaneta extremo sendo “assado” por sua estrela hospedeira.
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"Os Júpiteres quentes já são considerados alguns dos exoplanetas mais extremos que conhecemos, mas, mesmo dentro dessa população, HD80606b é um dos mais extremos."
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Por Robert Lea
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Se você acha que o verão aqui na Terra pode ser bastante brutal, vamos analisar um pouco o exoplaneta, denominado HD80606b. Utilizando o Telescópio Espacial James Webb (JWST), astrônomos descobriram que esse exoplaneta gigante gasoso, localizado a 217 anos-luz de distância, está sendo literalmente assado por sua estrela hospedeira.

Ao que parece, o planeta realmente faz jus ao termo “quente” em “Júpiter quente”, uma categoria de planetas gigantes gasosos que orbitam tão perto de suas estrelas que conseguem completar uma volta ao redor delas em questão de dias, e às vezes até de horas.
A órbita de 111 dias de HD80606b leva o exoplaneta para tão perto de sua estrela hospedeira que o Telescópio Espacial James Webb observou sua temperatura disparar para impressionantes 600 graus Celsius. Isso provoca uma mudança extrema na química desse mundo, tornando-o um estudo de caso ideal para o JWST.
“Os Júpiteres quentes já são considerados alguns dos exoplanetas mais extremos que conhecemos, mas, mesmo dentro dessa população, HD80606b é um dos mais extremos. Normalmente pensamos nos Júpiteres quentes como gigantes gasosos quentes posicionados logo ao lado de suas estrelas, mas a órbita altamente excêntrica deste planeta cria uma criatura completamente diferente.”
afirmou em comunicado a líder da equipe, Tiffany Kataria, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, no sul da Califórnia.
Alguém pediu um exoplaneta assado aí?
Kataria e seus colegas investigaram HD80606b, sua temperatura e sua composição química utilizando uma técnica astronômica chamada espectroscopia, que decompõe a luz em comprimentos de onda individuais. Isso pode revelar a composição química de um mundo porque os elementos absorvem e emitem luz em comprimentos de onda característicos.
Assim, quando a luz de uma estrela atravessa a atmosfera de um planeta, os compostos químicos presentes nessa atmosfera deixam suas “impressões digitais” nesse espectro.
Utilizando o instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument) do JWST, a equipe observou esse Júpiter quente antes, durante e depois de sua aproximação máxima da estrela-mãe, HD 80606. Isso exigiu um grande planejamento devido à órbita extremamente elíptica de HD 80606 b.

Esta não é a primeira vez que astrônomos estudam HD80606b. O exoplaneta “assado” já havia sido investigado anteriormente com o agora aposentado Telescópio Espacial Spitzer, da NASA.
“O Spitzer realizou um trabalho incrível com este exoplaneta, e agora o JWST está construindo sobre esse legado ao nos permitir aprofundar a análise para distinguir assinaturas químicas específicas, como metano e dióxido de carbono, o que representa um progresso simplesmente extraordinário. Há muito a aprender com este único conjunto de dados, realmente estamos apenas começando a decifrar o que o JWST tem a nos dizer.”
afirmou em comunicado o membro da equipe Ryan Challener, do Centro Cornell de Astrofísica e Ciência Planetária.
O JWST deu continuidade a esse trabalho e apresentou uma visão muito mais detalhada desse exoplaneta do que era possível anteriormente. Na verdade, o telescópio espacial de US$10 bilhões revelou que HD80606b é ainda mais violento do que se imaginava.
“O JWST mostrou que o aumento de temperatura do planeta foi ainda mais extremo do que prevíamos com base nos dados do Spitzer”
disse Kataria.
As descobertas da equipe foram apresentadas no dia 16 de junho, durante a 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana (American Astronomical Society), realizada em Pasadena, Califórnia.
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 17/06/2026)




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