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Telescópio Espacial James Webb prevê clima extremo em exoplaneta onde chove rubis e safiras!

  • há 6 horas
  • 3 min de leitura

"Com sua qualidade observacional sem precedentes, o JWST nos oferece os vislumbres mais detalhados já obtidos de planetas distantes."


Notícias

Por Sharmila Kuthunur

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


Imagine um mundo onde a previsão do tempo anuncia ventos soprando a quase 18.000 quilômetros por hora e chuvas noturnas de metais líquidos, como rubis e safiras.


Esta é uma impressão artística do exoplaneta gigante gasoso WASP-121b. O planeta inflado está tão próximo de sua estrela que a atração de maré da estrela o estica até adquirir um formato semelhante ao de um ovo. (Créditos da imagem: NASA, ESA e G. Bacon (STScI))
Esta é uma impressão artística do exoplaneta gigante gasoso WASP-121b. O planeta inflado está tão próximo de sua estrela que a atração de maré da estrela o estica até adquirir um formato semelhante ao de um ovo. (Créditos da imagem: NASA, ESA e G. Bacon (STScI))

Essa é a realidade caótica que os astrônomos reconstruíram para o exoplaneta WASP-121b, um “Júpiter ultra quente” que figura entre os planetas mais extremos conhecidos além do Sistema Solar.


O exoplaneta gigante gasoso orbita sua estrela hospedeira a uma distância tão brutalmente próxima que uma única volta em torno dela, dura apenas 30,5 horas. A essa proximidade, que aliás é tão perto que, se estivesse um pouco mais próximo, a gravidade estelar começaria a despedaçá-lo, há imensas forças de maré da estrela que deformaram o planeta, transformando-o de uma esfera em um corpo semelhante a uma bola de futebol americano, aquelas com um formato um pouco alongado em uma das direções. As temperaturas em seu lado diurno atingem valores suficientemente altos para vaporizar metais, enquanto estudos anteriores sugeriram que o ferro pode se condensar e cair como chuva no lado noturno mais frio. Agora, astrônomos utilizando o Telescópio Espacial James Webb (JWST) acrescentaram mais uma peça ao retrato meteorológico desse mundo.


Ao monitorar mudanças sutis na luz estelar que atravessa a atmosfera do WASP-121b nos períodos de trânsito do exoplaneta, diante de sua estrela, os pesquisadores detectaram diferenças entre as condições atmosféricas ao amanhecer e ao entardecer, de acordo com o estudo.


“Com sua qualidade observacional sem precedentes, o JWST nos oferece os vislumbres mais detalhados já obtidos de planetas distantes”

afirmou em comunicado o autor principal do estudo, Cyril Gapp, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha.


“Ao medir como a absorção da luz estelar muda à medida que o WASP-121b gira, investigamos sua atmosfera longitude por longitude”

complementou Gapp.


As observações sugerem que o terminador vespertino do planeta, ou seja, as regiões que estão saindo da luz do dia, é mais quente do que sua contraparte matutina. Segundo os pesquisadores, essa descoberta é consistente com ventos extremamente poderosos transportando calor do lado diurno intensamente quente para o lado noturno mais frio do planeta.


Como o WASP-121b está sincronizado gravitacionalmente com sua estrela, um hemisfério permanece permanentemente voltado para ela, enquanto o outro fica mergulhado na escuridão, situação idêntica ao travamento gravitacional do sistema Terra-Lua. Ainda assim, durante um trânsito, o planeta gira o suficiente, do ponto de vista do JWST, para que diferentes regiões de sua atmosfera entrem em campo de visão.


Ao examinar como o sinal atmosférico mudou ao longo do tempo, Gapp e sua equipe descobriram que o lado do entardecer absorvia ligeiramente mais luz estelar do que o lado do amanhecer, relata o estudo. Os pesquisadores também detectaram mudanças nos sinais associados ao vapor d’água e ao monóxido de carbono, que interpretam como evidências de diferenças de temperatura ao longo da atmosfera.


O lado mais quente do entardecer parece atingir temperaturas suficientes para quebrar moléculas de água na alta atmosfera, observa o estudo. Já o lado mais frio do amanhecer pode estar parcialmente encoberto por nuvens formadas por minerais silicáticos, embora o estudo ressalte que serão necessários modelos mais sofisticados para determinar se essas nuvens realmente estão presentes.


As descobertas somam-se a um crescente conjunto de pesquisas sobre o clima turbulento do WASP-121b, incluindo dados recentes obtidos pelo Very Large Telescope, no Chile, que revelaram padrões complexos, estratificados e violentos de ventos e correntes de jato que se estendem por metade do planeta.


Observações anteriores realizadas com o Telescópio Espacial Hubble também encontraram evidências de que magnésio e ferro estavam escapando da atmosfera do planeta, provavelmente impulsionados pela intensa radiação ultravioleta emitida por sua estrela hospedeira.


A nova técnica da equipe poderá eventualmente ser aplicada a outros planetas ultra quentes, permitindo que os astrônomos comparem as condições atmosféricas em uma amostra mais ampla de mundos distantes, observa o estudo.


O estudo foi publicado no dia 10 de junho, na revista científica Nature Astronomy e pode ser lido na íntegra aqui.



Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 16/06/2026)


 
 
 

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