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Novo estudo sugere que Terra e Marte tiveram origens diferentes.

há 7 minutos
4 min de leitura

“O resultado mais surpreendente foi que a Terra e Marte parecem ter se formado de maneiras diferentes."


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Por Matthew Williams

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


Segundo a Teoria da Nebulosa, o Sistema Solar se formou há cerca de quatro bilhões e meio de anos a partir de um massivo disco de acreção de gás e poeira que orbitava nosso Sol. Ainda assim, há questões sobre como os planetas se formaram, com os cientistas favorecendo um de dois caminhos possíveis. Ou eles surgiram de colisões entre rochas maiores (planetesimais), ou do acúmulo gradual de seixas, uma espécie de pedregulhos, por planetesimais.


Nova pesquisa indica que a Terra e Marte se formaram por meio de processos diferentes, uma descoberta que pode ajudar na busca por exoplanetas habitáveis. Créditos da imagem: NASA)
Nova pesquisa indica que a Terra e Marte se formaram por meio de processos diferentes, uma descoberta que pode ajudar na busca por exoplanetas habitáveis. Créditos da imagem: NASA)

Uma nova pesquisa da Universidade de Copenhague ofereceu novas evidências que poderiam resolver esse debate. Usando uma abordagem inovadora, os pesquisadores reconstruíram os estágios iniciais da formação dos planetas analisando sua composição química. Seus resultados sugerem que um modelo híbrido, que combina os dois caminhos, poderia explicar como planetas rochosos como a Terra e Marte se formaram, o que poderia ter implicações no estudo de exoplanetas.


A pesquisa pode ser lida na íntegra aqui.


A pesquisa foi liderada pelo professor assistente Haiyang S. Wang e pelo professor Anders Johansen, pesquisadores do Centro de Formação de Estrelas e Planetas, parte do Globe Institute da Universidade de Copenhague. Eles foram acompanhados por pesquisadores do Instituto de Física de Partículas e Astrofísica da ETH Zurique, do Nevada Center for Astrophysics (NCfA), do Lunar and Planetary Laboratory e de diversas universidades. Um artigo detalhando suas descobertas foi publicado na revista científica Nature Astronomy.


Uma representação artística de um disco protoplanetário no qual planetas estão se formando. (Créditos da imagem: ESO/L. Calçada)
Uma representação artística de um disco protoplanetário no qual planetas estão se formando. (Créditos da imagem: ESO/L. Calçada)

A abordagem da equipe se concentra em elementos específicos localizados na crosta e no manto da Terra e de Marte. Mais especificamente, eles se concentraram em elementos voláteis como sódio, zinco e potássio, elementos que têm pontos de fusão relativamente baixos e evaporam em altas temperaturas. Ao analisar a abundância desses elementos, os cientistas conseguem determinar quais processos o planeta passou durante sua formação.


"É um grande trabalho de detetive descobrir o que aconteceu naquela época, quando a maior parte das evidências desapareceu há muito tempo. Mas, mesmo depois de 4,5 bilhões de anos, as composições dos mantos da Terra e de Marte permanecem as mesmas. Pode-se pensar nelas como uma marca registrada do processo de formação."

disse Johansen em um comunicado de imprensa do Globe Institute.


Combinando isso com modelagem estatística avançada, os pesquisadores então calcularam os cenários de formação mais prováveis para os dois planetas. Seus resultados demonstraram que os elementos voláteis são perdidos dos seixos à medida que viajam em direção à superfície de um planeta. Com base em sua abundância relativa na Terra e em Marte, isso sugere que os dois planetas se formaram de maneiras diferentes, dizendo que Marte se formou principalmente por meio de colisões de planetesimais, enquanto a Terra começou majoritariamente como dois protoplanetas que cresceram por meio do acréscimo de seixos. 


Como Wang resumiu:

“O resultado mais surpreendente foi que a Terra e Marte parecem ter se formado de maneiras diferentes. Seria de se esperar que dois planetas formados lado a lado no mesmo sistema solar compartilhassem uma história de formação mais semelhante. Pelo menos 75% da massa da Terra parece ter origem em dois jovens planetas, conhecidos como protoplanetas, que cresceram ao acretar esses seixos, enquanto os planetesimais contribuíram com até 25%. Em contraste, aproximadamente três quartos da massa de Marte parecem vir de planetesimais, com o quarto restante tendo origem no acréscimo de seixos.”


A Terra e Marte são ambos corpos diferenciados, o que significa que são compostos por diferentes camadas de material com diferentes densidades. (Créditos da imagem: (Terra) Kelvinsong, (Marte) NASA)
A Terra e Marte são ambos corpos diferenciados, o que significa que são compostos por diferentes camadas de material com diferentes densidades. (Créditos da imagem: (Terra) Kelvinsong, (Marte) NASA)

Os pesquisadores ressaltam que seus resultados são baseados em modelagem estatística que contém incertezas. Isso inclui a suposição sobre a composição química do disco de acreção do jovem Sistema Solar que eventualmente formaria os planetas. Além disso, com base nas semelhanças de Marte com a Terra, também se presumiu que os blocos de construção planetesimais eram quimicamente semelhantes ao asteróide Vesta.


Por fim, tradicionalmente se presume que os elementos voláteis são perdidos de forma mais eficiente durante o acréscimo de seixos do que durante impactos gigantes. Mas, como observou Wang, mesmo depois que os resultados são ajustados para essas suposições, a conclusão principal permanece a mesma:


“As porcentagens exatas podem variar um pouco, mas nossas análises indicam consistentemente que a Terra e Marte se formaram de duas maneiras diferentes. Nosso método oferece uma forma mais precisa e direta de entender a formação planetária do que a abordagem baseada em isótopos, mais amplamente utilizada, que muitas vezes pode ser interpretada de múltiplas maneiras.”

Além disso, uma melhor compreensão dos caminhos de formação dos planetas rochosos poderia ajudar a informar a busca contínua por exoplanetas habitáveis. O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, lançado em 30 de agosto, está equipado com um Instrumento de Campo Amplo e um campo de visão pelo menos 100 vezes maior do que o do Telescópio Espacial Hubble.


Esta impressão artística mostra o planeta Proxima b orbitando a estrela anã vermelha Proxima Centauri, a estrela mais próxima do nosso Sistema Solar. (Créditos da imagem: ESO/M. Kornmesser.)
Esta impressão artística mostra o planeta Proxima b orbitando a estrela anã vermelha Proxima Centauri, a estrela mais próxima do nosso Sistema Solar. (Créditos da imagem: ESO/M. Kornmesser.)

O Habitable Worlds Observatory (HWO), quando entrar em operação na década de 2040, terá resolução e sensibilidade ainda mais poderosas. Junto com observatórios terrestres que combinam grandes espelhos primários com óptica adaptativa (OAs), esses observatórios serão capazes de caracterizar exoplanetas determinando suas composições químicas. Isso é vital para determinar se eles são ou não capazes de sustentar vida, ou seja, se são "habitáveis".


"Se entendermos como os planetas perdem elementos voláteis durante sua formação, também poderemos nos tornar melhores em prever quanta água e outras substâncias que sustentam a vida eles acabam retendo"

disse Johansen.



Artigo encontrado no site UniverseToday.com (originalmente publicado em 07/10/2026)


 
 
 

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