O que são ‘estrelas escuras’? Cientistas suspeitam que este objeto hipotético pode explicar 3 grandes mistérios do universo!
- marcocenturion
- há 1 dia
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“Esta é uma estrutura que nunca vimos antes, portanto pode ser uma nova classe de objeto escuro.”
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Por Robert Lea
Traduzido por Marco Centurion
As “estrelas escuras” poderiam ajudar a resolver três mistérios aparentemente desconectados que surgiram no amanhecer cósmico — mistérios recentemente descobertos pelo Telescópio Espacial James Webb.

Os enigmas incluem a surpreendente superabundância de buracos negros supermassivos no universo primitivo, a existência inesperada das chamadas galáxias “monstros azuis” (Blue Monsters) e os chamados “pequenos pontos vermelhos” (Little Red Dots) que os cientistas vêm encontrando. Estes últimos constituem uma classe inteiramente nova de objetos cósmicos no universo inicial que parecem ter desaparecido antes de o cosmos atingir cerca de 2 bilhões de anos de idade.
As estrelas escuras são objetos hipotéticos que se acredita terem existido no universo primitivo. Em vez de serem alimentadas pela fusão nuclear, como as estrelas normais, as estrelas escuras teriam sido alimentadas pela aniquilação de partículas de matéria escura. O termo “escuras” refere-se a essa fonte de energia dessas estrelas; elas, na verdade, teriam sido incrivelmente brilhantes.
“Alguns dos mistérios mais significativos colocados pelos dados do amanhecer cósmico [encontrados pelo James Webb Space Telescope] são, na verdade, características da teoria das estrelas escuras”
disse em comunicado o líder da pesquisa, Cosmin Ilie, da Colgate University.
Se as estrelas escuras existiram, elas teriam sido capazes de se formar no universo antes mesmo que estrelas comuns pudessem se formar. Quando os núcleos ultradensos de matéria escura se esgotassem, teoriza-se que as estrelas escuras poderiam colapsar e formar as massivas “sementes” de buracos negros supermassivos.
Essas sementes seriam muito mais massivas do que os buracos negros formados quando até mesmo as estrelas mais massivas ficam sem combustível para a fusão nuclear. Isso, somado ao fato de que as estrelas escuras poderiam ter existido antes das estrelas normais, permitiria que buracos negros supermassivos se formassem muito mais rapidamente do que a cadeia padrão de fusões de buracos negros que se acredita dar origem a buracos negros supermassivos.
Isso poderia explicar como o JWST foi capaz de detectar uma grande população de buracos negros supermassivos no universo com menos de 1 bilhão de anos após o Big Bang.
Esses buracos negros não são as únicas coisas inesperadas que o JWST vem detectando no universo primitivo desde que iniciou suas observações em 2022. O telescópio espacial de US$10 bilhões também vem identificando galáxias extremamente brilhantes, ultracompactas e incrivelmente densas, que não apresentam grande quantidade de poeira. Classificadas como “monstros azuis”, essas são galáxias cuja existência não havia sido prevista por nenhuma simulação cosmológica ou modelo de formação das primeiras galáxias antes da era do JWST.
A equipe sugere que esses monstros azuis não são galáxias de fato, mas sim estrelas escuras incrivelmente luminosas que, devido ao seu brilho, estão sendo confundidas com galáxias inteiras, com populações de estrelas compactadas em uma região não maior do que algumas centenas de anos-luz.
Os pequenos pontos vermelhos, embora muito mais tênues do que os monstros azuis, também se destacam pelo quanto são compactos, exigindo um empacotamento de estrelas quase impossivelmente denso, caso sejam realmente galáxias. Outra característica intrigante dos little red dots é que eles emitem fracamente na luz ultravioleta e aparentemente não emitem raios X.
Esta equipe argumenta que o colapso de estrelas escuras que esgotaram sua matéria escura poderia resultar em buracos negros ainda cercados por camadas de material estelar, o que teria o efeito de obscurecer parcialmente a luz ultravioleta e obscurecer completamente as emissões de raios X, de uma forma que os halos de poeira das galáxias, por si só, não conseguem explicar.
Por enquanto, as estrelas escuras permanecem puramente hipotéticas, embora algumas evidências observacionais comecem a surgir. Ainda assim, esta pesquisa representa uma tentativa instigante de resolver três enigmas cosmológicos com um único mecanismo.
“Estrelas escuras supermassivas podem oferecer uma solução para vários enigmas urgentes da astronomia e da astrofísica, conforme discutido em profundidade neste artigo. Até onde sabemos, não há outro mecanismo capaz de alcançar isso simultaneamente.”
concluíram os autores.
Os resultados estão em um artigo publicado em dezembro de 2025 na revista Astrophysics and Cosmology at High Z e pode ser lido na íntegra aqui.
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 15/01/2026)
