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Quão frio é o espaço? A física por trás da temperatura do universo

O quão frio é o espaço? Ele chega a atingir o zero absoluto? E o que acontece se você cair nele sem um traje espacial?


Referências

Por Robert Lea

Traduzido e Adaptado por Marco Centurion


Créditos da imagem: Getty Images
Créditos da imagem: Getty Images

Embora filmes de ficção científica nos levem a acreditar que o espaço é incrivelmente frio, até mesmo congelante, a verdade é que o espaço não é exatamente frio. Por definição, ele nem sequer possui uma temperatura.


Temperatura é uma medida da velocidade com que as partículas estão se movendo, e calor é a quantidade de energia que as partículas de um objeto possuem. Portanto, em uma região do espaço verdadeiramente vazia, não haveria partículas nem radiação, o que significa que também não haveria temperatura.


É claro que o espaço está repleto de partículas e radiação capazes de produzir calor e uma temperatura. Então, quão frio é o espaço? Existe alguma região que seja realmente vazia? E há algum lugar onde a temperatura caia até o zero absoluto?



Como as estrelas aquecem o espaço

Estrelas como fontes de calor: a fusão nuclear no interior das estrelas gera enormes quantidades de energia

Radiação aquece a matéria: o calor aumenta quando a radiação estelar interage com partículas

A densidade de partículas importa: regiões com mais matéria retêm o calor de forma mais eficiente


As regiões mais quentes do espaço estão imediatamente ao redor das estrelas, que reúnem todas as condições necessárias para iniciar a fusão nuclear.


As coisas realmente esquentam quando a radiação de uma estrela alcança um ponto do espaço com muitas partículas. Isso dá à radiação de estrelas como o Sol algo sobre o qual ela pode efetivamente agir.


É por isso que a Terra é muito mais quente do que a região entre o nosso planeta e sua estrela. O calor vem das partículas da nossa atmosfera vibrando com a energia solar e depois colidindo umas com as outras, distribuindo essa energia.


No entanto, proximidade com a nossa estrela e a presença de partículas não são garantia de calor. Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol, é escaldante durante o dia e extremamente frio à noite. Suas temperaturas caem para um mínimo de -178°Celsius.


Uma imagem composta em cores falsas das variações de temperatura da superfície de Urano, obtida pela Voyager 2. (Créditos da imagem: NASA)
Uma imagem composta em cores falsas das variações de temperatura da superfície de Urano, obtida pela Voyager 2. (Créditos da imagem: NASA)

As temperaturas no planeta Urano atingem -224 °C, tornando-o ainda mais frio do que o planeta mais distante do Sol, Netuno, que ainda assim apresenta uma temperatura superficial incrivelmente baixa de -214 °C.


Isso é resultado de uma colisão com um objeto do tamanho da Terra no início de sua existência, que fez Urano orbitar o Sol com uma inclinação extrema, impedindo-o de reter seu calor interno.


Longe das estrelas, as partículas estão tão espalhadas que a transferência de calor por qualquer meio que não seja a radiação se torna impossível, fazendo com que as temperaturas caiam drasticamente. Essa região é chamada de meio interestelar.


As nuvens de gás molecular mais frias e densas do meio interestelar podem ter temperaturas de somente 10K (ou -263 °C), enquanto nuvens menos densas podem apresentar temperaturas de até 100 K (-173 °C).



O que é a radiação cósmica de fundo?


Uma imagem da radiação cósmica de fundo em micro-ondas que preenche o universo com uma temperatura de 2,725K (-270 °C). (Créditos da imagem: Agência Espacial Europeia)
Uma imagem da radiação cósmica de fundo em micro-ondas que preenche o universo com uma temperatura de 2,725K (-270 °C). (Créditos da imagem: Agência Espacial Europeia)

Radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMB): radiação remanescente do universo primitivo.

Temperatura uniforme: cerca de 2,7K acima do zero absoluto.

A luz mais antiga: formada cerca de 400 mil anos após o Big Bang.


O universo é tão vasto e repleto de uma infinidade de objetos, alguns escaldantes, outros inimaginavelmente frios, que deveria ser impossível atribuir ao espaço uma única temperatura.


Ainda assim, existe algo que permeia todo o universo com uma temperatura uniforme a um nível de uma parte em 100.000. De fato, a diferença é tão insignificante que a variação entre um ponto quente e um ponto frio é de apenas 0,000018K.


Isso é conhecido como a radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMB), e ela apresenta uma temperatura uniforme de 2,7K (-270 °C). Como 0K é o zero absoluto, trata-se de uma temperatura apenas 2,725 graus acima do zero absoluto.


A CMB é um vestígio remanescente de um evento que ocorreu apenas 400.000 anos após o Big Bang, chamado de último espalhamento. Esse foi o momento em que o universo deixou de ser opaco, depois que elétrons se ligaram a prótons, formando átomos de hidrogênio, o que impediu que os elétrons continuassem espalhando a luz indefinidamente e permitiu que os fótons viajassem livremente.


Assim, esse antigo componente “congelado” no universo representa o último momento em que a matéria e os fótons estavam alinhados em termos de temperatura.


Os fótons que compõem a CMB nem sempre foram tão frios, levando cerca de 13,8 bilhões de anos para chegar até nós. A expansão do universo deslocou esses fótons para o vermelho, reduzindo seus níveis de energia.


Originada quando o universo era muito mais denso e quente do que é hoje, estima-se que a temperatura inicial da radiação que compõe a CMB tenha sido de cerca de 3.000K (2.726 °C).


À medida que o universo continua a se expandir, isso significa que o espaço está mais frio agora do que nunca e continua ficando cada vez mais frio.



O que aconteceria se você fosse exposto ao espaço?

Sem congelamento instantâneo: a perda de energia térmica no espaço ocorre lentamente

Limites do calor: apenas a radiação pode remover energia térmica no vácuo

Perigo principal: a descompressão rápida ocorre antes do congelamento


Se um astronauta fosse deixado à deriva sozinho no espaço, a exposição ao quase vácuo espacial não o congelaria instantaneamente, como muitas vezes é retratado na ficção científica.


Existem três formas de transferência de calor: condução, que ocorre por contato; convecção, que acontece quando fluidos transferem calor; e radiação, que ocorre por meio da emissão de radiação.


A condução e a convecção não podem acontecer no espaço vazio devido à ausência de matéria, e a transferência de calor ocorre lentamente apenas por processos radiativos. Isso significa que o calor não é transferido rapidamente no espaço.


Como o congelamento exige transferência de calor, um astronauta exposto e perdendo energia térmica apenas por processos radiativos, morreria por descompressão devido à falta de atmosfera muito mais rapidamente do que congelaria até a morte.



Recursos adicionais

Para mais informações sobre as propriedades do espaço, confira Astrophysics for People in a Hurry, de Neil deGrasse Tyson, e Origins of the Universe: The Cosmic Microwave Background and the Search for Quantum Gravity, de Keith Cooper.



Bibliografia

  • Harvard University, “The human body in space: Distinguishing facts from fiction”, julho de 2013. 

  • NASA, “Fluctuations in the Cosmic Microwave Background”, acesso em julho de 2022. 

  • NASA, “Cosmic Microwave Background”, julho de 2022. 

  • NASA, “Eta Carinae”, setembro de 2020. Paul Sutter, “You Will Not Freeze To Death In Space”, Forbes, abril de 2019.



Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 12/01/2026)

Link para acesso ao original: https://www.space.com/how-cold-is-space

 
 
 

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