‘Superestrela’ sendo despedaçada por buraco negro libera energia equivalente a 400 bilhões de sóis!
- marcocenturion
- há 2 dias
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‘Isso foi muitas vezes mais energético do que qualquer evento semelhante e mais do que qualquer explosão conhecida alimentada pelo colapso de uma estrela.’
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Por Robert Lea
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Astrônomos testemunharam uma explosão cósmica que emitiu energia equivalente a 400 bilhões de sóis. O evento, que recebeu o apelido de “the Whippet”, é um exemplo surpreendentemente poderoso de um Evento de Disrupção por Maré (Tidal Disruption Event — TDE) e é resultado de uma estrela supermassiva sendo despedaçada e devorada por um buraco negro.

Os TDEs ocorrem quando estrelas se aproximam muito de buracos negros. A intensa gravidade ao redor dos buracos negros gera fortes forças de maré que, ao mesmo tempo, comprimem e esticam essas estrelas, criando fios de “espaguete estelar”, fenômeno conhecido como “espaguetificação”. Essa massa estelar distorcida se enrola ao redor do buraco negro, exatamente como um espaguete em um garfo, formando um fluxo giratório de gás e poeira conhecido como disco de acreção, que alimenta gradualmente o titã cósmico. No entanto, buracos negros são bagunceiros famintos e parte desse material que antes era parte da estrela, é então expelida para as suas proximidades em jatos.
Mesmo entre esses eventos poderosos e violentos, o Whippet, oficialmente denominado como AT2024wpp, se destaca como uma das maiores explosões cósmicas já observadas, um TDE em uma escala completamente diferente.
“Descobrimos o que acreditamos ser um buraco negro se fundindo com uma estrela companheira massiva, despedaçando-a em um disco que alimenta o buraco negro. É um fenômeno raro e inspirador. Embora suspeitássemos do que se tratava, ainda assim foi extraordinário. Isso foi muitas vezes mais energético do que qualquer evento semelhante e mais do que qualquer explosão conhecida alimentada pelo colapso de uma estrela. Esses eventos não apenas nos ajudam a identificar buracos negros, como também fornecem uma nova maneira de identificar onde os buracos negros ocorrem, como se formam e crescem, e a física de como isso acontece.”
disse em comunicado o líder da equipe, Daniel Perley, da Liverpool John Moores University, no Reino Unido, que pode ser lido na íntegra aqui.
Acompanhando o Whippet
O AT2024wpp foi descoberto pela primeira vez por astrônomos usando a Zwicky Transient Facility, no Observatório Palomar, na Califórnia. Ele foi imediatamente notável por sua semelhança com a explosão cósmica AT 2018cow, uma explosão estelar que foi entre 10 e 100 vezes mais brilhante do que a supernova média.
O Whippet também se assemelhava a um Transiente Óptico Azul Rápido Luminoso (Luminous Fast Blue Optical Transient — LFBOT), um surto de luz incrivelmente brilhante visível a distâncias de até bilhões de anos-luz, que normalmente dura poucos dias e emite radiação de alta energia que vai da extremidade azul da região óptica do espectro eletromagnético até os comprimentos de onda do ultravioleta e dos raios X. Embora dezenas desses eventos já tenham sido detectados, os LFBOTs ainda são pouco compreendidos, embora cientistas os tenham associado à destruição de estrelas.
Pesquisadores acompanharam o Whippet com o Liverpool Telescope, nas Ilhas Canárias, e com a espaçonave Swift, da NASA, confirmando que ele era extremamente azul e produzia raios X, exatamente como se espera de um LFBOT. Membros da equipe, R. Michael Rich, da University of California, Los Angeles (UCLA), e Yu-Jing Qin, do California Institute of Technology (Caltech), confirmaram a distância até o Whippet, também confirmando que não se tratava apenas de uma supernova comum. Isso, somado ao fato de o Whippet apresentar uma temperatura extremamente alta, levou à conclusão de que o evento foi desencadeado por um buraco negro rasgando uma estrela.
Uma investigação mais aprofundada do Whippet revelou uma poderosa onda de choque se propagando para fora da fonte central a cerca de 20% da velocidade da luz, ou aproximadamente 215 milhões de quilômetros por hora, colidindo com o gás ao redor. Isso é cerca de 90.000 vezes mais rápido do que a velocidade máxima de um caça Lockheed Martin F-16.
Essas ondas de choque se dissiparam após cerca de meio ano terrestre, quando alcançaram a bolha externa de gás remanescente da estrela destruída.
No entanto, os cientistas ainda não compreenderam completamente tudo sobre o Whippet. A equipe detectou hélio se afastando da fonte a cerca de 21 milhões de km/h. Isso sugere que alguma estrutura densamente ligada sobreviveu a esse TDE e está se movendo em direção à nossa posição a cerca de 750 vezes a velocidade máxima do ônibus espacial da NASA.
A equipe acredita que isso pode ser um fluxo de material lançado pelo núcleo da estrela condenada enquanto ela era “espaguetificada” pelo buraco negro no coração do Whippet. Outra possibilidade é que esse fluxo de hélio tenha sido gerado por um terceiro corpo nesse sistema, quando foi atingido por partículas e raios X lançados pelo buraco negro enquanto ele se alimenta de seu lanche estelar.
A pesquisa da equipe foi apresentada na conferência da American Astronomical Society (AAS), em Phoenix, Arizona, e foi aceita para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.”
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 08/01/2026)




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