10 mil rachaduras na superfície lunar revelam que a Lua está encolhendo
A Lua está encolhendo, e os cientistas estão se aproximando de uma estimativa exata de quanto nosso satélite natural diminuiu ao longo dos anos.
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Por Chelsea Gohd
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
Acredita-se que a Lua tenha se formado a partir de uma colisão violenta entre um objeto massivo e nossa jovem Terra, há cerca de 4,5 bilhões de anos, e seu interior ainda está gradualmente esfriando em decorrência dessa antiga colisão. À medida que esfria, a Lua se contrai, levando a um processo de encolhimento longo e lento. Agora, em um novo estudo, os cientistas acreditam ter descoberto exatamente o quanto a Lua está realmente diminuindo.

Nesse novo estudo, cientistas que analisaram imagens capturadas pela câmera da Lunar Reconnaissance Orbiter (LROC) identificaram mais de 10 mil falhas jovens, ou rachaduras, espalhadas pela superfície da Lua. Isso os ajudou a calcular o quanto a Lua se contraiu ao longo do tempo, e agora estimam que o raio da Lua diminuiu cerca de 45 metros nos últimos 400 a 800 milhões de anos.
“O número dessas falhas jovens reveladas nas imagens da LROC é muito maior do que eu jamais imaginei. À medida que o interior da Lua continua a esfriar e se contrair, espera-se que o crescimento das falhas já existentes e a formação de novas falhas continuem até hoje.”
disse o líder do estudo, Thomas Watters, geólogo e cientista emérito do Centro de Estudos da Terra e dos Planetas do Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian, em um comunicado.

Com essas observações da LROC, os pesquisadores deste estudo identificaram uma variedade de diferentes tipos de rachaduras e formações no relevo pela superfície lunar. Isso incluiu escarpas lobadas, estruturas longas e curvas que se formam quando a superfície da Lua se contrai, racha e é empurrada para cima; e pequenas cristas de mare, ou “rugas” estreitas na superfície lunar, espalhadas pelas planícies escuras da Lua.

A atividade tectônica na Lua é bem diferente da que ocorre na Terra. Em nosso próprio planeta, existem cerca de 15 grandes placas tectônicas. Na Lua, não existe nenhuma placa tectônica. Em vez disso, a Lua tem um corpo de placa única, o que significa que sua camada externa é uma peça única, quebrada apenas por falhas ou outras rachaduras criadas pela contração da Lua. Isso significa que, em vez de aparecerem nas bordas de placas tectônicas, as falhas e rachaduras estão espalhadas por toda a Lua.

Ao mapear esses milhares de diferentes formações, todas criadas pelo resfriamento e contração da Lua ao longo do tempo, os pesquisadores estão reconstruindo a história lunar. Além de descobrir a extensão com que a Lua encolheu ao longo do tempo, eles também constataram que algumas áreas da Lua apresentam muito mais falhas do que outras, e que as áreas com menos rachaduras e falhas têm uma crosta lunar mais espessa.
Isso os levou a concluir que essas áreas com crosta mais espessa não são apenas mais estáveis, mas também sugere que boa parte das rachaduras generalizadas na superfície lunar foi criada mais tarde na história da Lua, já que, em seus primeiros anos, sua crosta espessa teria isolado o interior quente da Lua, impedindo o resfriamento, a contração e a formação de rachaduras.
Esse trabalho foi descrito em um estudo publicado em 14 de outubro no periódico The Planetary Science Journal e pode ser lido na íntegra aqui.
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 19/10/2026)
Link para acesso ao original: https://www.space.com/astronomy/moon/the-moon-is-shrinking-10-000-cracks-on-the-lunar-surface-reveal-by-how-much




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