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Mapeamento de famílias de sistemas planetários na Via Láctea revela o que determina o destino dos planetas

há 3 horas
4 min de leitura

“Existe uma ligação íntima entre os sistemas planetários e suas estrelas, e isso, dependendo da estrela em torno da qual nascem, também determina seu destino.”


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Por Robert Lea

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


É possível saber muito sobre como uma criança vai envelhecer observando seus pais, e descobriu-se que isso também pode valer para sistemas planetários. Cientistas realizaram uma investigação, como se fosse uma genealogia cósmica, em sistemas planetários da Via Láctea, encontrando duas linhas distintas, como se fossem famílias, as quais influenciam a evolução e o destino desses sistemas.


Uma ilustração mostra duas famílias de sistemas planetários evoluindo a partir de estrelas diferentes (Créditos da imagem: INAF / Universitat de València / geração de imagem assistida por IA Gemini)
Uma ilustração mostra duas famílias de sistemas planetários evoluindo a partir de estrelas diferentes (Créditos da imagem: INAF / Universitat de València / geração de imagem assistida por IA Gemini)

A equipe do estudo, liderada por pesquisadores do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF), estudou 300 dos sistemas multiplanetários mais bem compreendidos entre os mais de 1.000 que os astrônomos já descobriram na Via Láctea.


A pesquisa da equipe esclarece como os ambientes ao redor de estrelas recém-nascidas afetam diretamente os destinos planetários e, por consequência, a sobrevivência de exoplanetas potencialmente capazes de abrigar vida. Isso pode ser crucial à medida que os astrônomos buscam vida além do sistema solar, apontando-os para sistemas com exoplanetas potencialmente habitáveis, como a Terra.


“A pergunta fundamental de onde partimos foi: o que determina as características dos sistemas planetários como os vemos hoje? Elas são estabelecidas no nascimento ou moldadas pela evolução ao longo do tempo? A verdade, no fim, acabou estando em algum lugar no meio”

disse o membro da equipe e pesquisador do INAF Diego Turrini, em um comunicado enviado à Space.com.


“Nossos resultados mostram que existe uma ligação genética entre os sistemas planetários e suas estrelas, e que, dependendo da estrela em torno da qual nascem, essa ligação também determina seu destino”

acrescentou.



Qual é o “código genético” de um sistema planetário?


A primeira “família” identificada pelos cientistas consiste em sistemas amplos e massivos, frequentemente com massas totais entre duas e 10 vezes a do nosso próprio sistema solar. Os planetas desses sistemas orbitam estrelas mais massivas que o Sol, com concentrações mais baixas de elementos mais pesados que hidrogênio e hélio (que os astrônomos, de forma um tanto confusa, chamam de metais) do que as observadas em nossa estrela.


A segunda família é composta por sistemas mais compactos e de massa mais baixa. Os membros dessa família são compostos por planetas com massas e tamanhos comparáveis, uma configuração conhecida como “ervilhas na vagem” (do inglês “peas-in-a-pod”). Eles orbitam estrelas com massa e metalicidade iguais ou inferiores às do Sol, com órbitas que geralmente são muito mais próximas do que a de Mercúrio, o planeta mais próximo do sol.


Um dos “genes” que Turrini e seus colegas selecionaram para classificar os sistemas planetários em famílias foi o desvio que os planetas apresentam em relação a orbitar sua estrela em um mesmo plano circular. Isso, por sua vez, revela um histórico familiar de instabilidade gravitacional violenta, causada por eventos como colisões gigantes e ejeções planetárias.


Eventos violentos eram comuns na primeira família, mas muito menos frequentes no segundo grupo de sistemas planetários, descobriram os pesquisadores. Eles determinaram que o número desses eventos turbulentos que um sistema planetário vivencia pode estar relacionado até mesmo a variações modestas no ambiente em que os planetas se formam. Essas variações surgem devido a diferentes propriedades da estrela-mãe desses sistemas.


Assim, a natureza da estrela nesses sistemas não apenas muda fundamentalmente a formação dos planetas em seus sistemas. Ela influencia a evolução futura do sistema, determinando se ele será caracterizado por fases de instabilidade acentuada e impactos gigantes.


Uma ilustração mostra dois planetas colidindo. Essas colisões podem ser mais comuns em torno de certos tipos de estrelas (Créditos da imagem: Robert Lea (criado com Canva))
Uma ilustração mostra dois planetas colidindo. Essas colisões podem ser mais comuns em torno de certos tipos de estrelas (Créditos da imagem: Robert Lea (criado com Canva))

“A principal dificuldade durante a análise dos dados foi determinar se as duas famílias de sistemas planetários eram reais ou apenas uma ilusão criada pelos limites tecnológicos das técnicas observacionais atuais. No fim do caminho, ficou claro que os efeitos de seleção atuaram como a ponta do iceberg, revelando a existência de diversidades estruturais muito mais profundas entre esses sistemas””

disse a membro da equipe Camilla Danielski, da Universidade de Valência, na Espanha.


Os cientistas testaram suas conclusões executando simulações da evolução de sistemas planetários, todas partindo de condições diferentes.


“Os cenários que melhor reproduzem as propriedades dinâmicas da família de sistemas amplos e massivos são aqueles em que os sistemas são instáveis desde o nascimento. A maior abundância de material a partir do qual os planetas se formam em torno de suas estrelas hospedeiras faz com que eles nasçam grandes demais, impedindo que o sistema permaneça estável.”

disse a supervisora da pesquisa e pesquisadora do INAF Danae Polychroni.


A pesquisa da equipe foi publicada no dia 13 de outubro, na revista Nature Astronomye pode ser lida na íntegra aqui.



Artigo encontrado no site UniverseToday.com (originalmente publicado em 15/10/2026)

 
 
 

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