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É hora de reavaliar o tamanho do nosso sistema solar, dizem cientistas

há 2 horas
3 min de leitura

A borda do nosso sistema solar pode não ser definida por um limite nítido, mas por uma “dança complexa entre forças, energias e trajetórias”, argumentam dois pesquisadores.


Por Leonard David

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


Dois renomados cientistas espaciais afirmam que há a necessidade de redefinir a borda do sistema solar, apresentando uma teoria segundo a qual medições do campo gravitacional da Via Láctea, incluindo sua matéria escura, redesenham a fronteira do sol.


Uma ilustração da heliosfera, o campo magnético criado pelo vento solar que envolve nosso sistema solar, e da heliopausa, a fronteira onde essa esfera encontra o espaço interestelar. (Créditos da imagem: NASA/Goddard Space Flight Center Conceptual Image Lab)
Uma ilustração da heliosfera, o campo magnético criado pelo vento solar que envolve nosso sistema solar, e da heliopausa, a fronteira onde essa esfera encontra o espaço interestelar. (Créditos da imagem: NASA/Goddard Space Flight Center Conceptual Image Lab)

Essa teoria foi proposta por Jim Green, ex-cientista-chefe da NASA e ex-diretor da Divisão de Ciência Planetária da agência espacial, junto com Ed Belbruno, professor de matemática na Yeshiva University e pesquisador sênior associado na Princeton University.


A fronteira gravitacional do sistema solar se estende a quase 3,8 anos-luz do sol, afirmam eles, aproximadamente 241.000 unidades astronômicas (UA), uma distância que coloca a “borda” do sistema solar na mesma escala da separação entre estrelas vizinhas. A borda do nosso sistema solar pode não ser definida por um limite nítido, mas por uma “dança complexa entre forças, energias e trajetórias”, escrevem eles. Green e Belbruno apresentaram recentemente seus argumentos na edição de agosto de 2026 da revista ROOM — The Space Journal of Asgardia.



Objetos de movimento lento


Além disso, essa teoria afirma que os pontos de Lagrange solares gravitacionalmente estáveis L1 e L2 poderiam formar um tipo de “portal” capaz de canalizar futuros visitantes interestelares, como o recente cometa 3I/ATLAS, para dentro do sistema solar, talvez permitindo que os cientistas os capturem para estudos futuros.


“Descobrir a localização do ponto L1 solar-galáctico é importante, já que objetos de movimento lento que entram nessa região podem ser capturados pelo nosso sol e se tornar parte do nosso sistema solar”, disse Green à Space.com. “Quem sabe se não há um grande planeta errante capturado a caminho do sistema solar neste exato momento”, disse ele.


Green afirmou que há a necessidade de observar essas localizações recém-calculadas de L1 e L2 para ver o que poderia ser encontrado. Ele está agora em conversas para realizar tais observações com a equipe da sonda New Horizons, que explorou Plutão em 2015 e atualmente opera na heliosfera externa.


“Até mesmo a poeira acumulada nessa região poderia verificar muitos dos cálculos que fizemos, incluindo a extensão da matéria escura em nossa galáxia”

disse Green.


Um diagrama mostrando os pontos de Lagrange de L1 a L5. (Créditos da imagem: NASA Goddard Space Flight Center Scientific Visualization Studio)
Um diagrama mostrando os pontos de Lagrange de L1 a L5. (Créditos da imagem: NASA Goddard Space Flight Center Scientific Visualization Studio)

Captura balística


“É um resultado muito bom e significativo”, disse Belbruno à Space.com. O artigo da ROOM, escrito para o público em geral, se baseia em sua palestra principal proferida em agosto de 2025 no Instituto Niels Bohr. Grande parte da teoria também deriva do trabalho de Belbruno sobre captura permanente no sistema solar e fronteiras de estabilidade fraca, publicado em 2024 na revista Celestial Mechanics and Dynamical Astronomy.


Belbruno é autor do livro Fly Me to the Moon: An Insider’s Guide to the New Science of Space Travel (Princeton University Press, Princeton, 2007). Nessa obra, ele detalha como aproveitar viagens espaciais de baixo consumo de combustível, que ele compara a “surfar no campo gravitacional”.


“Este novo trabalho representa uma nova aplicação da teoria da fronteira de estabilidade fraca, aplicada pela primeira vez em 1987 para encontrar novas rotas até a Lua da Terra, usando captura balística para espaçonaves. Agora, sua aplicação foi substancialmente ampliada para a captura balística em nosso sistema solar a partir do espaço interestelar e para estimar o tamanho do nosso sistema solar”

afirmou Belbruno.


Green e Belbruno destacam que a descoberta muito recente de objetos interestelares, como o cometa interestelar 3I/ATLAS, em 2025, passando por nosso sistema solar em trajetórias hiperbólicas “abriu uma janela inteiramente nova sobre o material e os processos que moldam sistemas planetários por toda a galáxia.”


O cometa interestelar 3I/ATLAS, visto pelo Telescópio Espacial Hubble em agosto de 2025, enquanto passava por nosso sistema solar. (Créditos da imagem: NASA/ESA/David Jewitt (UCLA)/ Processamento de imagem: Joseph DePasquale (STScI))
O cometa interestelar 3I/ATLAS, visto pelo Telescópio Espacial Hubble em agosto de 2025, enquanto passava por nosso sistema solar. (Créditos da imagem: NASA/ESA/David Jewitt (UCLA)/ Processamento de imagem: Joseph DePasquale (STScI))


Domínio da gravidade


O artigo na ROOM acrescenta algumas ideias impactantes a respeito de potenciais civilizações alienígenas distantes.


“A viagem interestelar exige domínio da gravidade, que uma civilização extraterrestre avançada poderia usar para percorrer a galáxia, utilizando portais criados nos pontos de Lagrange como alavanca”

escrevem Green e Belbruno.


“Permanecendo nesses locais, eles poderiam observar a vida dentro de um sistema estelar praticamente sem nenhum gasto de energia, então talvez devêssemos estar procurando por grandes estações espaciais nos pontos L1 e L2 estelares como uma tecnoassinatura de vida inteligente avançada?”

acrescentam os pesquisadores



Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 16/10/2026)


 
 
 

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