A rotação de Caronte, lua de Plutão, pode estar diminuindo.
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O período de rotação inicial de Caronte era de aproximadamente 14,3 horas, significativamente mais rápido do que seu estado atual de travamento por maré, no qual completa uma rotação em cerca de 153,3 horas.
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Por Nature Publishing Group
Editado por Lisa Lock, revisado por Andrew Zinin
Traduzido e adaoptado por Marco Centurion
Evidências da desaceleração do período de rotação de Caronte (processo conhecido como despinning, ou perda gradual de rotação) estão registradas em estruturas tectônicas na superfície da gelada lua de Plutão, de acordo com um estudo de modelagem publicado na revista Nature Communications e pode ser lido na íntegra aqui. As descobertas oferecem novos insights sobre a evolução térmica inicial de Caronte e de outros satélites gelados do Sistema Solar exterior.

Acredita-se que objetos em todo o Sistema Solar passem por um processo chamado despinning, no qual as forças de maré podem reduzir a velocidade de rotação de um corpo celeste, alterando sua forma e sua temperatura. Embora esse mecanismo seja teorizado há muito tempo para Caronte, evidências geológicas claras ainda eram escassas. Caronte é um candidato promissor para preservar esse tipo de registro porque sua superfície tem cerca de 4 bilhões de anos e sofreu relativamente poucos processos de renovação superficial em comparação com outros satélites gelados.
Hanzhang Chen e seus colegas examinaram variações nas orientações e nos tipos de estruturas tectônicas presentes em cadeias montanhosas de uma região chamada Oz Terra, localizada no hemisfério norte de Caronte. Essas estruturas se estendem por mais de 200 quilômetros e apresentam encostas assimétricas compatíveis com compressão, e não com extensão da crosta. A modelagem indica que existia uma camada de gelo com pelo menos 30 a 36 quilômetros de espessura no momento em que essas formações surgiram e sugere que a crosta próxima ao equador tornou-se aproximadamente 1% mais curta durante esse período, com a compressão sendo absorvida ao longo de falhas preexistentes e dando origem às cristas observadas.
Com base na modelagem, os autores estimam que o período de rotação inicial de Caronte era de aproximadamente 14,3 horas, significativamente mais rápido do que seu estado atual de travamento por maré, no qual completa uma rotação em cerca de 153,3 horas. Esse resultado fornece evidências que sustentam uma desaceleração gradual de sua rotação, ou seja, o claro processo de despinning.
Essas descobertas sugerem que Caronte pode ter iniciado sua evolução em um estado relativamente frio, formando desde cedo uma espessa e rígida camada de gelo. Embora ainda existam incertezas relacionadas às hipóteses adotadas na modelagem e às estimativas das tensões tectônicas, o estudo fornece um raro registro geológico da evolução da rotação de um corpo celeste, com implicações importantes para a compreensão da história térmica e orbital de outros satélites gelados.
Artigo encontrado no site Phys.org (originalmente publicado em 14/07/2026)
Link para acesso ao original: https://phys.org/news/2026-07-pluto-moon-charon.html




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