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Estudo sugere que a Terra pode sobreviver à explosão do Sol!

  • há 4 minutos
  • 5 min de leitura

"As observações de estrelas gigantes semelhantes ao Sol atualmente apontam para a sobrevivência da Terra, mas precisamos de observações melhores antes de termos certeza."


Notícias

Por Sharmila Kuthunur

Traduzido e adaptado por Marco Centurion


Durante décadas, os astrônomos debateram se o destino da Terra estava ligado ao do Sol. Quando a estrela esgotar o hidrogênio que alimenta suas reações nucleares, daqui a cerca de 5 bilhões de anos, ela se expandirá e se transformará em uma gigante vermelha grande o suficiente para engolir Mercúrio e Vênus e subsequentemente, segundo diversos estudos, a própria Terra também.


A luz do Sol brilha acima do horizonte da Terra enquanto a Estação Espacial Internacional orbitava a 425 quilômetros de altitude sobre a província canadense de Quebec, em 30 de dezembro de 2021. (Créditos da imagem: NASA)
A luz do Sol brilha acima do horizonte da Terra enquanto a Estação Espacial Internacional orbitava a 425 quilômetros de altitude sobre a província canadense de Quebec, em 30 de dezembro de 2021. (Créditos da imagem: NASA)

Uma nova pesquisa, no entanto, sugere que nosso planeta tem uma chance maior de escapar desse fim  do que se imaginava anteriormente. Utilizando modelos atualizados sobre como estrelas envelhecidas interagem com seus planetas, os pesquisadores descobriram que as forças gravitacionais que puxam a Terra em direção ao Sol em expansão são mais fracas do que os modelos antigos previam. Isso daria ao planeta mais tempo para se afastar à medida que o Sol moribundo perde suas camadas externas para o espaço, potencialmente evitando ser engolido.


A descoberta não garante a permanência da Terra. Em vez disso, os pesquisadores afirmam que ela transfere a incerteza do problema para outro ponto. Em vez de depender da intensidade com que o Sol em expansão atrai os planetas, a principal dúvida agora está em uma variável ainda pouco compreendida, que é o quanto de massa a estrela perderá durante seus estágios finais de evolução.


"A maior incerteza já não vem mais dos cálculos das marés gravitacionais, mas de quanta massa o futuro Sol perderá. As observações de estrelas gigantes semelhantes ao Sol atualmente apontam para a sobrevivência da Terra, mas precisamos de observações melhores antes de termos certeza."

afirmou em um comunicado Mats Esseldeurs, principal autor do estudo e pesquisador do Instituto de Astronomia da KU Leuven, na Bélgica.


Quando estrelas como o Sol esgotam o hidrogênio em seus núcleos e se expandem para se tornar gigantes vermelhas, inicia-se uma disputa cósmica entre as forças de maré em expansão, que puxam os planetas para dentro, e a perda de massa da estrela, que os empurra para fora. O equilíbrio entre esses dois processos determina se os mundos próximos serão engolidos ou sobreviverão.


Essa disputa gravitacional acontece em duas etapas. À medida que o Sol se expande, as marés gravitacionais atuam como uma espécie de freio sutil, drenando lentamente a energia orbital da Terra e puxando o planeta para mais perto da estrela. Mas ao mesmo tempo, o Sol moribundo ejeta enormes quantidades de gás por meio de poderosos ventos estelares, perdendo, ao final, cerca de metade de sua massa. Conforme o Sol se torna mais leve, sua atração gravitacional consequentemente enfraquece, empurrando os planetas sobreviventes para órbitas mais amplas, que podem chegar ao dobro da distância original em relação à estrela, segundo a NASA.


"O destino da Terra depende de um equilíbrio delicado entre esses dois efeitos. Se as interações de maré predominarem, a Terra será engolida. Se a perda de massa predominar, a Terra escapará para uma órbita mais ampla."

explicou Esseldeurs no comunicado.


Segundo Esseldeurs e sua equipe, estudos anteriores chegaram a conclusões diferentes principalmente porque trataram esses processos concorrentes de maneiras distintas. Alguns desses trabalhos ignoraram completamente as interações de maré, enquanto outros utilizaram modelos simplificados desenvolvidos décadas atrás, que previam uma força de atração para o interior muito mais intensa.


Em vez de se basear nessas fórmulas antigas, o novo estudo emprega cálculos atualizados das forças de maré fundamentados nas mudanças da estrutura interna e da dinâmica das estrelas envelhecidas. Segundo a equipe, isso permitiu levar em conta com precisão tanto o atrito causado pelas marés quanto as mudanças nos ventos estelares, antes de testar os resultados considerando diferentes taxas possíveis de perda de massa durante a fase final de gigante do Sol.


Os resultados sugerem que, mesmo com uma atração gravitacional para o interior mais fraca, Mercúrio e Vênus não conseguem escapar da expansão solar e inevitavelmente serão engolidos. Já a Terra e Marte migram com segurança ao longo das duas fases de gigante, permitindo que nosso planeta acabe estabelecendo uma órbita mais ampla ao redor da anã branca que restará do Sol, concluiu o estudo.


Representação esquemática da evolução do Sol durante suas fases de gigante. A imagem mostra o Sol como é atualmente, passando por suas duas fases de gigante antes de encerrar sua vida como uma anã branca. O estudo indica que Mercúrio e Vênus serão engolidos pelo Sol em expansão, enquanto a Terra e Marte sobreviverão, terminando em órbitas mais amplas. Os tamanhos e as distâncias não estão em escala. (Créditos da imagem: Instituto de Astronomia da KU Leuven)
Representação esquemática da evolução do Sol durante suas fases de gigante. A imagem mostra o Sol como é atualmente, passando por suas duas fases de gigante antes de encerrar sua vida como uma anã branca. O estudo indica que Mercúrio e Vênus serão engolidos pelo Sol em expansão, enquanto a Terra e Marte sobreviverão, terminando em órbitas mais amplas. Os tamanhos e as distâncias não estão em escala. (Créditos da imagem: Instituto de Astronomia da KU Leuven)

Mesmo assim, o quadro está longe de ser definitivo. Como os astrônomos ainda não conseguem observar com precisão a rapidez com que estrelas semelhantes ao Sol perdem massa em seus estágios finais de vida,

"o destino definitivo da Terra permanece incerto"

escrevem os pesquisadores no novo artigo.


Ao incorporar taxas reais de perda de massa observadas em L2 Puppis (L2 Pup), uma estrela gigante vermelha localizada a cerca de 183 anos-luz da Terra e utilizada como um modelo para o futuro Sol devido à sua massa semelhante, os pesquisadores confirmaram que a Terra se afastará rapidamente o suficiente, evitando assim ser engolida, inclinando a balança em favor da permanência, e não da destruição, conforme observa o estudo.


Para nós, seres humanos, essa descoberta oferece mais um conforto acadêmico do que uma salvação prática. A maioria dos cientistas concorda que, à medida que o Sol envelhecer, ele ficará progressivamente mais quente, fazendo os oceanos da Terra entrarem em ebulição e tornando o planeta completamente inabitável dentro de aproximadamente 1 bilhão de anos, muito antes de o Sol começar a se expandir.


Ainda assim, mesmo que a humanidade não esteja presente para testemunhar esse desfecho, acompanhar a sobrevivência final da Terra fornece um contexto importante para compreender como sistemas planetários evoluem à medida que suas estrelas envelhecem, um cenário que, segundo os pesquisadores, será refinado por futuras observações de estrelas semelhantes ao Sol em seus estágios finais de vida.


"Isso nos permitirá realizar estudos populacionais sobre a evolução orbital de planetas ao redor de estrelas evoluídas, e nos ajudará a restringir os cenários para a futura evolução do sistema Terra-Sol."

escreveram os pesquisadores no artigo


O estudo foi publicado em junho na revista científica Astronomy & Astrophysics e pode ser lido na íntegra aqui.



Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 08/07/2026)

 
 
 

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