Novo planeta-anão? Astrônomos encontraram um novo corpo celeste além de Netuno
“Minha primeira reação foi de incredulidade e euforia.”
Notícias
Por Mike Wall
Traduzido e adaptado por Marco Centurion
O objeto gelado, conhecido como 2026 ED138, provavelmente tem entre 600 e 1.500 quilômetros de largura, segundo cientistas. Portanto, ele provavelmente é grande o suficiente para ser esculpido em uma esfera pela própria gravidade, a qual é uma característica fundamental que diferencia planetas-anões de asteroides e outras pequenas rochas espaciais.

O poderoso Observatório Vera Rubin detectou o que parece ser um planeta-anão circulando o sol nas profundezas geladas além de Netuno.
E se 2026 ED138 for de fato um planeta-anão, isso é um grande acontecimento, já que os astrônomos confirmaram até agora apenas cinco deles, que são Plutão, Ceres, Éris, Haumea e Makemake.
2026 ED138 foi descoberto por Matthew Holman, que trabalha no Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian (CfA). O grande momento aconteceu em 13 de outubro, quando Holman estava processando dados previamente coletados pelo Rubin em um código de busca que desenvolveu com seu colega do CfA, Kevin Napier.
Essa busca revelou um objeto misterioso além da órbita de Netuno. Apesar de sua imensa distância do sol, esse corpo era relativamente brilhante, sugerindo que é maior do que o objeto trans-netuniano médio.
“Minha primeira reação foi de incredulidade e euforia. Objetos como esse são muito raros, então comecei imediatamente a verificar se eu, ou o código, havia cometido algum erro.”
disse Holman em um comunicado no dia 27 de outubro, dia em que a descoberta do 2026 ED138 foi anunciada.
Essas verificações envolveram uma busca minuciosa pelo catálogo do Rubin. E esse catálogo é bastante robusto, mesmo o Rubin sendo um telescópio relativamente novo.

O Observatório Vera Rubin está localizado no topo do Cerro Pachón, uma montanha de 2.682 metros de altura no norte do Chile, e possui um espelho primário de 8,4 metros de largura. O telescópio alcançou sua primeira luz em abril de 2025 e iniciou seu principal projeto, o Legacy Survey of Space and Time (LSST), com duração de 10 anos, em junho deste ano.
Durante o LSST, o Rubin fotografa todo o céu do hemisfério sul a cada poucos dias, usando uma câmera de 3,2 gigapixels, a maior câmera digital já construída para a astronomia. Esse trabalho cria um “filme” em lapso temporal de alta resolução que pode revelar muito sobre o cosmos.
Por exemplo, os astrônomos acreditam que o Rubin vai esclarecer questões sobre a energia escura e a matéria escura, a misteriosa substância que, juntas, compõem a maior parte do orçamento de massa-energia do universo. Suas observações também servirão como um inventário do sistema solar, ajudando os cientistas a mapear nosso quintal cósmico como nunca antes. O Rubin já descobriu mais de 11 mil novos asteroides, por exemplo, com certamente muitos mais a caminho.
O inventário do LSST provavelmente incluirá também uma série de novos planetas-anões, incluindo, possivelmente, o 2026 ED138. Pois o objeto definitivamente existe, Holman e seu colega Mario Jurić, que trabalha na Universidade de Washington e atua como cientista-chefe do sistema solar do Rubin, descobriram que o Rubin detectou o 2026 ED138 30 vezes separadas, em 20 noites, entre 4 de março e 11 de julho deste ano.
E investigações mais a fundo revelaram que a Dark Energy Camera (DEC), um instrumento no Telescópio Víctor M. Blanco, de 4 metros, no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile, também detectou o 2026 ED138. Na verdade, as observações do objeto pela DEC remontam a 2016.

Os dados mostram que a órbita do 2026 ED138 está inclinada cerca de 25 graus em relação ao plano do sistema solar. Por isso, é provável que ele tenha tido uma interação gravitacional com Netuno, que o teria desequilibrado, dizem os pesquisadores.
Atualmente, o 2026 ED138 está a cerca de 46 unidades astronômicas (UA) do sol. Uma UA é a distância Terra-sol, cerca de 150 milhões de quilômetros. Isso o coloca além da distância média de Plutão em relação ao sol, que é de aproximadamente 40 UA.
Ainda há muito a ser aprendido sobre o objeto, porém. Por exemplo, não saberemos se ele é ou não um planeta-anão até que os astrônomos determinem com precisão seu tamanho. E isso vai exigir observações em luz infravermelha, a faixa de comprimentos de onda para a qual o Telescópio Espacial James Webb, da NASA, é otimizado.
Então fiquemos atentos, pois sem dúvida, mais novidades sobre o 2026 ED138 estão por vir, e o Rubin pode revelar mais mundos como esse nos próximos meses e anos.
“Se confirmado como planeta-anão, o ED138 se juntaria a uma família muito pequena de mundos. O Rubin vai fotografar todo o céu do hemisfério sul repetidamente por 10 anos, então quaisquer outros que estejam escondidos em lugares que levantamentos anteriores deixaram passar agora estão dentro do nosso alcance.”
concluiu Holman.
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 28/10/2026)




Comentários