Telescópio Espacial James Webb descobre vento “assassino de galáxias” que pode explicar por que algumas galáxias primitivas duram tão pouco.
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Fluxos extremamente poderosos de gás podem explicar por que tantas galáxias massivas interromperam a formação de estrelas pouco tempo após o Big Bang.
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Por Samantha Mathewson
Traduzido e adaptado pro Marco Centurion
Utilizando o Telescópio Espacial James Webb (JWST) e o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), astrônomos podem ter descoberto novas pistas sobre um antigo mistério da evolução das galáxias: por que tantas galáxias massivas no universo primordial parecem ter morrido muito antes do esperado.

As galáxias costumam ser consideradas ativas quando estão formando estrelas ativamente e inativas quando a formação estelar praticamente cessou. No universo atual, galáxias inativas são comuns. No entanto, os astrônomos ficaram surpresos ao encontrar grandes quantidades delas no universo primitivo, quando se esperava que as galáxias estivessem crescendo rapidamente e produzindo estrelas em abundância.
Usando observações do ALMA e do JWST de uma galáxia distante, os pesquisadores detectaram um “vento assassino de galáxias”, com um gigantesco fluxo de gás em alta velocidade, poderoso o suficiente para remover de uma galáxia a matéria-prima necessária para formar novas estrelas. De acordo com um comunicado da Royal Astronomical Society, a descoberta pode ajudar a explicar a intrigante população de galáxias massivas inativas encontrada em todo o cosmos jovem.
“Regiões densas do universo são como cidades extremamente ativas. As galáxias colidem e passam por explosões frenéticas de formação estelar. Mas, quando as estrelas mais massivas esgotam seu combustível, elas explodem como supernovas, lançando ventos poderosos que expulsam justamente o gás de que as galáxias precisam para continuar formando estrelas.”
afirmou Rebecca Davies, autora principal do estudo da Swinburne University of Technology, no comunicado.
Davies e seus colegas observaram uma galáxia chamada CRISTAL-02 tal como ela era apenas um bilhão de anos após o Big Bang, capturando-a em meio a um período de crescimento acelerado.
As observações revelaram que a CRISTAL-02 está formando estrelas a uma taxa aproximadamente duas vezes maior do que a de galáxias semelhantes da mesma época. Ao mesmo tempo, o JWST e o ALMA detectaram uma vasta pluma de gás frio se estendendo para longe da galáxia, um sinal claro de que material está sendo expelido para o espaço intergaláctico, segundo o comunicado.
“A galáxia possui um vento poderoso que está ejetando material a uma taxa duas vezes maior do que a taxa de formação de estrelas da própria galáxia. Se essa expulsão rápida continuar, a galáxia poderá estar morta em menos de 50 milhões de anos, explicando a origem das misteriosas galáxias massivas mortas do universo primitivo.”
acrescentou Davies.

A descoberta é particularmente intrigante porque a CRISTAL-02 não é uma única galáxia. Em vez disso, ela é composta por múltiplas galáxias nos estágios finais de uma fusão. Durante essas colisões cósmicas, o gás é canalizado para os centros galácticos, desencadeando intensos surtos de formação estelar, seguidos posteriormente por explosões de supernovas que impulsionam ventos poderosos capazes de impedir o nascimento de novas estrelas.
Além disso, as observações sugerem que quase metade das galáxias massivas do universo primitivo estava interagindo com companheiras próximas, indicando que as fusões galácticas e seus ventos assassinos de galáxias podem ter sido fenômenos amplamente disseminados. Como resultado, muitas das primeiras galáxias gigantes do universo podem ter destruído efetivamente sua própria capacidade de formar estrelas, ajudando a explicar por que tantas dessas galáxias parecem ter vivido rápido e morrido jovens.
“Se muitas galáxias primitivas colidem e passam por um crescimento acelerado, talvez não seja surpreendente que observemos tantas galáxias mortas no universo inicial. A CRISTAL-02 oferece uma solução natural para o mistério de por que essas galáxias massivas vivem rápido e morrem jovens.”
afirmou Davies no comunicado.
O estudo foi publicado em 10 de junho, e pode ser lido aqui na íntegra, na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: Letters.
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 11/06/2026)




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