Telescópio Espacial James Webb encontra evidências de que os misteriosos Little Red Dots são estrelas de buracos negros!
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"Nenhum dos Little Red Dots anteriores possuía todas as peças de evidência reunidas no mesmo lugar."
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Por Robert Lea
Traduzido e Adaptado por Marco Centurion
Astrônomos utilizando o Telescópio Espacial James Webb podem estar próximos de solucionar o mistério dos Little Red Dots no universo primitivo. A equipe estudou um desses objetos estranhos, designado GLIMPSE-17775, encontrando evidências de que ele é uma estrela de buraco negro, ou um tipo de buraco negro supermassivo em crescimento, alimentando-se vorazmente, envolto por uma densa nuvem de gás parcialmente ionizado.

Os Little Red Dots começaram a surgir quando o Telescópio Espacial James Webb (JWST) iniciou o envio de dados para a Terra, no verão de 2022. Alguns cientistas chegaram a afirmar que eles haviam “quebrado a cosmologia”, porque aparecem em grande quantidade cerca de 600 milhões de anos após o Big Bang, mas aparentemente desaparecem antes que o universo atinja 2 bilhões de anos de idade.
Diversas explicações foram propostas para os Little Red Dots, mas uma das hipóteses que ganhou mais força é justamente o conceito de estrelas de buracos negros. Se essas estrelas realmente existirem, o desaparecimento delas seria resultado de seus intensos e breves surtos de crescimento, que os levam a se extinguir. Outra possibilidade é que os buracos negros supermassivos em crescimento em seus centros acabem removendo o gás e a poeira densos que os ocultam, alterando sua aparência à medida que evoluem para galáxias ativas mais típicas.
O problema, porém, é que os astrônomos não haviam conseguido reunir evidências observacionais de que os Little Red Dots fossem, de fato, estrelas de buracos negros. Isso mudou quando o JWST registrou imagens do Little Red Dot GLIMPSE-17775, observado como era apenas 1,8 bilhão de anos após o Big Bang, durante observações do aglomerado de galáxias com lente gravitacional Abell S1063.
Esses dados representam o espectro de luz mais profundo já obtido de um Little Red Dot e, segundo a equipe, contêm múltiplas linhas de evidência apontando para uma estrela de buraco negro.
“Acho que parte da comunidade científica está convergindo para uma visão única, de que os Little Red Dots podem ser explicados por modelos de estrelas de buracos negros. Mas nenhum dos Little Red Dots anteriores possuía todas as peças de evidência reunidas no mesmo lugar. Com o GLIMPSE-17775, podemos testar esses modelos por causa da profundidade e da qualidade impressionante do espectro dessa fonte.”
disse Vasily Kokorev, da Universidade do Texas em Austin, em um comunicado.
Resolvendo o quebra-cabeça dos Little Red Dots com uma ajuda de Einstein
O JWST captou um vislumbre do GLIMPSE-17775 enquanto procurava a primeira geração de estrelas do universo, conhecidas, de forma um tanto confusa, como estrelas da População III. O telescópio buscava essas estrelas específicas nas galáxias que compõem o aglomerado Abell S1063.
Além disso, o Abell S1063 é uma lente gravitacional, o que significa que sua enorme influência gravitacional curva o tecido do espaço e do tempo (unificados em uma única entidade quadridimensional chamada espaço-tempo). Como consequência, a luz emitida por um objeto localizado “atrás” do aglomerado de galáxias em relação ao nosso ponto de observação tem sua trajetória curvada juntamente com a curvatura do espaço-tempo. Isso pode criar um efeito de ampliação.
O conceito de lente gravitacional foi previsto pela primeira vez por Albert Einstein em sua teoria da relatividade geral, e foi graças a esse fenômeno que os cientistas conseguiram observar o GLIMPSE-17775m transformando, essencialmente, 30 horas de observação em aproximadamente 80 horas.
“Quando vimos o espectro pela primeira vez, foi como encontrar todas as peças de um quebra-cabeça espalhadas pelo chão. Pegamos cada peça, medimos as linhas espectrais e começamos a combinar as diferentes partes em um mosaico. Talvez algumas peças parecessem não significar nada à primeira vista, mas então algumas delas se encaixaram e percebemos que havia algo ali.”
disse Kokorev.

A equipe identificou diversas linhas de evidência nas observações do JWST que indicam que o GLIMPSE-17775 é realmente uma estrela de buraco negro.
Isso inclui emissões de elementos que não correspondem ao que seria esperado em uma nuvem de gás em rotação. Em vez disso, as linhas de emissão indicam espalhamento por elétrons, algo esperado quando uma fonte de radiação está envolta por um vasto e denso casulo gasoso.
Também indicavam a presença de um denso invólucro gasoso, sinais de fluorescência e radiação absorvida pelo hélio.
A equipe também detectou linhas espectrais de ferro, que os pesquisadores apelidaram de uma “floresta de ferro”. Isso é algo esperado como resultado da alta produção de energia de um buraco negro supermassivo alimentando-se rapidamente — exatamente o cenário previsto para uma estrela de buraco negro.
Se os Little Red Dots forem buracos negros supermassivos em rápida acreção, envoltos por densos envelopes gasosos, isso também explicaria por que esses objetos misteriosos são tão fracos em raios X, já que esses casulos deveriam absorver essa radiação de alta energia.
Há, entretanto, algo ausente nas observações do GLIMPSE-17775.
Os Little Red Dots normalmente apresentam uma forte queda característica em seus espectros de luz, conhecida como Quebra de Balmer (Balmer Break).
A equipe acredita que essa característica é mais fraca neste Little Red Dot do que nos demais porque o GLIMPSE-17775 está cercado por uma galáxia hospedeira massiva.
Assim, os dados obtidos pela equipe se encaixam como uma peça que faltava no quebra-cabeça dos Little Red Dots, integrando-se perfeitamente à nossa compreensão da evolução do universo.
“Tudo se encaixa, nada está quebrado e acho que isso torna ainda melhor o quebra-cabeça que é o nosso universo. Daqui para frente, estou ansioso para investigar mais profundamente e descobrir o que alimenta os motores centrais dos Little Red Dots. Embora acreditemos que seja um buraco negro, existem algumas outras teorias interessantes sendo propostas, o que é empolgante. Talvez em um ou dois anos tenhamos a resposta definitiva sobre o que alimenta essas fontes.”
concluiu Kokorev.
A pesquisa da equipe foi publicada na quarta-feira (10 de junho) no periódico The Astrophysical Journal e pode ser lido na íntegra aqui.
Artigo encontrado no site Space.com (originalmente publicado em 11/06/2026)




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